O Fantasma da Ópera é um romance escrito por Gaston Leroux e publicado pela primeira vez em formato de folhetim entre 23 de setembro de 1909 e 8 de janeiro de 1910 e como obra completa em abril de 1910. Grande clássico da literatura mundial, esse foi o quinto livro lido pelo Clube do Livro Brasil Escola, escolhido por meio da votação de nossos leitores em uma batalha de repescagem envolvendo outros três livros que já estiveram em batalhas anteriores: Corte de espinhos e rosas (batalha de abril), de Sarah J. Maas, Jogos Vorazes (batalha de maio), de Suzanne Collins, e Melhor do que nos filmes (batalha de julho), de Lynn Painter. A seguir, você confere a resenha da obra e descobre o que nós, mediadoras do clube, achamos da leitura!
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Vale a pena ler O Fantasma da Ópera?
Sim, com certeza vale a pena ler O Fantasma da Ópera. Como professora de Português, sou uma grande defensora da leitura de livros clássicos, e esse livro de Gaston Leroux é um grande clássico da literatura mundial, além de uma obra que evidencia as principias características da literatura gótica.
Por meio de uma narrativa que apresenta mistério e suspense policial, o autor instigou os leitores entre 23 de setembro de 1909 e 8 de janeiro de 1910 a partir da seguinte frase inicial: “O fantasma da Ópera existiu.” |1|, criando uma história de ficção que por meses permeou a sociedade francesa.
Vale a pena ler o livro mesmo se você já assistiu aos filmes, às minisséries ou ao musical, uma vez que a obra é mais detalhada e aborda de forma mais profunda os mistérios que envolvem o terror gótico. Nesse contexto, temos a Ópera de Paris como importante cenário, e a escrita do autor nos conduz a uma leitura em que o real e o sobrenatural se confundem nesse ambiente.
Para além disso, como um clássico, o livro mostra como diversos temas são atemporais e, por isso, atravessam diferentes épocas, tais como a solidão, a rejeição, a preocupação com a aparência, a obsessão, o amor, a necessidade de pertencimento e toxicidade de relacionamentos, entre tantos outros.
Além disso, a obra também evidencia a forma como a mulher era vista na sociedade da época. Sendo assim, é um livro que promove reflexões em diversos sentidos, entre os quais a expectativa que se tem em relação às mulheres, além da forma como uma mulher é descrita por um escritor homem e as implicações que isso tem na narrativa que é apresentada.
O Fantasma da Ópera é a obra de maior sucesso de Gaston Leroux e é um daqueles livros que é preciso ler para compreender toda uma época. Vale a pena a leitura!
O que você vai encontrar em O Fantasma da Ópera?
O Fantasma da Ópera é um romance que apresenta características do terror gótico e do suspense policial, integrando a literatura gótica. Publicado primeiramente no formato de folhetim no jornal Le Gaulois entre 23 de setembro de 1909 e 8 de janeiro de 1910 e como obra completa em abril de 1910, a obra apresenta um triângulo amoroso complexo e conturbado e seus desdobramentos.
No preâmbulo, Gaston Leroux inicia o texto com a frase “O fantasma da Ópera existiu.” |2| A partir disso, ele nos conta que vai relatar tudo o que suas investigações lhe permitiram descobrir a respeito dessa figura tão presente na Ópera de Paris. Sendo assim, o pano de fundo da narrativa é o Palais Garnier, novo prédio da Ópera de Paris cuja construção foi finalizada em 1875. A seguir, o prédio em questão:
A obra começa com o narrador explicando os métodos que utilizou na investigação realizada sobre a figura do Fantasma da Ópera, lenda cujos fatos sobre os quais nos fala teriam ocorrido 30 anos antes. Nesse processo, fez estudos e entrevistas e pesquisou na Biblioteca-Museu da Ópera de Paris.
O narrador nos conta que investigou os acontecimentos relacionados ao desaparecimento de Christine Daaé, ao desaparecimento de Raoul e à morte do Conde Philippe de Chagny. Nesse primeiro momento da obra, não entendemos o que esses fatos significam ou qual importância possuem para a narrativa.
Ele afirma, ainda, que encontrou provas físicas da existência do Fantasma, uma vez que, durante escavações realizadas no subsolo da Ópera de Paris, um cadáver foi descoberto, o qual seria dele. É a partir de toda essa apresentação que embarcamos na narrativa, intrigados com essa figura profundamente ligada à parte do universo artístico francês.
Na noite de despedida dos diretores Debienne e Poligny, as bailarinas conversam sobre terem visto o Fantasma. Ele, então, nos é apresentado conforme foi descrito por Joseph Buquet, o chefe dos maquinistas, que disse ter ficado cara a cara com ele. Conforme a descrição feita pelo maquinista, o Fantasma da Ópera seria assim:
Relata-se, também, que o Fantasma teria sido avistado por outras pessoas, como um tenente do Corpo de Bombeiros, mas, em sua descrição, essa figura teria uma cabeça de fogo e não teria corpo. O narrador evidencia que diversos são os relatos sobre suas aparições, mas o que ninguém questiona, sem dúvidas, é a existência do Fantasma.
Nesse momento da narrativa, somos surpreendidos com a notícia de que Joseph Buquet foi encontrado enforcado no terceiro subsolo dos palcos. Todos logo colocam a culpa dessa morte no Fantasma da Ópera, e a notícia sobre o acontecido rapidamente espalha-se. O narrador nos conta que a causa foi apontada como suicídio, sem uma investigação mais aprofundada sobre o assunto.
A noite em questão é a noite de estreia de Christine Daaé como Margarida, de Fausto, substituindo Carlotta. E acontece o inimaginável: ela canta como nunca antes, surpreendendo absolutamente todos! É nesse momento também que conhecemos Raoul, Visconde de Chagny, irmão do Conde de Chagny e amigo de infância de Christine.
