Ambiente internacional também é obstáculo para a redução da taxa Selic. Vale afirma que a guerra entre Irã e Estados Unidos, que elevou o preço do petróleo, o El Niño, que vai elevar o preço dos alimentos no segundo semestre, são fatores decisivos que impedem o corte mais efetivo dos juros,
O Banco Central olha tudo isso: pressão fiscal, guerra no Oriente Médio e El Niño e vê um ciclo de pressão inflacionária muito grande. Os juros acabam tendo que ficar elevados por mais tempo do que a gente gostaria, e o varejo já está sentindo excepcionalmente com mais intensidade neste ano.
Sérgio Vale
Crise impulsiona pedidos de recuperação judicial entre as grandes varejistas. Os dois casos mais recentes envolvem os grupos Casas Bahia e Marabraz, que solicitaram a intervenção ontem. Eles unem às outras 986 empresas do setor que seguiram pelo mesmo caminho no primeiro semestre, alta de 20,4% em relação ao total de pedidos efetivados no mesmo período do ano passado. “Acho que essa vai ser a tônica do segundo semestre e até 2027”, prevê Vale.
Para Vele, demissões e desaceleração econômica não vão estimular corte dos juros. O economista avalia que os eventos adversos são mais letais na missão do BC de utilizar a política monetária para segurar os preços. “Inflação cheia é muito sensível a combustível, é muito sensível aos preços de energia e alimentos. A gente tá falando de uma inflação que não sai ali do teto, em 4,5%”, diz ele.
Concorrência
Disputa entre os marketplaces agrava a situação das varejistas digitais. Sérgio Vale entende que a proliferação dos sites de vendas internacionais prejudica principalmente as redes com baixa presença no ambiente virtual. “Você pega Magazine Luiza, Mercado Livre, que têm obviamente uma presença digital muito mais intensa, acabam se saindo relativamente melhor”, avalia.