Com a dupla taxação, a projeção de queda nas exportações de calçados saltou de 3,6% para 7,1%. “A aplicação da tarifa adicional reduz a competitividade do calçado brasileiro nos EUA e inviabiliza operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano”, afirma Haroldo Ferreira, presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).
O impacto deve se repetir na indústria química. Cerca de 58% de seus produtos foram duplamente sobretaxados. “Nossas exportações para os EUA caíram de cerca de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão”, disse em nota o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro. Ele diz que o setor cumpre “rigorosamente” os padrões de direitos humanos e que já havia apresentado essas informações ao governo americano, que as ignorou.
A entidade que representa o setor industrial de máquinas e equipamentos no Brasil prevê queda de até 11% nas exportações aos EUA. Para a Abimaq, a motivação americana tem cunho político. “Foi uma resposta da Suprema Corte norte-americana que em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação que é o trabalho forçado”, disse o presidente da entidade, José Velloso.
Os EUA também utilizariam as tarifas para interferir na política interna dos países. Enquanto aplica tarifas sobre produtos brasileiros mais elaborados, Trump “faz pressão em cima do Pix, dos canais digitais e do direito à propriedade intelectual”, diz o professor da ESPM.
O novo tarifaço
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aplicou a nova alíquota a 60 economias. Diferentemente da tarifa de 25% por “práticas desleais”, o USTR diz que a taxação de 12,5% resulta da falha em proibir e fiscalizar a importação de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países.
