A atriz brasileira Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite de segunda-feira, 17 de agosto, em sua casa, em São Paulo. Segundo sua filha, Fátima Cardoso, a atriz morreu de causas naturais, depois de se sentir mal pouco antes da meia-noite. O velório acontece nesta terça-feira (18), em cerimônia restrita à família.
É difícil falar de Laura Cardoso no passado porque ela parecia pertencer à própria estrutura da televisão brasileira. Quando a TV ainda aprendia a ser TV, Laura já estava lá. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, no Bixiga, em São Paulo, em 13 de setembro de 1927, começou no rádio aos 15 anos e estreou na TV Tupi em 1952. Filha de imigrantes portugueses, precisou enfrentar inclusive a resistência familiar em uma época em que ser atriz ainda era visto com enorme preconceito.
Vieram mais de 60 novelas, além de cinema, teatro e dublagem, em uma carreira na qual raramente existia papel pequeno quando Laura Cardoso entrava em cena. Isaura, a mãe de Ruth e Raquel em Mulheres de Areia; Guiomar, em A Viagem; Laksmi, em Caminho das Índias; Dorotéia, em Gabriela; Caetana, em O Outro Lado do Paraíso: mulheres completamente diferentes, mas todas ganhavam com ela uma humanidade impossível de ignorar.
Sua última novela foi A Dona do Pedaço, em 2019, mas Laura nunca considerou que estivesse encerrando a carreira. Pelo contrário. Aposentadoria era quase uma palavra proibida. Em entrevistas, repetia que era “movida a trabalho” e que queria continuar representando, estudando e ensaiando.
Em 2025, aos 97 anos, voltou ao cinema no curta Dona Rosinha, foi homenageada com uma estrela nos Estúdios Globo e ainda participou da tradicional vinheta de fim de ano da emissora. Na gravação, mesmo com dificuldade para caminhar, pediu para levantar da cadeira e cantar em pé junto aos colegas. Seria sua última aparição na televisão.
Talvez seja a imagem perfeita para sua despedida. Laura Cardoso ficou em cena praticamente até o fim.
