
Os números apresentados à Justiça também estão incompletos, aponta o laudo. As demonstrações contábeis são apenas prévias, já que os balanços deste ano ainda serão fechados, e Cinelli aponta que obrigações de cashback e antecipações de recebíveis ficaram de fora da relação de credores, além de certidões criminais de administradores vencidas ou pendentes em dezenas de empresas do grupo.
A defesa de Cinelli —que foi afastado do cargo— também contesta quem foi incluído no processo. Fundos de investimento e parcerias de negócios que, segundo Cinelli, não deveriam integrar a recuperação judicial foram colocados na lista, o que colocaria em risco recursos de investidores que a lei manda proteger.
Agora a responsabilidade recai sobre a gestão atual. Assumindo a administração interina desde setembro, os novos gestores terão de responder às exigências da perícia, consolidar as informações contábeis e apresentar os documentos que faltam, delimitando quais sociedades de fato reúnem condições de seguir na ação.
Cinelli alerta para um risco maior: a conversão da recuperação judicial em falência, o que elevaria custos e litigiosidade. Como alternativa, ele defende que o processo passe primeiro por uma negociação conduzida por um mediador entre a administração, os sócios, os credores e os investidores como forma de chegar a um acordo sem depender de uma decisão imposta pelo juiz.
Os advogados de Cinelli afirmam que a crise na empresa pode afetar a imagem do ex-presidente da Apexa Partners. Eles sustentam que “a crise não poderia servir de base para imputações pessoais sem a demonstração concreta de fatos, valores, empresas envolvidas, períodos, contrapartidas e competências decisórias”.