Após cantar de forma encantadora, Christine desmaia, e Raoul vai atrás dela em seu camarim. Ela acorda com ele e o médico ao seu lado, mas nesse momento ela não o reconhece. Christine diz que quer ficar sozinha e manda todos saírem. Eles saem. Raoul, no entanto, fica por perto. Ao aproximar-se do camarim, escuta uma voz de homem dizer: “Christine, precisa me amar!” |3|, ao que Christine responde: “Como pode me dizer isso? Eu, que canto apenas para o senhor!” |4|. Enfurecido, Raoul espera ela sair e entra no camarim para ver com quem ela estava falando, mas não há ninguém, o que o deixa bastante intrigado.
No jantar de despedida dos diretores Debienne e Poligny e de recepção dos novos diretores da Ópera de Paris, os senhores Armand Moncharmin e Firmin Richard, os antigos diretores chamam os novos para explicar que alguém que se apresenta como “o Fantasma da Ópera” vem fazendo exigências à administração, e que é preciso segui-las. As principais exigências são o pagamento do valor de 20.000 francos por mês ou de 240.000 francos por ano, além de que o camarote nº 5 deve ficar à sua disposição em todas as apresentações.
Moncharmin e Richard pensam que isso só poderia ser uma brincadeira de Debienne e de Poligny, que estão de partida, e não levam a sério nada do que é dito. No entanto, os antigos diretores reforçam que o que estão dizendo não é uma brincadeira e que, sempre que atendem aos desejos do Fantasma da Ópera, eles não enfrentam problemas. Os novos diretores continuam sem acreditar e, por fim, decidem alugar o camarote nº 5.
Já como novos diretores da Ópera de Paris, Moncharmin e Richard recebem uma carta do Fantasma da Ópera manifestando descontentamento com as decisões que estão tomando de ignorar suas exigências. Continuam não levando a sério e, imaginando serem os antigos diretores querendo estar na Ópera, enviam uma carta convidando-os para acompanharem o espetáculo da noite no camarote nº 5. Eles, então, recebem no dia seguinte nova carta do Fantasma lembrando-os do pagamento e uma carta dos antigos diretores dizendo que o camarote nº 5 pertence apenas ao Fantasma.
O camarote nº 5 é alugado, mas seus ocupantes desocupam o local logo que o ocupam, pois escutam uma voz, apesar de não haver ninguém. Mãe Giry (mãe da pequena Giry, a pequena Meg), a encarregada, informa-os de que é o Fantasma da Ópera e relata-lhes várias outras aparições dele. Eles a demitem e decidem ir ao camarote.
Nesse momento da narrativa, voltamos à Christine, que parece fugir dos palcos após seu retorno de sucesso. Apesar de ter sido muito elogiada, ela passa a evitar apresentações e a recusar convites. Descobrimos que ela vai visitar o túmulo de seu pai em Perros-Guirec e que ela, na verdade, fingiu não reconhecer Raoul, pois envia uma carta a ele para que a encontre. É então que conhecemos sobre a infância dos dois e sobre a relação de Christine com a música na figura de seu pai.
Christine e Raoul encontram-se, e ela admite para ele que não só o reconheceu, como também que já o havia visto outras vezes na Ópera. Ao contar para ela que ouviu o que foi dito em seu camarim, ela foge dele e o deixa para trás. Também é nesse momento que descobrimos que ela acredita que a voz que escuta em seu camarim é do Anjo da Música, o qual seu pai lhe disse que enviaria para ajudá-la após sua morte. Também descobrimos que eles ouviram ser tocado lindamente o instrumento que era tocado pelo pai de Christine em vida, e que, após ela ir embora, Raoul é encontrado quase morto após perseguir uma sombra, sem saber bem o que houve.
Na Ópera de Paris, Moncharmin e Richard continuam tentando descobrir como o Fantasma consegue ocupar o camarote nº 5 sem ser visto. Na visita ao local, não encontram nada de estranho e continuam acreditando que estão brincando com eles. Os novos diretores recebem uma nova carta do Fantasma, que exige a presença de Christine como protagonista em Fausto, no lugar de Carlotta, e o retorno de mãe Giry. No entanto, apresentam a peça e não obedecem às exigências. Carlotta, que havia recebido uma carta do Fantasma informando-a para não comparecer, também ignora para não dar visibilidade à Christine, que triunfou em sua ausência.
É então que começa uma das cenas mais famosas do livro. A apresentação de Carlotta transforma-se em um desastre, uma vez que, sem que se saiba como, algo acontece com sua voz, e ela passa a coaxar como um sapo. A cena não acaba por aí! Logo após ouvirem no camarote a voz do Fantasma dizer a seguinte frase: “Ela está cantando hoje como se fosse fazer o lustre vir abaixo.” |5|, o lustre de fato cai, matando a encarregada contratada para substituir mãe Giry. A imagem a seguir ilustra todo esse momento:
Depois desse dia, Carlotta não volta à Ópera de Paris, e Christine desaparece. Ninguém a vê por 15 dias, nem mesmo Raoul, que fica desesperado. Ele, inclusive, vai atrás da senhora Valérius, que cuida dela desde o falecimento de seu pai. A senhora conta a ele que Christine falou sobre ele com ela, mas que, nem se ela quisesse, poderia se casar com ele, uma vez que o “gênio da música” |6| não permite que ela se case, dizendo que, se isso acontecer, ele vai desaparecer. Isso é inimaginável para Christine, pois, conforme a senhora conta, o Anjo da Música está dando aulas a ela.
À noite, ao sair para jantar com seu irmão, o Conde de Chagny, Raoul vê passar uma carruagem em que ele vê Christine. Logo esquece todos os pensamentos ruins que sentiu por ela ao longo do dia, chama e grita seu nome, mas não há resposta; o vidro da carruagem é fechado, e ela vai embora. Raoul entra em estado de desânimo, e é quando ele recebe uma carta de Christine, convidando-o para um baile de máscaras na Ópera. Isso é o suficiente para ele voltar a ter esperança.
