A Juventus — junto do Milan — foi a grande decepção do futebol italiano na última temporada. A perda da vaga na Champions League teve um impacto anímico no time e, principalmente, financeiro, minando os investimentos nesta janela de transferências. Essa é uma das razões para as expectativas não tão altas para a Serie A 2026/27.
Quando estava na zona de classificação à Liga dos Campeões no fim da última temporada, as especulações de possíveis contratações envolviam jogadores pesados e com lastro no futebol europeu, como Bernardo Silva, agora no Real Madrid, e Alisson, do Liverpool. A realidade, com a disputa da Liga Europa, é outra.
A equipe de Turim fez movimentos pontuais por titulares. Randal Kolo Muani será o novo centroavante, enquanto a defesa tem um novo goleiro, Guglielmo Vicario, e um zagueiro para fazer dupla com Bremer (ou trio com mais um integrante), Jhon Lucumí. Também chegaram alguns jovens para o futuro, casos do ponta esquerda Kerim Alajbegov e do atacante Jeff Ekhator, de 18 e 19 anos, respectivamente. Zeki Çelik deve elevar a competitividade na lateral direita.
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São boas contratações, mas não mudam o patamar do clube. Duas delas, Muani e Ekhator, buscam só sanar a ausência de camisas 9 com as saídas de Dušan Vlahovic e Loïs Openda — e pode ter uma terceira, com Jonathan David.
A esperança da Velha Senhora, inclusive, fica mais pelo que Luciano Spalletti pode fazer do que pela qualidade de seu elenco.
Manutenção de Spalletti é caminho para Juventus competir
O técnico italiano, apesar de um mau trabalho na seleção local, é um dos melhores do país. Provou isso em uma histórica passagem pelo Napoli entre 2021 e 2023, finalizando o período com um Scudetto que derrubou um tabu de 33 anos.
Rodado, aos 67 anos, o profissional gosta de times ofensivos, intensos, protagonistas com a bola e com muita movimentação no ataque. Na Juve, porém, ainda falta mais tempo para aparecer essa faceta.
Spalletti pegou o comando dos Bianconeri com o “carro andando”, em novembro do ano passado, após um início ruim na última temporada com Igor Tudor. Basicamente até março, o experiente treinador quase não teve semanas livres para treinar pela disputa de Serie A, Copa da Itália e Champions.
Juventus — Transferências para 2026/27
| Jogador | País | Origem | Valor (€) |
|---|---|---|---|
|
Loïs Openda Centroavante |
Leipzig Bundesliga |
€42,75 mi | |
|
Randal Kolo Muani Centroavante |
PSG Ligue 1 |
€41,20 mi | |
|
Kerim Alajbegović Ponta-esquerda |
Leverkusen Bundesliga |
€32,00 mi | |
|
Jhon Lucumí Zagueiro |
Bologna Serie A |
€20,10 mi | |
|
Jeff Ekhator Centroavante |
Genoa Serie A |
€16,40 mi | |
|
Jérémie Boga Ponta-esquerda |
Nice Ligue 1 |
€4,80 mi | |
|
Zeki Çelik Lateral-direito |
Roma Serie A |
Livre | |
|
Guglielmo Vicario Goleiro |
Tottenham Premier League |
Empréstimo | |
|
Nico González Ponta-esquerda |
Atlético La Liga |
Fim emp. | |
|
Timothy Weah Meia-direita |
Marseille Ligue 1 |
Fim emp. | |
|
Douglas Luiz Volante |
Aston Villa Premier League |
Fim emp. | |
|
João Mário Lateral-direito |
Bologna Serie A |
Fim emp. | |
|
Arthur Melo Volante |
Grêmio Série A |
Fim emp. | |
|
Facundo González Zagueiro |
Racing LaLiga2 |
Fim emp. | |
|
Daniele Rugani Zagueiro |
Fiorentina Serie A |
Fim emp. |
| Jogador | País | Destino | Valor (€) |
|---|---|---|---|
|
Timothy Weah Meia-direita |
Marseille Ligue 1 |
€14,40 mi | |
|
Loïs Openda Centroavante |
Lyon Ligue 1 |
€3,50 mi | |
|
Facundo González Zagueiro |
Racing LaLiga2 |
€2,50 mi | |
|
João Mário Lateral-direito |
Fiorentina Serie A |
€1,80 mi | |
|
Vasilije Adžić Meia-atacante |
Sassuolo Serie A |
€0,50 mi | |
|
Dušan Vlahović Centroavante |
Besiktas Süper Lig |
Livre | |
|
Filip Kostić Ponta-esquerda |
PSV Eredivisie |
Livre | |
|
Arthur Melo Volante |
Sem clube |
— | |
|
Loïs Openda Centroavante |
Leipzig Bundesliga |
Fim emp. | |
|
Emil Holm Lateral-direito |
Bologna Serie A |
Fim emp. | |
|
Jérémie Boga Ponta-esquerda |
Nice Ligue 1 |
Fim emp. |
Com as eliminações para Atalanta no mata-mata nacional e Galatasaray no cenário europeu, a Juventus não entregou o esperado e, claro, há responsabilidade do técnico, assim como na queda nas copas para adversários de menor orçamento e menos qualificados tecnicamente. Ele quase abandonou o cargo ao fim de 2025/26 e escolheu ficar.
O contexto do fracasso tem o fato de ter assumido uma “fogueira” e não ter montado o elenco que tinha à disposição.
Para 26/27, com pré-temporada (na qual teve até vitória sobre o Chelsea) e tendo maior participação nas contratações, será possível ver uma equipe mais com sua cara, e isso é motivo para esperança. Material humano para melhora há, mesmo que não seja um super elenco.
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Juve tem elenco para ter vaga na próxima Champions
Spalletti tem bons jogadores nas mãos. Kenan Yildiz tem potencial para estar entre os melhores do mundo — só ainda não atingiu esse status por estar na Juve — e pode ser parte de um trio de ataque rápido com Francisco Conceição e Kolo Muani.
A volta de Douglas Luiz após dois empréstimos dá a chance de um meio-campo intenso e físico com Weston McKennie, vindo de grande Copa do Mundo, e Manuel Locatelli. A zaga é forte com Bremer, Lucumí e Pierre Kalulu. Andrea Cambiaso joga nas duas laterais com um nível razoável.
Khéphren Thuram ainda precisa de mais consistência no meio, mesmo setor do promissor Fabio Miretti, e de Teun Koopmeiners (que também pode ser zagueiro) se ele não sair nos próximos dias.
No ataque, além do possível trio titular, Jérémie Boga e Nico González, outro com futuro indefinido até o momento, podem ser reservas importantes.
Spalletti tem um grupo de jogadores justo e teve tempo para trabalhar. Os investimentos não foram os ideais, o que obrigará o técnico a resgatar atletas que ainda não deram certo em Turim (Luiz, Thuram e González, por exemplo). Mas, ainda assim, dá para dizer que é possível a Juventus estar pelo menos no top-4 e buscar uma vaga na próxima Champions.
Se considerar que a Internazionale estará entre as primeiras, sobram três vagas entre a Velha Senhora, Milan, Como e Roma — talvez Fiorentina pela boa janela. Estar na maior competição europeia garante à Juve sonhar em voltar aos tempos áureos e ajuda as finanças, que se complicaram desde 2019. Spalletti é a chave para esse caminho.
