Estamos eliminando os gerentes e, com eles, os futuros líderes

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Estamos eliminando os gerentes e, com eles, os futuros líderes

Aqueles gerentes de operações que me ensinaram no primeiro ano não eram burocratas. Não estavam ali para aprovar formulários. Estavam ali para transformar orientação em execução, desenvolver pessoas e corrigir o que não estava funcionando. Essas são funções de liderança, não de burocracia.

Ao longo de mais de 30 anos liderando operações, percebi que a maioria dos profissionais que chegaram à alta liderança começou sendo desenvolvida por alguém no meio da estrutura. Alguém apostou neles quando ainda não estavam prontos. Deu responsabilidade, deixou que errassem, corrigiu quando foi necessário e deu uma oportunidade maior depois.

Se eliminarmos essa camada sem criar outra forma de desenvolver pessoas, a empresa fica mais enxuta hoje e descobre, alguns anos depois, que não tem profissionais preparados para assumir posições maiores.

E existe um paradoxo que poucas empresas percebem. As mesmas organizações que querem reduzir a média gestão dependem dela para implementar a inteligência artificial. Alguém ainda precisa transformar a tecnologia em um novo jeito de trabalhar e ajudar a equipe a chegar lá. Quanto maior a transformação, maior a necessidade de alguém capaz de traduzi-la para as pessoas.

Diretores e executivos, por mais competentes que sejam, ficam naturalmente mais distantes do mundo real da operação. Participam de reuniões estratégicas, analisam dashboards, tomam decisões de alto nível. Mas quem sente o cliente de perto, quem percebe que algo mudou antes de aparecer no relatório, quem ouve o que a equipe não diz em voz alta, é o gerente que está no campo.

A IA pode acabar com muitos chefes.