Emagrecer antes da FIV aumenta chance de gravidez? O que dizem os estudos

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Emagrecer antes da FIV aumenta chance de gravidez? O que dizem os estudos

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Quando uma mulher com obesidade procura tratamento para engravidar, a recomendação de perder peso parece intuitiva. A obesidade está associada a alterações hormonais e metabólicas, resistência à insulina, inflamação e distúrbios da ovulação, além de aumentar o risco de complicações durante a gestação.

O raciocínio parece simples: se o excesso de peso interfere na fertilidade, emagrecer antes da fertilização in vitro (FIV) deveria melhorar os resultados.

A ciência, porém, mostra que essa relação é mais complexa. Uma meta-análise publicada em 2025 reuniu 12 estudos randomizados, com 1.921 mulheres com obesidade que planejavam realizar FIV. As intervenções para perda de peso aumentaram a chance de gravidez no conjunto dos estudos, principalmente por um número maior de concepções espontâneas antes do tratamento.

Quando o desfecho analisado foi nascimento de um bebê, entretanto, o benefício permaneceu incerto.

Em agosto de 2026, um novo ensaio clínico trouxe mais elementos para a discussão. Foram avaliadas 273 mulheres com sobrepeso ou obesidade, divididas entre restrição alimentar associada à atividade física, dieta com redução de calorias ou cuidados habituais antes da FIV. A taxa acumulada de nascidos vivos ficou entre 43,8% e 46,6% nos três grupos, sem diferença significativa.

Emagrecer faz bem, mas não é garantia de uma FIV melhor

Esses resultados não significam que o peso seja irrelevante. Melhorar pressão arterial, glicemia, resistência à insulina, condicionamento físico e outros aspectos metabólicos antes da gravidez pode trazer benefícios importantes para a saúde da mulher e reduzir riscos gestacionais.

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A questão é outra: não podemos afirmar que perder alguns quilos imediatamente antes da FIV necessariamente aumentará a chance de nascimento.

O estudo de 2026 trouxe inclusive uma pista interessante. Embora as estratégias de emagrecimento não tenham aumentado a taxa de nascidos vivos, uma maior redução da porcentagem de gordura corporal apareceu associada a melhores resultados.

É um achado que ainda precisa ser confirmado, mas reforça que saúde metabólica e composição corporal talvez sejam mais importantes do que simplesmente o número mostrado pela balança.

E onde entram as canetas emagrecedoras?

Semaglutida e tirzepatida mudaram o tratamento da obesidade porque conseguem produzir perdas de peso muito superiores às obtidas com medicamentos mais antigos. Com isso, surgiu naturalmente a pergunta: poderiam esses medicamentos preparar melhor uma mulher com obesidade para engravidar ou realizar uma FIV?

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Ainda não temos resposta definitiva. Há estudos mostrando benefícios metabólicos dos agonistas do GLP-1 e evidências de melhora da ovulação e da chance de gravidez espontânea em alguns grupos, especialmente entre mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Mas são muito mais escassos os dados sobre resultados de reprodução assistida.

Ainda não existem evidências clínicas robustas demonstrando que utilizar semaglutida ou tirzepatida antes da FIV aumente a qualidade dos óvulos ou dos embriões, a implantação, a gravidez clínica ou, principalmente, a taxa de nascidos vivos.

Também é importante lembrar que esses medicamentos não são utilizados durante a gestação. No caso da semaglutida, por exemplo, a orientação do fabricante é interromper o tratamento pelo menos dois meses antes de uma gravidez planejada.

Por isso, o uso de uma caneta emagrecedora por uma mulher que pretende realizar reprodução assistida precisa fazer parte do planejamento do tratamento, e não ser iniciado ou interrompido por conta própria.

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Na reprodução humana, perder tempo também tem um custo

Existe ainda uma variável que a balança não mostra: a idade dos óvulos. Adiar o início da FIV por alguns meses pode ter consequências muito diferentes para uma mulher de 28 anos e para outra de 39 ou 40. A fertilidade feminina diminui com a idade, sobretudo pela redução da quantidade e da qualidade dos óvulos, e nenhum emagrecimento consegue reverter esse envelhecimento ovariano.

É por isso que estabelecer uma meta rígida de peso antes de permitir o início da reprodução assistida pode não fazer sentido para todas as pacientes.

A decisão precisa considerar idade, reserva ovariana, grau de obesidade, presença de diabetes ou resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos, hipertensão, motivo da infertilidade e riscos de uma futura gestação.

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Em algumas mulheres, investir primeiro na perda de peso pode trazer vantagens importantes. Em outras, postergar meses o tratamento pode significar perder uma janela reprodutiva preciosa.

As novas canetas ampliaram enormemente as possibilidades de tratamento da obesidade e provavelmente terão um papel cada vez maior no cuidado pré-concepcional. Mas, até agora, a ciência não autoriza transformar a perda de peso em uma promessa de sucesso da FIV.

Na reprodução humana, a pergunta não deveria ser apenas “quanto peso esta mulher precisa perder?”, mas qual é a melhor estratégia para que ela chegue à gravidez nas melhores condições possíveis sem desperdiçar um tempo reprodutivo que não pode ser recuperado.

*Stephanie Majer é ginecologista e especialista em Reprodução Humana na ENNE Clinic

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(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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