A saída da Petrobras do segmento de distribuição, entre 2019 e 2021, também enfraqueceu a regulação desse mercado. “A privatização da BR Distribuidora reduziu a presença direta da Petrobras nesse elo da cadeia e, consequentemente, restringiu a incidência do poder público sobre a formação dos preços”, diz o economista Iago Montalvão, pesquisador do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
O aumento das margens ocorre apesar dos R$ 37,5 bilhões em subsídios e corte de tributos. Na quarta (9), o governo reduziu os tributos federais sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e autorizou um subsídio de R$ 1 por litro para o diesel rodoviário em regras que duram até outubro, mês da eleição.

Para Dantas, os subsídios também são influenciados pela política. “Eu acho que tem relação com a eleição [presidencial deste ano], claro”, diz ele com a ressalva de que “vários países estão fazendo isso desde o início da guerra”. A política de subsídios, iniciada em março, impediu que o Brasil sofresse aumentos como nos Estados Unidos, onde a alta foi superior a 50%, completa Dantas, que foi economista do Observatório Social Petrobras.
Relatório de quarta-feira (9) do Itaú BBA informa que a estatal mantém os preços do diesel e da gasolina com defasagem em relação ao mercado internacional. A diferença de 28% e 21%, respectivamente, equivale a um desconto de R$ 1,28 por litro para o diesel e de R$ 1,18 para a gasolina. Enquanto a Petrobras vende o diesel a R$ 3,30 e a gasolina a R$ 4,42, os preços de paridade calculados pelo banco deveriam ser de R$ 4,58 e R$ 5,60, impedindo a estatal de gerar R$ 900 milhões em caixa por mês.
O setor diz que o aumento do frete e a importação de parte do combustível (mais caro lá fora) aumentou os custos. Procurada, a Associação Brasileira das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) atribuiu a formação de preços a “uma questão estratégica de negócios de cada distribuidora associada e inclui diversos fatores, entre eles a logística, sem nenhuma interferência da Brasilcom, até por questão de compliance”, diz em nota.