Raoul vai ao baile de máscaras vestido de dominó branco, e Christine está vestida de dominó preto. Lá, ele percebe uma figura com trajes vermelhos e uma máscara de caveira, a Morte Vermelha. Christine tenta impedir Raoul de ir atrás dessa pessoa, e ele acredita que Christine está apaixonada por outro homem e que o está enganando. Eles discutem.
Raoul esconde-se no camarim de Christine e a observa entrar. Logo depois, escuta Christine murmurar: “Pobre Erik!”|7|, incomodando-se por ela não dizer “Pobre Raoul!”|8| e ouvindo pela primeira vez o nome do Anjo da Música. Ele também a escuta conversando com a voz, apesar de não ver ninguém no camarim.
De repente, Christine caminha em direção ao espelho e desaparece. Ele sai do seu esconderijo e procura por ela em todos os lugares do camarim, mas não a encontra em lugar nenhum. Fica desesperado e questiona-se: “Quem é Erik?”|9|
No dia seguinte, Raoul vai à casa da senhora Valérius e encontra Christine ali, tranquila, como se nada tivesse acontecido. Ele conta à senhora Valérius que acredita que Christine está em perigo e que um homem está tentando enganá-la, e Christine nega. Nesse momento, Raoul percebe o anel de ouro que ela está usando e pergunta de onde veio. Ela diz que foi um presente, mas não diz de quem, e Raoul insiste em saber.
Ele conta que ouviu a voz e que viu Christine desaparecer diante de seus olhos. Ao revelar que sabe qual é o nome da voz, Christine fica assustada e pede que ele esqueça completamente a voz e o nome de Erik, fazendo-o prometer que não tentará descobrir quem é ele e prometendo, em troca, encontrar-se com Raoul novamente no dia seguinte.
Christine e Raoul encontram-se novamente na Ópera, e ele conta que sua viagem para o Polo Norte foi antecipada e que partirá em aproximadamente um mês. Então, Christine propõe que eles façam uma loucura: vivam esse mês como se fossem noivos por ser o único tempo que terão juntos. Depois de alguns dias, Raoul diz que talvez não queira mais ir para o Polo Norte, mas Christine não reage como ele esperava e some por dois dias.
Christine volta a ser a grande estrela da Ópera, pois Carlotta continua afastada. Raoul e Christine passam bastante tempo juntos, percorrendo os diversos caminhos da própria Ópera, menos os alçapões, os quais, segundo ela, pertencem a “ele” |10|.
Então, eles vão em direção ao telhado. Nós, leitores, percebemos que uma sombra segue o casal nessa direção, apesar de isso não ser percebido por eles. No telhado da Ópera de Paris, Christine revela a Raoul os seus receios e as suas preocupações. Ela conta que não quer mais voltar a morar com o Fantasma no interior da Terra. Apesar de não querer voltar para lá, ela diz sentir pena dele e teme que uma grande tragédia aconteça se não voltar. No entanto, Christine e Raoul fazem planos de fugir e combinam que, na noite seguinte, cantará para o Fantasma pela última vez, combinando de encontrarem-se em seu camarim após o espetáculo.
Ela também conta a Raoul como conheceu a Voz e o que aconteceu nas duas semanas em que desapareceu. Ela explica que, durante três meses, escutou em seu camarim uma linda voz masculina e acreditou ser o Anjo da Música enviado por seu pai, incentivada a acreditar nisso pela senhora Velárius, que também acreditava ser esse o caso. A Voz passou a dar a ela aulas de canto, e ela melhorou muito rapidamente, de forma quase sobrenatural.
Christine conta que, quando reencontrou Raoul, tudo mudou, pois, ao dizer à Voz que gostava dele, a Voz sentiu ciúmes, o que fez Christine perceber que ama Raoul, embora a Voz tente convencê-la do contrário. Ela também conta que, quando desapareceu diante dos olhos de Raoul, foi no momento em que percebeu que existe algum mecanismo secreto envolvendo o espelho.
Christine conta que foi sequestrada por um homem mascarado, tendo sido levada pelo subterrâneo da Ópera, amplo, cheio de passagens e de caminhos e, inclusive, detentor de um lago. Ela reconhece a voz e percebe que esse homem mascarado é o Anjo da Música, o Fantasma da Ópera, o Erik. Esse é um dos momentos mais importantes do livro porque destrói completamente a fantasia que Christine havia construído.
Christine diz que a música aproxima-os, e eles cantam juntos. Em um dado momento, no entanto, conta que retirou a máscara que estava no rosto do homem, encontrando ali algo horrível e assustador. Sua atitude faz com que Erik reaja de forma violenta, pois ele sabe que sua aparência foi o motivo pelo qual foi rejeitado durante toda a vida e acredita que, agora que Christine viu seu rosto, nunca poderá ser amado por ela. Erik conta a ela sobre seu passado e sobre as rejeições que sofreu.
Erik toca para ela sua grande composição, Don Juan triunfante, e isso encanta Christine. Ela passa todo esse período convencendo-o a deixá-la ir embora com a promessa de que vai voltar, e ele permite que ela vá embora. Christine conta a Raoul que é o sofrimento de Erik que a comove. Raoul pergunta a ela se ela amaria Erik se ele fosse bonito, e ela não responde de forma clara, mas diz que ama Raoul, e eles beijam-se. É nesse momento que percebem que a sensação que tinham de estarem sendo observados não era apenas uma sensação.
Ao perceberem isso, eles correm do telhado e, nesse processo, encontram o Persa, que sugere que sigam por outro caminho. Embora Raoul fique confuso com sua ajuda, por não conhecê-lo, Christine reconhece-o da Ópera, e seu comportamento deixa claro que há uma relação anterior com Erik, embora ninguém saiba por que ele está ali.
Já no camarim de Christine, eles combinam os detalhes da fuga. Por Raoul, eles encontrariam-se no dia seguinte fora da Ópera, mas ela não aceita, pois prometeu para Erik que só veria Raoul em seu camarim. Nesse momento, ela percebe que perdeu o anel de ouro que Erik lhe deu, procurando por ele sem sucesso e desesperando-se em razão disso. Raoul sugere que não esperem o dia seguinte para fugir, mas ela não aceita, e ele vai embora, profundamente perturbado.
