Celibato voluntário: por que tanta gente está escolhendo?

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Celibato voluntário: por que tanta gente está escolhendo?

Os aplicativos de namoro foram desenhados por e para millennials (nascidos entre 1981 e 1996), no auge da promessa digital e móvel: o mundo inteiro na palma da mão, opções infinitas, o algoritmo trabalhando por você. Foi a geração que acreditou que mais escolha significava mais chance de acertar.

A geração Z herdou essa cultura pronta, só que não se reconhece nela. Cresceu vendo o modelo funcionar mal e está fazendo o movimento contrário: voltando para o offline. Por isso nunca se falou tanto de clube de corrida, Hyrox, grupo de leitura, igreja, retiro, aula de cerâmica… Lugares onde você conhece gente que já compartilha um estilo de vida, em vez de descobrir isso na terceira mensagem.

Nas redes, essas escolhas ganharam nome e estética: o primeiro é o monk mode (“modo monge”), que celebra o foco absoluto em si mesmo; o segundo é o boysober, que defende o detox de homens justamente como reação aos ghosting (“sumiços”) e às situationships (“rolos sem rótulos”) que não vão a lugar nenhum. Nenhum desses movimentos é sobre odiar o outro: são sobre exaustão.

Nada disso é novidade para quem leu Barry Schwartz. No livro “Paradoxo da Escolha” (2004), o psicólogo mostrou uma coisa contraintuitiva: mais opções não nos deixam mais livres, nos deixam paralisados. E, pior, mais insatisfeitos. Porque cada escolha carrega a sombra de todas as que ficaram para trás.

Pense naquele restaurante de cardápio gigante, com dezenas de páginas plastificadas e centenas de pratos. É angustiante. Você folheia, hesita, pede qualquer coisa e ainda fica na dúvida se o prato da mesa ao lado não seria melhor. Agora imagine um restaurante com menu de uma folha, seis pratos que são a especialidade da casa mais a sugestão do chef. Você escolhe em trinta segundos, come em paz e vai embora satisfeito. A curadoria fez o trabalho pesado por você.

Os aplicativos de namoro são o cardápio de mil páginas. Sempre há mais alguém deslizando na tela, sempre existe a possibilidade de que a próxima foto seja melhor. E é justamente essa possibilidade infinita que impede qualquer escolha de parecer definitiva. O Celibate, e todo o movimento em volta dele, é o menu de uma folha. É gente pedindo, em alto e bom som: ‘por favor, me deem menos opções’.