Americanas: Bancos omitiram dívida em ofertas de ações, diz MPF

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Americanas: Bancos omitiram dívida em ofertas de ações, diz MPF

O documento cita o relato do delator Fábio Abrate aos procuradores, segundo o qual os bancos tinham interesse no sucesso das ofertas de ações, pois ganhavam uma comissão em cima do volume financeiro captado. Durante anos, Abrate foi o executivo das Americanas responsável pelo contato com os bancos. O documento do MPF traz ainda trocas de mensagens e emails em que Abrate trata do tema com seus interlocutores nas instituições financeiras.

A dívida em questão era referente a operações de risco sacado. O risco sacado é uma operação financeira na qual um banco adianta pagamentos a fornecedores de uma empresa, e ela passa a ter uma dívida com o banco. Segundo as investigações, as Americanas não reportaram essa dívida de forma devida ao mercado e usaram essa operação para esconder um rombo bilionário na empresa, caracterizando uma fraude financeira.

O MPF destaca que seis bancos tinham operações de risco sacado com as Americanas e participaram das operações de follow-on da companhia. São eles: Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Safra (apenas em 2020) e BTG. As operações que eles tinham com as Americanas deveriam então ser informadas ao mercado.

Procurado, o Itaú disse que as operações são legítimas e que, no caso das Americanas, “as divergências técnicas tratavam estritamente da classificação contábil dessas operações —como passivos financeiros ou fornecedores—, e não do seu encobrimento, fruto da fraude cometida pela administração da empresa à época” (leia mais abaixo).

O Santander disse que “foi vítima das fraudes cometidas na Americanas e repudia qualquer tentativa de associar discussões técnicas sobre reportes contábeis à fraude ocorrida na companhia”. Em nota, o Banco do Brasil ressalta que a empresa e seus executivos atuam com base na transparência, responsabilidade, obediência à regulação e diálogo com todos os públicos de relacionamento, adotando os mais altos padrões de governança corporativa.

Bradesco, BTG e UBS (dono do Credit Suisse) não comentam. O Safra não respondeu.