Por Ana Claudia Paixão – Via MiscelAna
Quando se chega a uma certa idade, acumulamos momentos históricos sobre os quais sabemos dizer exatamente onde estávamos, o que fazíamos e como nos sentíamos quando tudo aconteceu. O dia 11 de setembro de 2001 é mais do que uma dessas datas. É o dia em que o mundo mudou.
Eu morava em Nova York. Naquela manhã, uma amiga trabalhava no Wall Street Journal, praticamente ao lado das Torres Gêmeas, e acompanhei pela televisão o que parecia, inicialmente, um acidente incompreensível. Até que o segundo avião apareceu. Vi ao vivo quando atingiu a outra torre. Naquele instante, acabou qualquer dúvida: os Estados Unidos estavam sob ataque.
Tive muita sorte. Conhecia pessoas que estavam lá e todas sobreviveram. Algumas ficaram profundamente traumatizadas e, mesmo 25 anos depois, raramente falam sobre aquela manhã. Mas estão vivas, e isso nunca deixou de ter um peso enorme para mim.
Nova York já conhecia o terrorismo. Em 1993, uma bomba havia explodido na garagem do World Trade Center, numa tentativa de derrubar uma torre sobre a outra. Havia alertas e ameaças, mas ninguém estava preparado para o que aconteceu oito anos depois.
Quase três mil pessoas morreram. Vieram as guerras no Afeganistão e no Iraque, novas políticas de segurança, aeroportos transformados, vigilância ampliada e uma mudança profunda na relação do Ocidente com o medo e o terrorismo.
Quem viveu o mundo antes daquela terça-feira talvez se lembre de uma certa sensação de inocência, ainda que ilusória. Vinte e cinco anos depois, ainda conseguimos apontar para aquele dia e reconhecer uma fronteira muito clara entre o antes e o depois.