À noite, Raoul fica pensativo sobre Erik e sobre suas aparições. Em seu quarto, vê dois olhos luminosos que acredita pertencerem a ele, pega sua arma e atira na direção, causando um tumulto e acordando todos na casa, incluindo Philippe, que pensa que ele perdeu o juízo. Ele de fato acertou algo, mas não foi Erik, e, sim, um gato.
No dia seguinte, Raoul é chamado por Philippe, que, contrariado, mostra a ele o jornal:
“Ótimas notícias do Faubourg: há uma promessa de casamento entre a srta. Christine Daaé, cantora lírica, e o sr. visconde Raoul de Chagny. Se acreditarmos nas fofocas dos bastidores, o conde Philippe teria jurado que, pela primeira vez, um Chagny não cumpriria sua promessa. Como o amor, na Ópera, mais do que em qualquer outro lugar, é todo-poderoso, pode-se questionar quais meios o conde Philippe terá à sua disposição para impedir que seu irmão, o visconde, leve a nova Margarida ao altar. Dizem que os dois irmãos se adoram, mas o conde está redondamente enganado se acredita que o amor fraterno se curvará ao amor puro e simples.” |11|
Philippe chama a atenção de Raoul e diz que ele está tentando humilhá-los ao proceder dessa forma, mas Raoul apenas despede-se do irmão. Mais tarde, na Ópera, representava-se Fausto, e Christine não foi recebida como de costume pela plateia, que não gostou do que leu no jornal a seu respeito, vendo-a como uma mulher ambiciosa.
Essa reação da plateia deixou Christine insegura por um momento, mas a entrada de Carlotta no teatro, após longo período de ausência, seguida pela chegada de Raoul motivaram a renovação de seus ânimos, e ela cantou com vigor. No entanto, as luzes apagaram-se por um instante, e Christine desapareceu do palco sem deixar rastro.
Suspeita-se de Carlotta, de Raoul e, por fim, do Fantasma. Enquanto ocorre um completo alvoroço na Ópera de Paris devido ao desaparecimento de Christine, os funcionários encontram dificuldade para contatar Moncharmin e Richard, pois, ao mesmo tempo que isso tudo isso acontece, eles estão trancados no escritório da direção, ignorando todos. Moncharmin atendeu à porta apenas para pedir por um alfinete, sem dar tempo para que nenhum deles falasse, fechando a porta novamente. Esses mesmos funcionários são surpreendidos com a aproximação de Raoul, que pergunta a eles: “Com licença, senhores, poderiam me dizer onde está Christine Daaé?” |12|
A verdade era que Raoul estava desesperado, completamente perdido e angustiado com o desaparecimento de Christine. A única pessoa em que conseguia pensar como o responsável era Erik. Tentou acessar o subterrâneo pelo espelho e procurar o lago subterrâneo por outro caminho, mas não conseguiu.
Com a chegada do delegado de polícia, que bate à porta do escritório da direção, os diretores da Ópera de Paris enfim abrem a porta. Raoul, assim como os demais, entra, mas, antes de fazer isso, interpelado pelo Persa, que diz a ele que os segredos de Erik não dizem respeito a ninguém. Isso não o detém.
Nesse momento, descobrimos que Moncharmin e Richard estavam trancados no escritório tentando desvendar como o Fantasma pegou os 20 mil francos que estavam no bolso de Richard. Isso aconteceu porque, antes, eles haviam recebido dele uma carta cobrando o dinheiro, que deveria ser colocado no camarote nº 5 por Mãe Giry, e pensaram em um plano para desmascará-lo, o qual consistia em fazer o que foi solicitado e observar escondido a noite toda: nada aconteceu, mas, quando foram olhar, no lugar das cédulas verdadeiras, estavam cédulas falsas.
Para a vez seguinte, que foi a mesma noite na qual Christine desapareceu, receberam a mesma instrução do Fantasma. Ao confrontarem Mãe Giry, ela conta que as cédulas verdadeiras foram trocadas pelas falsas antes mesmo de serem colocadas no camarote, seguindo a orientação do Fantasma. As verdadeiras foram colocadas no bolso de Richard, e de lá foram retiradas pelo próprio Fantasma. A fim de evitar isso, eles prendem o dinheiro no bolso com um alfinete, para que ele não consiga pegar o dinheiro sem que percebam. Isso, no entanto, não o impede, pois o Fantasma consegue pegar o dinheiro mesmo assim.
Voltamos, então, ao exato momento da história em que o delegado de polícia entra no escritório dos diretores, perguntando a eles se Christine está ali. Com a negativa por parte deles, conta que ela desapareceu no meio do espetáculo, o que os deixa muito surpresos. Raoul conta sobre Erik, que mora na Ópera e é o “Anjo da Música”, além do Fantasma da Ópera.
Embora o delegado ache que ele está brincando, perguntando aos diretores se conhecem esse Fantasma, eles dão razão a Raoul, dizendo que gostariam de conhecê-lo, pois deles foram roubados por ele 20 mil francos nessa mesma noite. A partir de então, Raoul, Moncharmin e Richard contam ao delegado de polícia todos os acontecimentos relacionados ao Fantasma.
Ao sair do escritório, Raoul esbarra com o Persa, que diz a ele estar disposto a ajudá-lo a procurar por Christine, tendo em vista que conhece a Ópera e Erik muito bem, além de ter uma noção sobre onde fica a casa de Erik. Desesperado, Raoul aceita, e eles entram no camarim de Christine por um caminho diferente, o que mostra que o Persa conhece o local melhor do que Raoul, embora ele admita não conhecer tão bem quanto Erik.
Já no camarim de Christine, o criado do Persa deixa sobre a mesa uma caixa, a qual continha duas armas, que levariam na busca que estavam prestes a realizar. Atravessando pelo espelho, como Christine, eles acessam o subterrâneo da Ópera de Paris, uma vez que o Persa conhecia o mecanismo.
No caminho, eles encontram uma figura com manto da cabeça aos pés, um chapéu de feltro mole e um rosto inteiro luminoso, parecendo ser em fogo, flamejante. Assustados, correram em outra direção, sendo seguidos por essa figura. Nesse momento, a figura, que era, na verdade, o matador de ratos, volta-se para eles e pede que não o sigam. Tudo isso esclarece o começo do livro quanto à descrição do Fantasma feita pelo tenente do Corpo de Bombeiros, o qual o descreve com uma cabeça de fogo, muito embora não fosse Erik. A pintura a seguir retrata esse trecho do livro:
Raoul e o Persa encontraram um buraco por onde passariam, mas era muito estreito para passarem os dois ao mesmo tempo, então o Persa entrou primeiro, sendo seguido por Raoul. Então, notaram que a parede do lugar onde entraram era de espelhos e perceberam que estavam na câmara dos suplícios.
Nesse momento da narrativa, o Persa conta ao narrador sobre quando tentou pela primeira vez chegar à casa de Erik pelo lago, ocasião em que foi derrubado de alguma forma na água, quase morreu afogado e foi resgatado pelo próprio Erik. Descobrimos, assim, que o Persa resgatou Erik em algum momento do passado, e Erik diz a ele que não convidou ninguém para sua casa, ameaçando esquecer o que ele fez em seu favor se ele tentar fazer isso novamente.
Em sua conversa com Erik, o Persa retoma a promessa feita por Erik de que não ocorreriam mais crimes, a qual não estaria sendo cumprida por parte dele. Pergunta sobre o lustre, mas Erik afirma que a queda do lustre não foi provocada por ele, tendo ocorrido pelo fato de o lustre já estar caindo aos pedaços, e vai embora. O Persa, então, desiste de tentar acessar a casa de Erik pelo lago, pois viu que era perigoso.
Dias mais tarde, novamente no subterrâneo, o Persa conta ter visto Erik e Christine, desmaiada, próximos ao lago. Embora não quisesse ser visto por Erik, acabou sendo percebido por ele, que o deixou inconsciente com um golpe. Ao voltar a si, não conseguiu mais localizar os dois. Isso foi no momento de desaparecimento de Christine.
Por ter certeza de que ela estava sendo mantida na casa de Erik, o Persa seguiu pela margem do lago e ficou escondido por um longo período. Depois de 24 horas, Erik foi ao seu encontro, ciente de que ele estava lá todo esse tempo, e o Persa disse a ele que estava à procura de Christine, a qual sabia estar com ele. Erik faz ele prometer que não se meterá mais em seus assuntos se ele provar que é amado por Christine pelo que é, e essa prova será o fato de que, depois de partir, ela certamente voltará. O Persa concorda com isso, pois vê como algo absurdo, mas faz ele garantir que vai deixá-la partir. Erik diz que ele deve ir ao baile de máscaras, onde a verá.
Conhecendo os acontecimentos que ocorreram no baile de máscaras, nós, leitores, sabemos que ela, de fato, retornou. Agora, no entanto, descobrimos que isso deixou o Persa muito espantado, por ter acontecido exatamente o que Erik disse que aconteceria. Isso não fez ele parar de envolver-se nas situações ligadas a Erik, pois, conforme conta, era incapaz de fazer isso, motivo pelo qual continuou a ficar por perto.
Ele conta que estava disposto a parar Erik a qualquer custo, até mesmo matando-o, se fosse preciso, para que não fizesse mal a ninguém. Também conta que, nesse tempo, descobriu o envolvimento de Christine com Raoul e que ficou à espreita, esperando por Erik, o que justifica a presença de Persa logo que o casal saiu do telhado no dia anterior ao desaparecimento de Christine. No entanto, antes que chegasse a Erik ou que o denunciasse, Christine foi raptada durante o espetáculo.
Voltamos, assim, ao momento da narrativa em que Raoul e o Persa percebem-se na câmara dos suplícios. Ao entrarem, eles encontram a corda que enforcou Joseph Buquet, o chefe dos maquinistas, a qual não havia sido encontrada junto ao corpo. A corda é o laço do Punjab, feito de tripas de gato, e o Persa conhecia esse tipo de corda.
Raoul nota a apreensão do Persa, justificada pelo fato de que a câmara dos suplícios é um local do qual é difícil sair. Momentos depois, eles escutam um barulho externo que se parece com o abrir e com o fechar de uma porta, seguido pela voz de Erik, que diz: “A escolha é sua! A missa de núpcias ou a missa dos mortos.” |13| Ele conversa com Christine em uma sala que parece próxima ao local onde estão e explica a ela as opções que ela tem. Parte muito importante da narrativa, o discurso proferido por ele ocorre da seguinte maneira:
— A missa dos mortos não é nada alegre! — retrucou a voz de Erik — Já a missa de núpcias, essa sim, é magnífica! Precisa tomar uma decisão e saber o que quer! Para mim, é impossível continuar vivendo, no fundo da terra, em um buraco, como uma toupeira! Don Juan triunfante está concluída, agora quero viver como todo mundo. Quero ter uma mulher como todo mundo e passear com ela aos domingos. Inventei uma máscara que me deixa parecido com qualquer pessoa. Ninguém se voltará para olhar. Você será a mulher mais feliz do mundo. E cantaremos só para nós dois, até morrer. Você está chorando! Você tem medo de mom! Mas, no fundo, eu não sou mau! Ame-me e ver[a! Só me falta ser amado para ser bom! Se você me amasse, eu seria manso como um cordeiro, e você faria de mim tudo o que quisesse. |14|
Em seguida, ele chora. Raoul e o Persa escutam, cientes de que Erik não sabe que eles estão ali. Em um dado momento, Erik escuta um barulho do lado de fora e deixa Christine sozinha para verificar o que é. Descobrimos depois que é Philippe, à procura de seu irmão. Quando Erik sai, Raoul fala com Christine através da parede, e ela, desesperadamente, procura a chave da câmara dos suplícios, mas ela está com Erik.
