O último compromisso do Liverpool na turnê de pré-temporada pelos Estados Unidos terminou de forma frustrante. Neste domingo (2), no Soldier Field, em Chicago, os Reds fizeram um primeiro tempo dominante, abriram 2 a 0 sobre o Leeds e deram sinais de que algumas das ideias de Andoni Iraola já começam a ganhar forma. Mas bastaram as mudanças promovidas no intervalo para que a equipe perdesse completamente o controle da partida e sofresse uma virada contundente por 4 a 2.
Como costuma acontecer em amistosos de preparação, o placar é apenas parte da história. Muito mais importante do que o resultado foi a diferença gritante entre as duas versões do Liverpool apresentadas em cada tempo.
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O time que iniciou o jogo mostrou intensidade, boa circulação de bola, ocupação inteligente dos espaços e uma conexão promissora. Já a formação da etapa final expôs problemas defensivos, perdeu competitividade no meio-campo e foi dominada pelo Leeds durante todos os 45 minutos.
No meio desse contraste, alguns nomes deixaram motivos para otimismo. Florian Wirtz voltou a dar sinais de que pode desempenhar exatamente o papel imaginado por Iraola, enquanto Trey Nyoni reforçou a impressão de que está pronto para brigar por espaço entre os profissionais. Em contrapartida, a defesa e a organização coletiva após as substituições acenderam um alerta que certamente será tema de discussão antes do início oficial da temporada.
Full-time in Chicago.
Thank you all for your brilliant support during our time in the United States pic.twitter.com/jIgPPfgFWf
— Liverpool FC (@LFC) August 2, 2026
Wirtz confirma, em campo, a função imaginada por Iraola
Se havia curiosidade para entender como Florian Wirtz seria utilizado por Iraola, a atuação diante do Leeds ofereceu mais pistas. Depois de explicar recentemente que enxerga o alemão “atrás de um atacante”, o treinador parece estar moldando o jogador para atuar justamente na faixa central do campo, livre para receber entre as linhas, acelerar as jogadas e, principalmente, atacar a área sem a bola.
Não se trata de um meia preso à criação, mas de um jogador capaz de aparecer como elemento surpresa nas zonas mais perigosas do campo. E foi exatamente assim que nasceu o segundo gol do Liverpool.
A jogada começou com um lançamento preciso de Trey Nyoni para Jeremie Frimpong. Os dois já construíram uma parceria de sucesso nos tempos de Bayer Leverkusen, e a sintonia segue evidente. O lateral avançou em velocidade e cruzou de primeira para Wirtz, que infiltrou na área no momento certo para completar a jogada e ampliar a vantagem dos Reds.
O lance sintetiza muito do que Iraola espera do alemão. Em vez de permanecer distante da área organizando o jogo, Wirtz apareceu onde um meia moderno precisa aparecer: próximo do gol, atacando o espaço e finalizando a construção ofensiva.
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Um primeiro tempo sólido deu lugar a um Liverpool desorganizado e vulnerável
Se ofensivamente o primeiro tempo trouxe boas notícias, a etapa final escancarou problemas que preocupam muito mais. As trocas promovidas por Iraola mudaram completamente o comportamento coletivo da equipe. Naturalmente, amistosos servem justamente para dar minutos ao elenco inteiro, mas a diferença entre as duas formações foi grande demais para passar despercebida.
O Liverpool deixou de controlar a posse, perdeu agressividade na pressão e passou a oferecer espaços generosos entre defesa e meio-campo. Sem conseguir proteger a última linha, viu o Leeds crescer na partida e construir a virada.
A fragilidade defensiva ficou ainda mais evidente pelo modo como os gols aconteceram.
Os dois últimos foram praticamente uma repetição um do outro. Em ambos os lances, o Leeds cobrou laterais diretamente para dentro da área, venceu a primeira disputa pelo alto com uma casquinha e encontrou um atacante livre para apenas completar para as redes.
Sofrer um gol dessa maneira já costuma incomodar qualquer comissão técnica. Sofrer dois, praticamente idênticos, evidencia falhas de posicionamento, comunicação e agressividade defensiva.
É cedo para transformar isso em motivo de preocupação para a temporada, especialmente em um amistoso marcado por inúmeras substituições. Ainda assim, o contraste entre as duas equipes vistas em Chicago mostra que Iraola terá trabalho para encontrar equilíbrio quando recorrer às opções do banco.
Trey Nyoni transforma pré-temporada em cartão de visitas
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Entre os destaques individuais da turnê, poucos chamaram tanta atenção quanto Trey Nyoni. O jovem formado na base do Liverpool aproveitou cada oportunidade na turnê pelos Estados Unidos e consolidou sua candidatura como uma das melhores histórias desta pré-temporada. Contra o Leeds, voltou a demonstrar personalidade rara para alguém de sua idade (19 anos).
Mais do que o passe decisivo na jogada do segundo gol, Nyoni impressionou pela segurança com a bola, pela capacidade de jogar sob pressão e pela elegância para acelerar ou cadenciar as ações conforme o momento da partida exigia.
Não por acaso, sua saída coincidiu com a queda de rendimento do Liverpool. O setor perdeu intensidade, qualidade na circulação e capacidade de controlar o ritmo da partida. Evidentemente, não foi o único motivo para o apagão coletivo, mas a diferença entre o antes e o depois reforça o impacto que o jovem teve enquanto esteve em campo.
