O ator e diretor Gracindo Júnior, um dos nomes que acompanharam praticamente toda a construção da televisão brasileira, morreu na noite desta terça-feira (1º), aos 83 anos, em casa, no Rio de Janeiro. Ele estava ao lado da família. A causa da morte não foi divulgada.
Filho do inesquecível Paulo Gracindo, poderia ter passado a vida sendo apresentado apenas como herdeiro de um dos gigantes da nossa dramaturgia. Não aconteceu. Gracindo Júnior começou ainda adolescente, na Rádio Nacional, estreou no teatro no início dos anos 1960 e esteve entre os artistas dos primeiros tempos da TV Globo. Em Rosinha do Sobrado, de 1965, por exemplo, formou par romântico com Marília Pêra.
Talvez nenhuma história resuma tão bem a relação artística entre pai e filho quanto O Casarão, de 1976. Na novela de Lauro César Muniz, os dois interpretaram João Maciel em épocas diferentes da vida: Gracindo Júnior era o personagem jovem; Paulo Gracindo, o mesmo homem décadas depois. Uma passagem de bastão quase literal dentro da própria ficção e um dos trabalhos mais lembrados da carreira do ator.
Vieram muitos outros. Gracindo esteve em produções como O Bem-Amado, O Salvador da Pátria, Mandala, Rainha da Sucata e Explode Coração. Na Manchete, fez parte de Dona Beija e, mais tarde, encontrou uma nova geração de público nas novelas e séries da Record, entre elas Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo, Ribeirão do Tempo e Rei Davi.
Mas reduzir Gracindo Júnior às novelas também seria pouco. Foi ator, diretor, produtor e homem de teatro, comandou dezenas de trabalhos nos palcos e atuou também nos bastidores da televisão. No cinema, participou de produções brasileiras e internacionais.
Nos últimos anos, vivia de maneira mais reservada, afastado das novelas e ao lado da mulher, Daisy Poli. Gracindo Júnior deixa filhos, netos e, sobretudo, uma daquelas trajetórias que se confundem com a própria história da dramaturgia brasileira. O sobrenome era uma herança pesada. Ele conseguiu transformá-lo também em uma assinatura própria.