Christine consegue pegar de Erik a bolsa na qual ele guarda a chave da câmara dos suplícios, mas ele percebe e pergunta o motivo pelo qual ela quer essa bolsa. Ela diz que pegou apenas por curiosidade, e ele responde que não gosta de mulheres curiosas, tomando a bolsa dela. Nesse momento, Raoul grita de raiva e de impotência. Embora o Persa faça tudo o que pode para tentar abafar esse grito, Erik escuta e fica intrigado. Christine finge não ter ouvido, mas ele a questiona, perguntando se não teria sido seu noivo.
Entre as duas salas, há uma pequena janela no alto. Erik acende a luz e faz com que Christine suba em um banquinho para olhar a câmara dos suplícios e ver quem está lá. Depois de subir e de olhar, ela mente e diz que não tem ninguém, pedindo em seguida para que ele apague a luz, preocupada com o fato de que a iluminação possa prejudicá-los no outro cômodo.
Christine nota que está ficando quente, e Erik explica a ela o motivo. Na câmara dos suplícios, os espelhos e a estrutura distinta de floresta que existe no lugar, recebendo aquela fortíssima iluminação, começaram a esquentar o ambiente no qual Raoul e o Persa estão de tal maneira que se tornou praticamente insuportável.
Com a iluminação no ambiente, eles notaram os riscos e os arranhões feitos nos espelhos por pessoas que estiveram naquele lugar antes deles. Também ouviram Erik levar Christine para outro lugar, deixando-os ali à sua própria sorte. Desesperado, Raoul olha para a corda e fica tentando a usá-la para pôr fim à sua vida, mas é impedido pelo Persa. Nesse momento da narrativa, entendemos os desesperos provocados pela câmara dos suplícios e o que provavelmente aconteceu com Joseph Buquet, que esteve na mesma situação. Com muito custo e quase sem ser a tempo, tendo em vista que a temperatura do ambiente aumentava mais a cada segundo, fazendo com que quase desmaiassem, sufocando, o Persa encontra a mola que abre uma saída, por onde passam.
Em um novo ambiente, eles percebem que estão na adega de Erik, um lugar cheio de barris. Ao abrirem um dos barris, percebem que o que está ali dentro não é água ou outra bebida, como esperado, mas, sim, pólvora. Essa descoberta da pólvora nos barris no subterrâneo da Ópera de Paris faz com que eles entendam a gravidade da situação com Erik.
Eles fogem dali e tentam buscar caminhos para retornar à superfície. Na conversa que ouviram antes entre Erik e Christine no cômodo ao lado, escutaram Erik dizer que ela tinha até as onze horas para decidir pela vida ou pela morte, entendendo agora que os barris com pólvora seriam usados no caso de ela não o escolher, o que levaria à morte. Perguntam-se que horas são, se já não são onze horas ou se são as próximas onze horas depois dessas.
Ao saírem, encontram Christine, que diz a eles que já são quase onze horas, as onze horas que vão decidir tudo. Ela conta a eles que Erik a deixou por um momento para decidir, deixando um baú com itens de bronze que dizem respeito às duas opções. Se ela girar o escorpião, significa “sim” para o noivado”; se ela girar o gafanhoto, significa “não”, o que fará com que tudo vá pelos ares, provocando uma explosão que provavelmente destruiria não só a Ópera, mas todo o quarteirão no qual ela está.
Christine, por fim, aceita casar-se com Erik, para que nem Raoul nem vários outros inocentes morram. Erik fica exultante, e a água sobe, destruindo todos os barris que provocariam tanta destruição. Erik vai embora com Christine, e Raoul e o Persa sobrevivem, assim como todos na Ópera e nos arredores, os quais nem sabiam o que quase aconteceu com eles.
Certo dia, tempos depois, o Persa recebe uma visita de Erik. Nessa ocasião, descobrimos que Philippe morreu naquele dia em que estava à procura de Raoul. Erik conta que, quando o escutou e foi até ele, ele já estava morto, afogado no lago. Quando o Persa pergunta sobre Christine e sobre Raoul, Erik conta a ele que deixou Christine partir para casar-se com Raoul.
Conta a ele que fez isso porque ela mostrou que não tinha medo dele nem se afastou quando se aproximou dela para dar um beijo em sua testa. Ficou encantado ao receber depois um beijo dela em sua própria testa, algo que nem mesmo sua mãe havia feito em toda a sua vida. Pediu que ela usasse o anel que deu a ela até o dia em que ele morresse e que, depois, enterrasse esse anel junto com ele. Assim, deixou-os partir, e eles logo casaram-se.
Erik diz ao Persa que, em breve, ele receberá alguns pertences seus (dois lenços, um par de luvas e uma fivela de sapato), o que será equivalente a receber a notícia de sua morte. Quando isso acontecer, gostaria que ele pagasse uma linha nos obituários do jornal L’Époque informando sua morte.
Três semanas depois, o jornal L’Époque publicou o seguinte obituário:
“ERIK ESTÁ MORTO.” |15|
Na última parte da história, descobrimos mais detalhes sobre os feitos de Erik e obtemos alguns desfechos. O coaxar de Carlotta, por exemplo, ocorreu porque ele era um ventríloquo muito habilidoso. Enquanto Fantasma da Ópera, descobrimos que ele pegou os 20 mil francos no escritório dos diretores por meio de uma abertura que havia na mobília. Relata-se que os 40 mil francos, sendo eles os 20 mil francos dos últimos dois pagamentos, foram restituídos por ele a Moncharmin e a Richard, depois de abrir mão não só de Christine, mas de todas as coisas terrenas.
O Persa conta ao narrador mais detalhes sobre quem, afinal de contas, foi Erik, o Fantasma da Ópera, o “Anjo da Música”. Dessa forma, descobrimos que Erik foi rejeitado por seus pais desde a infância, por ter nascido com uma deformação no rosto, sendo originário de uma cidadezinha próxima à cidade de Rouen, na França. Fugiu de casa e passou a ganhar dinheiro para sobreviver ao exibir sua deformidade. Depois, seguiu pela Europa e encontrou grupos de ciganos, com quem aprendeu arte a magia, destacando-se.
