A chegada de José Mourinho abre um novo capítulo no Real Madrid, mas também muda a régua de cobrança dentro do elenco. Em um clube acostumado a conviver com grandes nomes, a troca de comando não representa somente uma mudança de ideias: ela pode redefinir hierarquias, distribuir novas oportunidades e colocar alguns jogadores diante da necessidade de responder rapidamente.
Para cinco deles, a temporada 2026/27 começa com uma questão em comum, ainda que por motivos diferentes: chegou a hora de transformar expectativa em rendimento.
Endrick, Eduardo Camavinga, Arda Güler, Dean Huijsen e Vinícius Junior entram nesse grupo por caminhos distintos. Há quem precise recuperar espaço, quem ainda procure regularidade e quem já seja uma das principais referências do time, mas precise assumir um papel ainda maior.
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O ponto de encontro está justamente na nova era que começa no Santiago Bernabéu: Mourinho terá suas próprias convicções, e ninguém parte com o lugar garantido apenas pelo que fez no passado.
Endrick precisa transformar potencial em presença
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Poucos jogadores chegam a uma temporada com uma situação tão peculiar quanto Endrick. O atacante retorna ao Real Madrid depois de um empréstimo ao Lyon que cumpriu exatamente a função que o clube buscava quando decidiu cedê-lo: jogar mais, ganhar confiança e mostrar que o talento visto no Palmeiras também poderia aparecer em um cenário competitivo europeu.
Foram oito gols e sete assistências em 21 partidas pelo clube francês, números que fortaleceram a percepção de que a passagem pela França foi mais do que uma simples experiência.
A questão agora é o que fazer com esse salto. Endrick volta a um elenco no qual ainda não conseguiu estabelecer uma rotina de minutos. Antes do empréstimo, havia participado de três partidas na primeira metade da temporada 2025/26, depois de uma primeira campanha em Madri na qual marcou sete vezes em 37 jogos, quase sempre entrando durante as partidas.
O cenário atual também não é completamente fechado. O Real Madrid havia indicado anteriormente que contava com o retorno e presença do brasileiro no plantel. Ao mesmo tempo, surgiram novas especulações sobre um empréstimo, justamente porque a questão central permanece: Endrick precisa jogar.
Por isso, a temporada será menos sobre provar que ele tem talento e mais sobre provar que pode ocupar espaço em um dos elencos mais exigentes do mundo. Se Mourinho realmente apostar nele, Endrick terá a chance de transformar o bom período em Lyon em presença efetiva no Real. Caso contrário, a discussão sobre seu futuro voltará rapidamente ao centro do debate.
Camavinga, Güler e Huijsen entre talento e regularidade
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Eduardo Camavinga chega a este novo ciclo em uma posição curiosa. Não há dúvidas sobre suas valências, muito menos sobre a capacidade de atuar em diferentes funções. O francês já ultrapassou a marca de 200 partidas pelo Real Madrid e acumulou títulos importantes desde que chegou ao clube, mas a evolução não foi acompanhada pela regularidade esperada de um jogador de seu nível.
A temporada 2025/26 reforçou essa sensação. Camavinga oscilou, teve problemas físicos e não conseguiu sustentar uma sequência capaz de colocá-lo definitivamente entre os pilares do meio-campo. Em um time que passa por uma nova organização, sua capacidade de conduzir a bola, vencer duelos e oferecer intensidade pode ser valiosa, mas Mourinho também exigirá consistência.
O desafio é transformar um conjunto de recursos reconhecidamente acima da média em atuações confiáveis semana após semana.
Com Güler, a cobrança tem outra natureza. O turco não chega à nova temporada como uma promessa que ainda precisa convencer. Ele terminou 2025/26 com 51 partidas, seis gols e 14 assistências, além de ter sido eleito pela Uefa o Jogador Revelação da Champions League, competição na qual começou 13 dos 14 jogos que disputou.
Ainda assim, a sensação é de que existe espaço para um salto. Güler já mostrou que pode decidir partidas, mas precisa fazer disso uma característica recorrente. O próximo passo é deixar de ser associado aos lampejos de qualidade e passar a ser reconhecido pela sequência. Em outras palavras, transformar momentos brilhantes em uma temporada inteira de influência.
Huijsen, por sua vez, precisa lidar com uma cobrança ligada ao investimento e à posição que ocupa. Contratado por mais de 60 milhões de euros junto ao Bournemouth, o zagueiro teve bons momentos, mas também atravessou oscilações em sua primeira temporada no clube. Os números mostram uma participação relevante: foram 40 partidas, 36 delas como titular.
Seu repertório ajuda a explicar por que o Real Madrid apostou nele. Aos 21 anos, Huijsen combina 1,96m de altura com qualidade para iniciar jogadas e uma capacidade incomum de participar da construção desde trás. Mas a temporada também mostrou os pontos que ainda precisam amadurecer: maior segurança quando pressionado, mais contundência nos duelos defensivos e menos oscilações durante as partidas.
Com Mourinho, a disputa pela zaga tende a ser intensa. Huijsen terá de transformar suas características em confiabilidade, porque talento, sozinho, não garante uma vaga em um setor no qual cada erro pode alterar o resultado de uma temporada.
Vinícius Junior precisa liderar a nova era
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Entre os cinco, Vinícius Junior é o único que não precisa provar que pertence ao mais alto nível. Sua cobrança é outra — e talvez justamente por isso seja a maior de todas.
Aos 26 anos, o brasileiro já acumula 375 partidas e 128 gols pelo Real Madrid, além de 14 títulos. Foi decisivo nas duas últimas conquistas da Champions League do clube, marcando nas finais, e recebeu o prêmio de melhor jogador da última campanha europeia vitoriosa dos merengues.
Mesmo assim, uma nova comissão técnica sempre muda o ponto de partida. Vinícius não precisa simplesmente manter o nível individual; precisa assumir a responsabilidade de ser uma das faces do Real Madrid de Mourinho. Em 2025/26, terminou com 22 gols e dez assistências em 53 jogos, números expressivos, mas que também mostram que sua temporada pode ser julgada por uma régua ainda mais alta.
A chegada de Mourinho, portanto, pode representar uma oportunidade para que Vinícius amplie seu papel. O brasileiro já sabe decidir jogos, enfrentar grandes adversários e aparecer nos momentos mais importantes.
O próximo estágio é exercer influência mesmo quando não estiver marcando ou dando assistência: participar mais da construção, controlar melhor os momentos de uma partida e servir como referência para um elenco que terá jovens buscando espaço e jogadores estabelecidos disputando protagonismo.
