Petróleo supera US$ 100 pela primeira vez em mais de um mês com aumento das tensões no Oriente Médio

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Petróleo supera US$ 100 pela primeira vez em mais de um mês com aumento das tensões no Oriente Médio


Petróleo volta a superar US$ 100 com escalada das tensões no Oriente Médio
Maryorin Mendez/AFP
O petróleo voltou a superar os US$ 100 nesta quarta-feira (9), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. É a primeira vez em mais de um mês que a commodity atinge esse patamar.
Perto das 9h, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, subia 3,08%, cotado a US$ 100,94 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, tinha alta de 2,79% no mesmo horário, a US$ 95,63o barril.
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A alta dos preços da commodity no mercado internacional acompanha o aumento das preocupações com o fluxo de petróleo no Oriente Médio. O conflito entre os EUA e o Irã já dura seis meses.
Nesta semana, ataques dos Houthis, apoiados pelo Irã, atingiram instalações de energia sauditas e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo.
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Os ataques dos Houthis podem ameaçar os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que se tornou uma importante rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito, cujo fluxo foi severamente reduzido desde o início do conflito.
Após os ataques, um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, sinalizando uma nova escalada do conflito.
De acordo com o Ministério da Energia da Arábia Saudita, algumas instalações no sul do país foram atingidas e tiveram as operações suspensas. Equipes de bombeiros e de emergência foram mobilizadas para controlar os incêndios e avaliar os danos.
“As autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques”, afirmou o ministério em comunicado. Segundo a pasta, serão adotadas medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e a continuidade das operações.
Já na véspera, vários navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária foram atacados pelos EUA. Segundo autoridades americanas, a ofensiva foi uma retaliação a uma tentativa do Irã de atingir um navio da Marinha do país.
De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, cinco embarcações foram destruídas.
Com a escalada das tensões no Oriente Médio, bancos como Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram suas projeções para o preço do petróleo.
Caso essa estimativa se confirme, a expectativa é que a alta do petróleo provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global. Isso poderia levar bancos centrais de diversos países a manter ou elevar as taxas de juros.
Na semana anterior à retomada dos combates, encerrada em 30 de agosto, entre 8 milhões e 9 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) passaram pelo Estreito de Ormuz, o dobro do registrado na semana anterior, segundo o economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, em informações divulgadas pela Reuters. Mais recentemente, esse volume caiu para menos de 2 milhões de bpd.
Embora produtores de petróleo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Estados Unidos, Canadá e Guiana, tenham aumentado a produção, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou no mês passado esperar que a oferta global da commodity caia 4,3 milhões de barris por dia neste ano, o equivalente a cerca de 4%.