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O percarbonato de sódio é um velho conhecido dos produtos de limpeza que, recentemente, ganhou uma nova vida nas redes sociais.
Em vídeos que se multiplicam na internet, o pó branco passou a ser apresentado como o “queridinho dos donos e donas de casa”, capaz de devolver o branco a roupas amareladas e recuperar até os panos de prato mais encardidos.
O problema é que a popularidade nas redes trouxe também uma onda de “receitas” caseiras — misturas com vinagre, ácidos e por aí vai… — que especialistas classificam como arriscadas.
Para usar o produto com segurança, entenda o que é percarbonato, para que ele realmente serve e onde mora o perigo.
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O que é percarbonato de sódio
O percarbonato de sódio é um pó branco e granulado, com ação alvejante, ou seja, um tipo de produto químico que age quebrando as moléculas de sujeira por meio de oxidação.
Ele nasce de uma união entre o carbonato de sódio e peróxido de hidrogênio (que conhecemos como água oxigenada).
Quando dissolvido em água, ele libera essas duas substâncias, resultando em uma solução alcalina com poder para remover sujeira e manchas.
Assim, o produto é amplamente utilizada em produtos de lavanderia, como sabões, alvejantes e soluções sanitizantes.
É seguro usar percarbonato de sódio?
De maneira geral, ele é considerado seguro. Aliás, ele é boa uma alternativa ao alvejante de cloro (água sanitária), pois age de forma parecida, mas sem os riscos ambientais e o cheiro forte.
“Os produtos da decomposição do percarbonato de sódio [o que surge a partir da reação química gerada pelo seu contato com a água] são ambientalmente amigáveis e pouco tóxicos, se comparados aos produtos que contém cloro em sua formulação”, explica o químico Flávio Maron Vichi, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
Quais os riscos à saúde?
Apesar de ser considerado seguro, é preciso ter atenção à manipulação, pois o produto é um oxidante forte e pode causar irritações para o corpo humano. Segundo Vichi, os riscos variam conforme a via de exposição:
Contato com os olhos: pode causar queimaduras químicas e, em casos extremos, perda de visão permanente, pois o o oxidante danifica o tecido sensível da córnea.
Inalação: respirar o pó, especialmente ao manuseá-lo seco ou ao abrir a embalagem, pode causar irritação das vias respiratórias, com tosse, queimação na garganta e irritação das mucosas.
Contato com a pele: ao entrar em contato com a umidade natural da pele, o percarbonato libera uma solução alcalina — mesmo processo que ocorre quando ele é dissolvido em água — que, com o tempo ou em exposições repetidas, pode causar irritação e ressecamento.
Ingestão: se engolido acidentalmente, causa queimaduras químicas na boca, nas mucosas, no esôfago e no estômago. Como o produto continua reagindo dentro do corpo, a rápida liberação de oxigênio gasoso no trato digestivo pode causar náusea e vômitos.
Como usar?
Em primeiro lugar, ao manipular esse produto, é ideal usar luvas e mantê-lo longe do rosto. Em caso de contato acidental, a orientação básica é lavar a região imediatamente com água corrente, para diluir e remover o produto o quanto antes.
Dito isso, para ver seus efeitos em ação, basta misturá-lo à água, seguindo estritamente as recomendações do fabricante.
Nessa hora, um mito comum, reforçado pelos vídeos virais, é o de que a água precisa estar morna para o produto funcionar melhor.
Segundo Vichi, isso não procede: “é só desperdício de energia para aquecer a água”, diz o químico.
O docente reitera que o modo de uso varia conforme cada fabricante do seu produto e, por isso, deve-se consultar a embalagem. Mas um exemplo de indicação, segundo a Calisul, é o seguinte:
- Na lavagem de roupas: adicionar 1 a 2 colheres de sopa de percarbonato de sódio ao detergente ou sabão em pó já usado normalmente. Ele funcionará como um reforço à limpeza, não como substituto do sabão;
- Pré-tratamento de manchas: para manchas mais resistentes, misturar o pó com um pouco de água até formar uma pasta, aplicar diretamente sobre a área manchada, deixar agir por 15 a 30 minutos e depois lavar normalmente;
- Manchas em colchões e estofados: dissolver uma colher de sopa do produto em 500 ml de água morna (aqui, o calor serve apenas para facilitar a diluição, não a reação) e borrifar sobre a mancha. Deixar agir por alguns minutos e limpar com um pano limpo e úmido;
- Tecidos delicados: Segundo a Calisul, o percarbonato pode ser usado em roupas de bebê, lingerie e tecidos de cama finos, em concentrações baixas. Ainda assim, o recomendado é sempre testar numa pequena área escondida do tecido antes de aplicar na peça inteira.
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Pode misturar com outros produtos?
Não com qualquer coisa. Existem materiais que reagem de forma imprevisível ou perigosa com o percarbonato de sódio, e por isso devem ser evitados.
É o caso de ácidos, como vinagre, ácido muriático ou soluções para limpeza de pedras, e palhas de aço ou outros produtos metálicos.
“Se misturado ou aplicado em metais, pode causar manchas ou mesmo reações químicas indesejadas ou mais intensas do que o esperado”, diz Vichi.
Também não se deve misturar com água sanitária, sob risco de liberação de gases tóxicos.
Já o uso combinado com sabão em pó costuma ser seguro — aliás, muitos produtos os usam juntos em formulações —, mas, de novo, Vichi recomenda sempre conferir as instruções específicas de cada fabricante antes de qualquer combinação.
“E, na dúvida, nunca se deve misturar produtos de limpeza“, orienta.
Cuidados ao guardar
A forma de armazenamento também é decisiva para a segurança. “Deve ser guardado em local fresco e ventilado“, explica o químico.
Esse mesmo mecanismo explica por que calor e umidade são inimigos do armazenamento do produto. Já quando o pó seco é exposto a temperaturas acima de 50-70°C, pode sofrer uma decomposição térmica descontrolada.
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Percarbonato foi proibido pela Anvisa?
Nesta semana, a Anvisa proibiu 12 produtos de limpeza irregulares, incluindo formulações com percarbonato de sódio.
A agência apontou que esses itens não tinham o devido registro sanitário e, oficialmente, eram fabricados por “empresa desconhecida” aos olhos das autoridades brasileiras.
Não foi a primeira vez que algo assim aconteceu: em junho, o “Percarbonato de sódio 99,9%”, da ANS Indústria Ltda., também havia sido banido pela Anvisa.
Mas, tanto no caso dos últimos dias quanto no de dois meses atrás, a situação era a mesma: o problema não é o saneante em si, mas fabricantes que não se adequam às normas sanitárias nacionais.
A medida veio porque, sem se submeter à fiscalização devida, eles não têm como garantir eficácia e segurança de seus produtos.
Portanto, o percarbonato de sódio propriamente dito continua liberado para venda no Brasil, desde que produzido por empresas habilitadas, com registro junto à Anvisa e certificações de procedência e composição
