Em poucas semanas, no dia 11 de setembro, o cantor Jota.pê sobe ao palco Sunset do Rock in Rio. Dentre todas as suas canções, uma nova ganhará seu primeiro público massivo. “Até Outro Dia Amo” chegou às plataformas na quinta-feira (13), e narra uma experiência amorosa universal —uma relação que, apesar de prazerosa, não avançou.
Após vencer três troféus no Grammy Latino com o disco “Se o Meu Peito Fosse o Mundo” e consolidar uma trajetória marcada pela mistura de gêneros, o cantor ex-The Voice lança a música que funciona como uma espécie de interlúdio para seu próximo disco, previsto para o primeiro semestre de 2027.
A faixa antecipa uma fase em que ele pretende experimentar novos ritmos e participar mais ativamente da produção.
Para Jota.pê, transformar a experiência em canção foi uma maneira de compreender o que sentia. “A música para mim é como uma segunda terapia. Toda vez que eu tô muito apaixonado, com muita raiva, enfim, tudo que tá demais dentro de mim, quando vira música, parece que aquilo vai embora de mim”, afirma.
A vulnerabilidade, que no início da carreira ainda lhe causava constrangimento, tornou-se parte natural do processo criativo. Agora, ele leva essa disposição para um projeto ainda em construção que terá como uma de suas marcas a experimentação.
“Eu considero um interlúdio porque eu estou testando outras coisas”, afirma. Pela primeira vez, o cantor se envolve de maneira mais direta na produção, junto ao produtor Felipe Vassão, testando possibilidades antes de definir a sonoridade do álbum.
O single também representa uma experiência com o reggae, gênero que Jota.pê mistura a elementos de seu próprio repertório. A intenção é semelhante ao que já fez com o samba e o forró, em que incorpora referências externas sem deixar de fazê-las caber em seu universo.
A busca por novos sons também passa pela descoberta da música de Cabo Verde e de outros países africanos, que ganhou força após seu contato com Mayra Andrade. Cesária Évora, por exemplo, é um nome frequente em seu repertório de referências. “Depois de dez anos de carreira, ouvir um ritmo que você não consegue entender me deixou muito instigado”, diz.
A guitarra, instrumento que passou a estudar junto do violão e do cavaquinho, também pode aparecer no disco. “Não sei se com uma guitarra distorcida e pesada, talvez, sim, talvez não”, diz.
A mudança, porém, não significa abandonar os caminhos anteriores. Jota.pê afirma que não sente necessidade de provar que é mais do que o artista de “Dominguinho”, projeto que gravou com João Gomes e Mestrinho e que ampliou seu alcance. O forró, diz ele, continuará presente. “O forró faz parte de mim.”
O mesmo vale para Avuá, parceria com Bruna Black. O cantor pretende voltar ao projeto, que já lhe rendeu uma apresentação no Colors Studio e uma nova turnê. “Existem coisas que a gente só consegue fazer juntos, eu e ela, ou eu e os meninos do Dominguinho.
Enquanto prepara o novo álbum, Jota.pê também se prepara para um dos maiores palcos de sua carreira. Em setembro, ele se apresenta no Rock in Rio, no Palco Sunset, em um encontro com as cantoras Luedji Luna e Zaynara.
A participação acontece justamente em um momento em que o cantor amplia as fronteiras de sua própria música e sua experimentação. “É como se você descobrisse uma nova palavra para dizer o mesmo, como se encontrasse um sinônimo diferente para falar sobre um sentimento.”