Nessa época, já cantava de forma extraordinária e desenvolveu outras habilidades diversas, como o ventriloquismo e o malabarismo. Foram essas habilidades que o fizeram ser conhecido no palácio de um sultão. Ao ouvirem sobre ele, o daroga (chefe de polícia) do local foi encarregado de trazê-lo ao palácio, na Pérsia, e é assim que compreendemos a relação entre Erik e o Persa.
Erik serviu a diversos propósitos na Pérsia, inclusive realizando assassinatos políticos. Devido às suas incríveis habilidades de arquitetura, construiu um extraordinário palácio para o xá dos xás (rei dos reis), o qual permitia que ele fosse de um lugar a outro sem ser percebido. Com receio de que outro governante tivesse um lugar incrível como esse, mandou matar Erik.
O Persa, encarregado de cumprir a ordem, salvou sua vida, ajudando-o a ir para outro lugar. Nisso, ele foi para Constantinopla, onde também realizou feitos incríveis para o sultão para quem trabalhou, motivo pelo qual teve que fugir novamente, para não ser morto pela mesma razão.
De volta à França, foi contratado para trabalhar na construção do novo prédio da Ópera de Paris. Ao deparar-se com a dimensão do subterrâneo desse lugar e já cansado de fugir, Erik decidiu estabelecer-se nesse local, construindo uma casa para si e passando a ser o principal conhecedor de tudo o que estava relacionado a essa construção. O resto, já sabemos.
Importante: Você pode encontrar diferentes organizações da história, a depender da edição na qual estiver lendo: 1) prólogo (ou preâmbulo) + 27 capítulos + epílogo; 2) prólogo + parte 1 (13 capítulos) + parte 2 (13 capítulos) + epílogo. Independentemente da organização, se a obra tiver conteúdo integral em qualquer versão, sem adaptações, o conteúdo será o mesmo.
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Quem escreveu O Fantasma da Ópera?
Quem escreveu O Fantasma da Ópera foi Gaston Leroux, um jornalista e escritor francês. Ele nasceu em 6 de maio 1868, em Paris, na França, e faleceu em 15 de abril de 1927, em Nice, também na França, após passar por uma cirurgia para tratar uma uremia (doença que afeta os rins).
O autor era filho de Dominique Alfred Leroux, um empreiteiro, e de Marie Bidault, filha de um oficial de justiça. O casal teve quatro filhos: Gaston, Joseph, Henri e Hèlene.
Gaston Leroux formou-se em Letras e em Direito, desenvolvendo, também, grande interesse pela área do Jornalismo. O autor passou a escrever matérias para jornais a partir de 1893, obtendo grande destaque nesse contexto ao cobrir importantes julgamentos.
Gaston Leroux escreveu diversos romances, peças de teatro, novelas, roteiros e artigos. Seu primeiro livro publicado foi O mistério do quarto amarelo, em 1907, mas O Fantasma da Ópera, publicado como obra completa em 1910, é sua obra de maior sucesso.
Casou-se em 1917 com Jeanne Cayatte. Ele a conheceu na Suíça em 1902 e passou a viver com ela a partir de então. Juntos, tiveram dois filhos, Alfred-Gaston Leroux e Madeleine Aile, os quais seguiram carreira artística a partir de diferentes perspectivas: Alfred-Gaston como produtor de histórias em quadrinhos e Madeleine como atriz e cantora, atuando inclusive em adaptações de obras do pai.
O autor participou ativamente da adaptação de suas histórias para o cinema. A mais conhecida nesse contexto foi o filme O Fantasma da Ópera, lançado em 1925.
Com sua morte, em 1927, ficou inacabado o romance Les chasseurs de danses (em tradução livre: “Os caçadores de danças”), que foi concluído, a seu pedido, por Charles de Richter, escritor francês de quem Gaston Leroux era muito próximo.
Afinal, nós gostamos de O Fantasma da Ópera?
→ Opinião da Lara
Sim, eu gostei de O Fantasma da Ópera, mas com ressalvas. O livro é um grande clássico da literatura mundial, e o porquê disso é observado ao longo de toda a obra: Gaston Leroux nos envolve em sua narrativa por meio de uma forma de contar o que houve que nos causa interesse e vontade de saber, o que torna difícil não querer ler só mais um capítulo. Isso é uma dádiva e tanto!
Além disso, temos muitas camadas na história e nos personagens. Usar o Palais Garnier, a Ópera de Paris, como pano de fundo é muito interessante, especialmente quando consideramos a proximidade desse local com o contexto de escrita do livro: a própria França. É por isso mesmo que esse romance ganha contornos tão significativos. Afinal de contas, é ou não é ficção?
Ainda no que se refere à Ópera de Paris como o local onde a obra acontece, é nela que percebemos alguns dos principais elementos e características que são tão caros à literatura gótica, como sua estrutura suntuosa e suas diversas passagens e construções subterrâneas.
Para além disso, o enredo surpreende (e não é pouco). Sua forma de misturar o real com o sobrenatural também evidencia o motivo pelo qual a obra faz parte da literatura gótica e produz alguns dos acontecimentos mais impactantes da obra, como a Carlotta emitindo inexplicavelmente o som de um sapo, o coaxar, e o lustre caindo durante a peça e matando a funcionária responsável por substituir mãe Giry após esta ter sido demitida pelos novos diretores. Teria sido um acidente, uma coincidência ou algo intencional? Não há dúvidas de que a história provoca interesse à medida que acontece! Nesse mesmo contexto, há, também, a junção de alguns desses eventos com a realidade: por exemplo, em 20 de maio de 1896, um lustre da Ópera de Paris de fato caiu e matou uma espectadora. Gaston Leroux valeu-se de muitos acontecimentos como esse na escrita da obra.
Também merece destaque o triângulo amoroso formado por Christine, por Erik e por Raoul, que é outro aspecto que ocupa grande parte da narrativa, sendo talvez a parte mais significativa da obra. É nesse momento que as ressalvas são importantes de serem mencionadas, porque é um livro que apresenta algumas importantes questões.
