Custo de empréstimo nos EUA atinge maior nível em 19 anos – 29/07/2026 – Economia

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Custo de empréstimo nos EUA atinge maior nível em 19 anos – 29/07/2026 – Economia

Os custos de empréstimo dos Estados Unidos atingiram o nível mais alto desde 2007 depois que o Fed (Federal Reserve) manteve as taxas de juros estáveis nesta quarta-feira (29), reforçando os temores de que o banco central não conseguirá conter o choque inflacionário decorrente da guerra de Donald Trump contra o Irã.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 30 anos saltou até 0,14 ponto percentual, para 5,23%, após a decisão do Fed. A alta sinaliza a preocupação entre investidores de que a disparada dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio possa desencadear um surto duradouro de inflação.

A alta foi a maior desde as repercussões das tarifas globais anunciadas no “dia da libertação” de Trump, em abril de 2025.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, prometeu não “vacilar” na batalha para conter a alta de preços nos EUA, após o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) manter a taxa principal entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva. Ele também argumentou que a alta nos rendimentos dos títulos entre as reuniões de junho e julho do Fed apertou a política monetária.

“Os preços dos mercados financeiros nesse período intermediário não fizeram pausa. Eles reagiram aos dados de inflação em uma direção, ao forte crescimento econômico na outra direção, e as taxas nominais e reais subiram”, disse Warsh em entrevista coletiva após a reunião.

Os mercados previam uma chance de aproximadamente uma em três de que o Fed elevaria as taxas, uma probabilidade que levou alguns investidores a apostar que o banco poderia surpreender com um aumento.

A decisão de manter as taxas inalteradas, combinada com o foco de Warsh nos movimentos do mercado entre reuniões, deixou alguns operadores apreensivos.

“A resposta de Warsh sobre inflação hoje pareceu ser ‘estamos deixando o mercado fazer nosso trabalho por nós'”, disse Lou Brien, estrategista econômico da DRW Trading. “Essa não foi uma resposta boa o suficiente para o mercado.”

Robert Sockin, economista-chefe para os EUA da PGIM, disse que “a maior falha da coletiva de imprensa foi Warsh não explicar por que não aumentaram os juros”.

Ele observou que o salto nos rendimentos dos títulos de longo prazo seria um “verdadeiro motivo de preocupação”, acrescentando: “Eles vão ficar preocupados de estar perdendo credibilidade e vão redobrar a postura hawkish nas próximas semanas”.

As ações americanas caíram acentuadamente com a alta dos custos de empréstimos, deixando o índice S&P 500 em queda de 1,5%. O Nasdaq recuou 2,1%.

A decisão desta quarta teve votos dissidentes de três membros do Fed —Lorie Logan, do Fed de Dallas, Beth Hammack, de Cleveland, e Neel Kashkari, de Minneapolis.

A divergência ocorreu enquanto muitos investidores apostavam que o Fed precisaria aumentar as taxas em breve, quando os preços do petróleo em alta ameaçarem desencadear outra ampla onda de alta nos preços.

Na entrevista pós-reunião, Warsh insistiu que o banco não irá se desviar de seu compromisso de combater a inflação. “Nossa credibilidade depende de cumprir nossos deveres e entregar nossas responsabilidades”, disse ele.

Os preços da gasolina e do diesel dispararam desde a reunião anterior do Fed, em junho, à medida que as hostilidades no Irã se intensificaram, e o tráfego pelo estreito de Hormuz praticamente parou. Trump alertou nesta quarta que daria uma “surra” no Irã após o mais recente ataque a instalações militares americanas.

A guerra também exacerbou os efeitos das tarifas de Trump e do boom da inteligência artificial no aumento das pressões de preços nos EUA.

Warsh insistiu que o banco central está preparado para fazer o que for necessário para trazer a inflação, que bateu 4,1% em maio, para a meta de 2% do Fed —patamar que não é alcançado há mais de cinco anos.

Simon Bowmaker, professor de economia da NYU, disse que Warsh enfrenta um “grande desafio” nos próximos meses, à medida que a divisão se aprofunda entre os formuladores de política sobre se e quando aumentar as taxas.

“Todo presidente do Fed é testado em algum momento —e estou tendo a impressão de que Warsh será testado mais cedo do que tarde.”