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Um estudo publicado mais cedo neste ano lançou um alerta sobre possíveis impactos de longo prazo associados ao uso de alguns tipos de adoçante: produtos como a sucralose e a stevia, muito populares na substituição do açúcar, poderiam gerar alterações metabólicas capazes de se manifestar por até duas gerações seguintes na mesma família.
Conduzido por pesquisadores chilenos e difundido em abril deste ano pela revista científica Frontiers in Nutrition, o trabalho observou essas alterações em roedores. Ou seja: não é possível afirmar que esse efeito ocorre também no corpo humano.
No entanto, os achados reforçam que produtos desse tipo precisam de mais estudos do que temos hoje para atestar sua segurança, especialmente quando se pensa no seu uso ao longo da idade reprodutiva.
“O consumo materno [desses adoçantes] durante a gravidez e lactação tem sido associado a um maior risco de partos prematuros e alterações metabólicas na infância,” destacaram os pesquisadores, citando outros trabalhos da área.
Entenda melhor o que eles descobriram.
O que o estudo encontrou
A pesquisa se debruçou sobre os chamados “adoçantes não nutritivos”, conhecidos em inglês pela sigla NNS. Três grupos de camundongos foram submetidos a rotinas diferentes: o primeiro consumiu apenas água, enquanto os demais consumiram água com sucralose ou com stevia.
Para avaliar os impactos nos filhos e netos, esse grupo inicial de roedores depois foi cruzado para produzir uma nova geração e, posteriormente, essa segunda geração também se reproduziu para gerar uma terceira. O ponto central do trabalho é que nenhuma das gerações subsequentes de ratos chegou a consumir os adoçantes. Mesmo assim, parte das alterações observadas no grupo inicial seguiram presentes.
Na 20ª semana de idade, as três gerações foram avaliadas em aspectos como a tolerância à glicose, a expressão de genes ligados à inflamação, à barreira intestinal e o metabolismo hepático, além da composição da microbiota fecal e da concentração de ácidos graxos de cadeia curta produzidos pelas bactérias intestinais.
Em todos os casos, houve alterações que persistiram ao menos na segunda geração. No caso da composição da microbiota, 38% das alterações causadas pela sucralose foram transmitidas até a terceira geração; o número chegou a 54,5% no caso da stevia.
O que falta descobrir
A limitação mais óbvia do estudo é a impossibilidade de extrapolar seus resultados para o corpo humano, já que se trata de uma pesquisa feita especificamente com camundongos.
Os pesquisadores também reconhecem que o desenho do estudo não separa a exposição genética e gestacional da exposição no ambiente pós-natal e durante a lactação. Também não é possível diferenciar o efeito do pai e da mãe sobre as gerações seguintes.
Mas, apesar das ponderações, os achados sugerem que o consumo desses adoçantes (mesmo antes da concepção) tem capacidade de alterar de forma duradoura o metabolismo, a microbiota e a expressão de genes ligados à inflamação por até duas gerações subsequentes em animais.
Mais estudos são necessários para compreender se essas mesmas consequências podem ocorrer em seres humanos (ou como ocorrem).
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