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O influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, fez uma aparição pública, neste domingo, 23, pela primeira vez desde que a família revelou o seu diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Lito aparece debilitado e pede que o conteúdo seja compartilhado e que instituições envolvidas em pesquisas científicas sobre a doença sejam marcadas na publicação.
No conteúdo, ele explica que busca uma possível inclusão em estudos que investigam tratamentos experimentais para a DCJ, doença rara, fatal e sem cura, que causa uma rápida deterioração do cérebro.
Com a repercussão do conteúdo, a história do influenciador foi levada para além do público que já o acompanhava e as buscas pelo seu nome alcançaram um aumento de 5.000% em 24 horas, segundo o Google Trends.
Mas, antes de ficar conhecido pela luta contra a doença, Lito construiu uma carreira de mais de três décadas na aviação e se tornou um dos maiores produtores de conteúdo da área no país.
Saiba quem ele é, seu histórico de saúde e quais são os estudos científicos dos quais ele deseja participar:
Quem é Lito Sousa
Joselito Geraldo de Sousa – o Lito – é um mecânico de aviões, com mais de 35 anos de experiência, e piloto. Além disso, ele é dono de um dos maiores canais sobre aviação do Brasil no Youtube, o Aviões e Músicas.
Na plataforma de vídeos, ele soma mais de 3,5 milhões de fãs, além de acumular outros 2,5 milhões no Instagram.
O mecânico ficou conhecido por traduzir a aviação para o público leigo, explicando de forma simples como funcionam os aviões e ajudando passageiros a vencerem o medo de voar.
Em 2022, ele lançou o curso Sem Medo de Voar, voltado aos aerofóbicos (pessoas que têm medo de viajar de avião). O conteúdo, que se tornou um dos carros-chefes, aborda o funcionamento das aeronaves, por que acontecem turbulências e ruídos durante o voo, além das medidas de segurança adotadas.
Ao lado da mulher, a empresária Mila Seidl, o influenciador também criou a Lito Academy, empresa responsável por cursos, palestras e consultorias.
Foi assim que o piloto também se tornou escritor, palestrante e consultor. Entre os seus livros publicados está Onde Morrem os Aviões (Clique para comprar), inspirado em uma experiência profissional na República Democrática do Congo.
Relação com a aviação
Nascido em Natal (RN), Lito começou a trabalhar na área de aviação ainda jovem. Fez um curso técnico da Força Aérea Brasileira (FAB) e se mudou para o estado de São Paulo, fazendo o seu primeiro estágio na Base Aérea de Santos, na área de mecânica.
Depois disso, ele trabalhou por cerca de dez anos na Varig e passou mais de 25 anos na gestão de manutenção da United Airlines, uma das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos e do mundo. Também teve passagem por outras empresas do setor, como a Transbrasil.
Ao longo de mais de 35 anos de carreira, Lito atuou como mecânico de aeronaves, supervisor e especialista em segurança aérea. Em 2021, realizou um sonho: tornou-se piloto, após obter uma habilitação aeronáutica.
No mesmo ano, recebeu do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) o prêmio Destaque SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), concedido a pessoas que contribuem para a cultura aeronáutica e a segurança de voo.
Histórico de diagnósticos
Em julho de 2026, Lito anunciou que havia sido diagnosticado, após um check-up de rotina, com um adenocarcinoma de próstata de agressividade intermediária — um dos tipos mais comuns de câncer de próstata.
Pouco depois, porém, o quadro ganhou um novo capítulo. Lito começou a apresentar sintomas neurológicos, como dormência e perda de movimentos no braço esquerdo.
Foi aí que os médicos passaram a investigar outras possíveis causas para os sintomas, entre elas uma inflamação no sistema nervoso central.
No entanto, nesta semana, sua eposa, Mila Seidl, revelou que novos exames haviam confirmado o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A DCJ é uma condição neurodegenerativa rara e extremamente agressiva. Ela é causada pelo acúmulo anormal de uma proteína chamada príon no cérebro.
Os príons são um mistério para a ciência. Afinal, tratam-se de partículas que causam infecções, mas que não são vírus, bactérias ou fungos, nem mesmo possuem código genético (DNA ou RNA).
Desafiando os padrões da biologia, eles são proteínas presentes no corpo que, por alguma razão, assumiram uma estrutura anormal. Uma vez modificadas, elas podem induzir outras proteínas a fazerem o mesmo, causando uma reação em cadeia.
Os príons vão se multiplicando e se acumulam no cérebro, provocando pequenas bolhas nas células nervosas, que morrem gradualmente. Como resultado, ocorre um quadro chamado de encefalopatia espongiforme que, como o nome sugere, é uma inflamação que dá ao órgão um aspecto esponjoso.
A doença pode avançar rapidamente, provocando perda de memória, alterações de comportamento, dificuldades para falar e perda de movimentos.
Infelizmente, não existe hoje cura nem tratamento comprovado capaz de interromper sua progressão. Quando suficientes células do cérebro apresentam um mau funcionamento, a pessoa adoecida acaba falecendo.
+Leia também: Lito Sousa recebe diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob: entenda a doença cerebral degenerativa
Apelo pela inclusão em pesquisas
Foi nesse contexto que Lito fez o apelo publicado neste domingo. O influencer busca ser avaliado para uma possível participação em pesquisas que investigam novas abordagens contra a DCJ.
A família busca principalmente acesso a estudos experimentais conduzidos no exterior. Entre as pesquisas mencionadas estão os estudos com o medicamento experimental ION717, da Ionis Pharmaceuticals, empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, e a pesquisa PriSM, conduzida por cientistas da Universidade de Harvard e do MIT.
É importante destacar, porém, que essas pesquisas ainda estão em fase de investigação. Nenhuma delas é, até o momento, um tratamento comprovadamente eficaz contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
A PriSM está na fase 1 de estudos, ou seja, realizando seus primeiros testes em humanos. Mas, pesquisas anteriores em animais mostraram uma redução dos níveis da proteína priônica que pôde retardar o início e a progressão da doença, dizem os pesquisadores.
Já o ensaio da Ionis recrutou seus primeiros 56 participantes, para um estudo de fase 1 e 2, em 2024. A pesquisa ainda está em andamento e, segundo a empresa, os resultados só serão divulgados a partir de 2027.
Os dois tratamentos atuam no sistema nervoso central, bloqueando a produção das proteínas priônicas tóxicas, com o objetivo de interromper a progressão dos danos ao cérebro.
Apesar dos pesquisadores não terem respondido publicamente ao apelo até o momento, a mobilização de Lito chegou ao Ministério da Saúde do Brasil.
Após pedidos de internautas para que o governo ajudasse a família na busca por uma alternativa experimental, o ministro Alexandre Padilha afirmou que entrou em contato com instituições internacionais para tentar viabilizar a possível inclusão do influenciador em pesquisas sobre a doença.