Isso porque Christine, apaixonada, antes de tudo, pela música, vê-se envolvida com Erik, o Fantasma da Ópera, um suposto Anjo da Música que teria sido enviado em seu auxílio por seu pai, também músico. Como Anjo da Música, Erik não permite que ela se case, ameaçando abandonar as aulas e os treinos de canto que realizam juntos caso ela faça isso, o que a impede de casar-se com Raoul, seu amor de infância e por quem é atualmente apaixonada.
Christine é uma cantora da Ópera de Paris, sendo, por isso, responsável pelo seu próprio sustento. Isso era incomum na época, o que é um aspecto interessante do livro. No entanto, não recebendo as devidas instruções por parte de sua tutora, que inclusive a orienta a ouvir o que diz esse Anjo da Música, ela fica suscetível à manipulação de Erik.
Conhecido como o Fantasma da Ópera, Erik é um homem que foi rejeitado durante toda a sua vida, desde o seu nascimento e pelos próprios pais, devido à uma deformação no rosto e que, sendo também perseguido pelos seus trabalhos únicos como arquiteto, resolveu construir para si uma residência definitiva na Ópera de Paris ao ser contratado para a construção do prédio e ao perceber a imensidão de seu subterrâneo. Ele usa uma máscara para esconder essa deformação e exerce poder e controle sobre o local, o qual conhece como a palma de sua mão.
A relação entre Erik e Christine é problemática, pois ele a vê como uma forma de acesso à sociedade que o rejeitou, buscando esse acesso por meio de uma forma abusiva de relacionar-se: rapto, cárcere privado, tentativa de casamento forçado, entre tantas outras coisas. Não é um caso de amor, e a forma como Christine não vê problema nisso em vários pontos da obra também é algo que deve ser apontado. Muito embora Erik tenha sofrido ao longo de toda uma vida, a forma como ele procede em relação à Christine não é correta, e não há nada que justifique isso. Para mim, sua redenção ao final do livro não é suficiente.
Por outro lado, a relação entre Raoul e Christine também é problemática, pois ele a trata como uma mulher tola e não a respeita, o que nos possibilita ver a maneira como as mulheres eram percebidas pelos homens naquela época. Isso ganha contorno especial no caso de Raoul quando nos lembramos do fato de que ele é Visconde de Chagny, irmão do Conde Chagny, sendo, por isso, uma pessoa da nobreza que está acostumada a ter tudo o que quer e quando quer.
Diante disso, embora Christine esteja sendo manipulada por Erik, vários são os motivos observados na obra que nos permitem entender o que levou a isso, entre os quais a ausência de uma presença paterna. Isso, no entanto, não é motivo suficiente para justificar a maneira como Raoul fala com ela em diversos momentos, diminuindo-a e tratando-a como pouco inteligente, fazendo pouco-caso do fato de ela ser cantora ou insultando-a quanto à sua honra e à sua moral. Também não é um caso de amor, e a forma como Christine não vê problema nisso em vários pontos da obra também é algo que deve ser apontado.
Dessa forma, em O Fantasma da Ópera, no que se refere à Christine, é importante entender que o problema está não só em Erik, que a manipula completamente, mas também em Raoul, que a desrespeita severamente, de forma que os dois, de uma forma ou de outra, exercem grande controle sobre sua vida, o que dá a ela uma falsa sensação de autonomia. Na obra, temos o destino de Christine sendo sempre determinado pelos homens que estão em sua vida. Não posso falar sobre o livro sem enfatizar isso!
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Live de encerramento do ciclo de leitura de O Fantasma da Ópera
” frameborder=”0″ allow=”accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope;” allowfullscreen=”true” title=”YouTube video player”>Curiosidades sobre O Fantasma da Ópera
- A narrativa de O Fantasma da Ópera foi inspirada pelos diversos túneis subterrâneos de Paris. Na cidade francesa, há mais de 300 quilômetros de cavernas que existem devido à extração de calcário e de pedras que ocorreu no século XII.
- Também inspirou a obra o subterrâneo da própria Ópera de Paris, o Palais Garnier, que de fato possui um lago em seu anterior. Esse lago subterrâneo existe devido a uma impossibilidade de drenagem no momento da construção do teatro, tendo sido mantido para estabilizar suas fundações. Atualmente, ele é usado como uma reserva de incêndio e no treinamento de mergulho por bombeiros.
- Foram feitas diversas adaptações do livro O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, ao longo dos anos. As adaptações possuem mudanças em relação à obra. Na de 1943, por exemplo, o Fantasma é apresentado como o responsável pela queda do lustre.
- Nas primeiras adaptações, a máscara cobria o rosto inteiro do Fantasma, tal como descrito no livro. A partir do musical de Londres de 1986, repetindo-se nas adaptações seguintes, a máscara foi ajustada e passou a cobrir apenas metade do rosto, a fim de permitir que os atores enxergassem melhor o palco e de facilitar o uso do microfone.
- Na Broadway, em Nova Iorque, o musical de O Fantasma da Ópera foi exibido por 35 anos sem pausa, entre janeiro de 1888 e abril de 2023, totalizando 13.981 sessões. A produção original, de Londres, que estreou em 1986, continua em exibição.
Notas
|1| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. XXV
|2| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. XXV
3| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 51
|4| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 51
|5| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 120
|6| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 126
|7| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 142
|8| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 145
|9| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 146
|10| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 159
|11| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 196
|12| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 206
|13| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 287
|14| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 289
|15| LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025. p. 338
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Fontes
BAMBINO, Andréa. ‘O Fantasma da Ópera’ é exibido na Broadway pela última vez após 35 anos. SBT News, 17 abr. 2023. Disponível em:
BIOGRAPHIE de Gaston Leroux. Gaston LEROUX, c2026. Disponível em:
LEROUX, Gaston. O Fantasma da Ópera. Tradução de Carol Colffield. Rio de Janeiro: Fabulous Classics, 2025.