O lucro líquido atribuído à Starbucks somou US$ 1,05 bilhão no trimestre, alta de 87,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado contábil foi impulsionado por um ganho não recorrente de US$ 536,3 milhões com a venda das operações de varejo da Starbucks na China, parcialmente compensado por US$ 302,6 milhões em custos de reestruturação e mais US$ 62,2 milhões em despesas com a própria transação e com um programa de transformação interna. Sem esses efeitos, o lucro por ação ajustado (não-GAAP) foi de US$ 0,85, alta de 70,0% em um ano.
A receita líquida consolidada caiu 1,4% no trimestre, para US$ 9,32 bilhões. Segundo a empresa, o recuo reflete a conversão das operações de varejo da Starbucks na China para um modelo de joint venture licenciada, concluída em abril de 2026, que retirou da consolidação as vendas das lojas próprias no país. Em bases comparáveis, as vendas cresceram 7,9% em todo o mundo, puxadas por alta de 4,2% no número de transações e de 3,5% no tíquete médio. Em moeda constante, a queda da receita foi de 0,8% — efeito cambial pequeno no período.
A margem operacional ajustada avançou 4,3 pontos percentuais em um ano, para 14,4%. Pela métrica contábil, a margem operacional foi de 10,5%, alta de 0,6 ponto percentual. A Starbucks atribui a expansão à diluição de custos com o crescimento das vendas, à menor inflação e a reembolsos de tarifas de importação recebidos no trimestre, que compensaram investimentos em mão de obra ligados ao plano “Back to Starbucks”.
Uma mudança nas regras alfandegárias americanas ajudou o resultado do trimestre. Desde 20 de abril de 2026, o governo dos EUA passou a aceitar pedidos de reembolso de tarifas recíprocas pagas sob a lei de emergência econômica (IEEPA). A Starbucks pediu o reembolso no trimestre e recebeu a quase totalidade do valor solicitado, registrado como redução de custos de produtos e distribuição — o que, segundo a empresa, compensou boa parte das tarifas pagas nos três primeiros trimestres do ano fiscal.
Nos EUA e no Canadá, a receita do trimestre cresceu 6,8%, para US$ 7,40 bilhões, com vendas em alta de 8,1%. Já a receita da divisão internacional recuou 34,2%, para US$ 1,32 bilhão — queda concentrada na China, cujas lojas próprias deixaram de ser consolidadas depois da venda ao fundo Boyu Capital. Mesmo assim, as vendas da divisão internacional cresceram 5,7% no período.
Os investimentos (capex, os gastos da empresa em obras, equipamentos e tecnologia) somaram US$ 887,8 milhões nos nove meses encerrados em 28 de junho de 2026, queda de 52,0% na comparação anual. A empresa usou parte dos recursos da venda da operação chinesa, de US$ 2,54 bilhões, para recomprar cerca de US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida em circulação.
