O novo mapa-múndi é uma nova forma de representar a superfície terrestre com base em uma projeção cartográfica que mantém a proporção entre a área dos países e dos territórios, chamada Equal Earth. Seu uso foi aprovado por meio de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2026, após uma ampla campanha liderada por Togo, país da África Ocidental, e pela União Africana. Dos 165 países que votaram, apenas os Estados Unidos foram contrários. Além disso, houve 6 abstenções.
A resolução da ONU não proíbe o uso do mapa-múndi anterior, confeccionado a partir da projeção de Mercator, mas, sim, incentiva a adoção de uma representação justa da superfície da Terra, mostrando os territórios de maneira mais precisa, isto é, próxima da realidade.
Leia também: Mapa-múndi ou mapa do mundo — detalhes sobre o mapa que representa todo o planeta Terra
Tópicos deste artigo
Resumo sobre o novo mapa-múndi
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O novo mapa-múndi é uma atualização do mapa-múndi de Mercator.
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Foi feito com o objetivo de diminuir as distorções no tamanho dos continentes e de apresentar uma representação mais justa da superfície terrestre.
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Partiu de um projeto lançado por Togo, país da África Ocidental, que recebeu apoio das demais nações do continente por meio da União Africana.
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O mapa foi aprovado mediante uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) votada em setembro de 2026. Dos votantes, os Estados Unidos foram contrários, e seis países abstiveram-se.
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O Brasil foi um dos 164 votos favoráveis ao novo mapa-múndi.
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A projeção utilizada no novo mapa-múndi é chamada Equal Earth (Terra Igual) e busca manter as proporções das áreas representadas.
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O que mudou no novo mapa-múndi foi o tamanho dos países e dos territórios mais distantes da Linha do Equador, com redução de áreas como:
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América do Norte;
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Groenlândia;
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Norte da Ásia;
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Antártica.
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América do Sul e África aparecem mais alongadas, fazendo com que o Brasil pareça maior do que no mapa produzido com a projeção de Mercator.
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) produziu um mapa-múndi “invertido”, reforçando a importância de conhecer as convenções cartográficas e buscando afastar a visão eurocentrista de mundo estabelecida em mapas antigos.
O que é o novo mapa-múndi?
O novo mapa-múndi é uma atualização do mapa-múndi de Mercator, confeccionado no século XVI, que busca diminuir ao máximo as distorções de tamanho das áreas representadas.
A nova versão do mapa-múndi partiu da campanha Correct The Map (Corrijam o Mapa) iniciada por Togo, país da África Ocidental, e que teve o total apoio da União Africana. O continente é um dos que mais teve a sua área distorcida na representação de Mercator, aparecendo praticamente do mesmo tamanho que a Groenlândia, território que é, na verdade, quase 14 vezes menor do que a África.
A adoção do novo mapa-múndi foi apresentada oficialmente por meio de uma resolução votada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 4 de setembro de 2026, obtendo o seguinte placar:
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Votos favoráveis: 164, incluindo o Brasil.
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Votos contrários: Estados Unidos.
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Abstenções: Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia.
É importante ressaltar que a resolução da ONU não proíbe o uso do mapa de Mercator, que é o mais conhecido internacionalmente até o momento. Seu objetivo é incentivar o uso do novo mapa-múndi em diferentes contextos, sobretudo político e acadêmico, de maneira a exibir uma representação que seja mais próxima da realidade e que preserva as proporções entre os continentes.
Ademais, devemos lembrar que os mapas são frequentemente utilizados como instrumentos políticos que podem impactar nossa visão e nossa compreensão de mundo. A implementação de um mapa-múndi com menos distorções é uma forma de tornar mais justa e mais equalitária a maneira como enxergamos o espaço em que vivemos.
Como é o novo mapa-múndi?
O novo mapa-múndi é feito com uma projeção chamada Equal Earth (Terra Igual), desenvolvida por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. Essa projeção é do tipo pseudocilíndrica, com paralelos formando linhas retas e meridianos curvados, com exceção do Meridiano de Greenwich, e apresenta menores distorções com relação à área dos países e continentes. Dessa maneira, as proporções entre eles são mais precisas do que projeções como a de Mercator, por exemplo, que é do tipo cilíndrica.
A projeção empregada na confecção do novo mapa-múndi traz um resultado que é semelhante ao mapa feito com a projeção de Robinson, que é adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parte de seus produtos cartográficos. Observe, abaixo, o novo mapa-múndi:

