
Ler Resumo
Durante muito tempo, a preocupação das famílias com a tecnologia esteve ligada ao tempo de tela utilizadas pelos pequenos. Hoje, surge uma nova questão: como a inteligência artificial participa da aprendizagem e do desenvolvimento de crianças e adolescentes?
A IA já faz parte da rotina de muitos estudantes. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos utilizaram essas ferramentas. Entre eles, 59% usam IA para pesquisas escolares ou estudos.
O uso começa cedo: 42% das crianças de 9 a 10 anos já experimentaram ferramentas de inteligência artificial. Entre 13 e 14 anos, esse índice chega a 75%.
A discussão já não é apenas se as crianças devem usar ou não a IA, mas como ensiná-las a utilizá-la de forma crítica e responsável.
A tecnologia pode apoiar o aprendizado, mas não deve substituir o processo de pensar. Na infância e adolescência, habilidades como planejamento, memória de trabalho e resolução de problemas ainda estão em desenvolvimento. Ler, pesquisar, errar e tentar novamente também fazem parte da construção do conhecimento.
Como ensinar o uso crítico e responsável da tecnologia
Por isso, a mediação de pais e educadores é essencial nesse processo. Crianças e adolescentes podem ser incentivados a comparar fontes, verificar informações para não caírem em fake news e explicar com suas palavras o que compreenderam. A IA deve ser um apoio e não substituta da curiosidade e do pensamento crítico.
Outro ponto de atenção é o uso da inteligência artificial para questões emocionais. A TIC Kids Online Brasil 2025 mostra que 10% dos usuários de 9 a 17 anos já recorrem à essa tecnologia para conversar sobre problemas pessoais ou discutir suas emoções. Essas ferramentas podem oferecer informações, mas não substituem vínculo, acolhimento, escuta qualificada ou acompanhamento profissional.
O papel da família e da escola nesse novo cenário
Nesse cenário, o papel da família também muda. Se a tecnologia oferece respostas em segundos, cabe aos adultos incentivar e apoiar as crianças a se questionarem: “De onde veio essa informação?”, “Ela está correta?” e “O que eu penso sobre isso?”. Além disso, a família precisa estar atenta nas atitudes das crianças e adolescentes, para que possam dar esse acolhimento e, procurar um especialista, caso haja necessidade.
A escola também participa desse processo, fortalecendo educação digital, ética e alfabetização em inteligência artificial. A IA pode ampliar o acesso à informação e criar novas formas de aprender. O desafio é garantir que crianças e adolescentes continuem desenvolvendo autonomia, empatia, criatividade, senso crítico e capacidade de transformar informação em conhecimento.
Em um mundo com respostas cada vez mais rápidas, saber fazer boas perguntas será essencial para aprender, crescer e construir um futuro que começa com uma infância saudável.