Confira também: Quais são as principais projeções cartográficas?
O que mudou no novo mapa-múndi?
A seguir, apresentamos o que muda no novo mapa-múndi com relação ao mapa de Mercator:
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O tamanho dos territórios e a proporção entre eles. No novo mapa-múndi, os tamanhos foram corrigidos, motivo pelo qual:
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países da América do Norte, a Groenlândia, a Europa, o norte da Ásia e a Antártica aparecem menores;
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a África, a América do Sul e o Sul e Sudeste Asiáticos aparecem alongadas;
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a Austrália está mais estreita.
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Os meridianos aparecem levemente curvados, diferente do mapa de Mercator, deslocando a posição das terras emersas.
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Manutenção do formato e do tamanho dos continentes, com distorção das distâncias.
Importante: Não se esqueça de que todas as projeções cartográficas, sem exceção, apresentam distorções. Isso acontece porque a Terra é esférica, tornando difícil a transposição de suas feições para uma superfície plana de maneira exata. Por isso, opta-se por utilizar aquela projeção com menores distorções, ou cujas distorções não afetem um aspecto em específico, como o tamanho dos continentes, a área representada ou as distâncias.
O Brasil cresceu no novo mapa-múndi?
O Brasil aparece maior no novo mapa-múndi em comparação com o mapa de Mercator, e a “culpa” é da projeção cartográfica. A projeção utilizada para a elaboração do novo mapa-múndi é chamada Equal Earth e tem como principal característica a manutenção das proporções entre as áreas dos países e dos continentes. Diferente dela, a projeção de Mercator distorce os tamanhos das áreas mais afastadas da Linha do Equador, tornando o Brasil menor comparativamente a outros territórios, como a Groenlândia, principal exemplo quando falamos nas distorções apresentadas pela projeção de Mercator.
A área total da Groenlândia é de 2.166.086 km², enquanto o território brasileiro tem 8.509.360 km², ou seja, é quase 4 vezes maior. Apesar disso, no mapa produzido com a projeção de Mercator, ambos aparecem com tamanho semelhante. Ao contrário, na projeção Equal Earth, a diferença é perceptível.
Mapa-múndi invertido
Em 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um conjunto de mapas que, além de trazer o Brasil no centro, mostra os continentes “invertidos”. À primeira vista, o mapa-múndi causa estranhamento, passando uma ideia de estar tecnicamente incorreto. Contudo, quando tratamos na representação da superfície terrestre em um plano, devemos ser cautelosos quanto à nossa concepção de certo ou de errado.
A Terra tem formato de geoide, bem próximo de uma esfera, e não possui uma orientação pré-definida. Isso significa que, ao observarmos nosso planeta de fora, no espaço, podemos muito bem ver a Antártica na parte superior da esfera e o Ártico na parte inferior. Essa alternância, contudo, não muda a localização do Norte Geográfico e do Sul Geográfico. Então, a posição do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul em um mapa está mais relacionada com a ideia por trás da representação cartográfica e do uso correto das chamadas convenções cartográficas, e menos relacionada com a sua orientação no plano reduzido.
O mapa-múndi invertido reforça a importância de saber ler e interpretar todos os elementos de um mapa. Nesse caso em específico, a rosa dos ventos é o principal deles. Observe onde esse elemento está no mapa abaixo e veja a posição de cada um dos pontos cardeais. Perceba que nenhum deles foi alterado: o sul continua apontando para o sul geográfico, o norte continua apontando para o norte geográfico, e assim sucessivamente. Apenas a maneira de representar o mundo mudou.

Os mapas podem ser entendidos como um tipo de ferramenta que comunica informações que vão muito além do que está à vista em primeiro plano. Eles refletem um contexto político e social da época em que foram produzidos, além de traduzirem a visão de um indivíduo ou de um grupo responsável pela sua encomenda e/ou produção. No mapa-múndi invertido, a representação do Hemisfério Sul na parte superior e do Brasil no centro coloca em evidência a América do Sul e os países do chamado Sul Global, que são nações emergentes e subdesenvolvidas. Ele desafia uma visão eurocêntrica de mundo que foi estabelecida a partir de projeções cartográficas antigas, criadas durante o período das Grandes Navegações, como a de Mercator.
Como é a projeção de Mercator?

A projeção cartográfica de Mercator é empregada em muitos dos mapas e dos produtos que se tornaram comuns no nosso dia a dia, como aplicativos e GPS. Essa projeção foi elaborada no ano de 1569 pelo cartógrafo Gerhard Mercator e foi fundamental para o cálculo de distâncias no período das Grandes Navegações.
Ao mesmo tempo que mantém o formato dos continentes, distorce o tamanho que possuem. É uma projeção cilíndrica tradicional, com paralelos e meridianos formando linhas retas que cruzam entre si em ângulos de 90º. As terras mais distantes da Linha do Equador sofrem maior distorção de área, o que pode ser observado no intervalo entre os paralelos, que é maior nas latitudes mais elevadas.
Fontes
Correct The Map. Disponível em:
Equal Earth. Disponível em:
ESRI. Projeção de mapa pseudocilíndrico. Dicionário GIS – ESRI, [s.d.]. Disponível em:
FERREIRA, Luiz Cláudio. Novo mapa-múndi corrige tamanho da África, América do Sul e Ásia. Agência Brasil, 5 set. 2026. Disponível em:
REDAÇÃO. Por que Brasil ‘cresceu’ em novo mapa aprovado pela ONU. BBC, 5 set. 2026. Disponível em:
REDAÇÃO. UN tells the world: Stop making Africa look small. UN News, 4 set. 2026. Disponível em:
UNData. Disponível em:
ZOCCHI, Paulo. O que o mapa-múndi invertido do IBGE nos ensina para o Enem. Guia do Estudante, 4 nov. 2025. Disponível em:
