Como o Brasil se tornou válvula de escape da produção de carros da BYD?

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Como o Brasil se tornou válvula de escape da produção de carros da BYD?

Executivos de outras montadoras calculam que, se os veículos vendidos no Brasil fossem fabricados aqui, a BYD precisaria criar mais 9.500 vagas. Eles também apontam que o custo de produção na China é 30% inferior ao brasileiro — daí, dizem eles, a necessidade de o governo manter a proteção contra a importação com imposto de 35%.

Para alguns, se a BYD estivesse, de fato, interessada em fabricar localmente, precisaria ampliar os recursos injetados no país.

Com passagem por empresas como Ford e Renault, o hoje consultor Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, afirma, no entanto, ser “inviável” para a BYD apenas importar. “Uma hora o imposto de 35% vai chegar”, diz.

Ele acrescenta que, para a companhia exportar os veículos produzidos no Brasil a outros países do Mercosul com tarifas preferenciais, precisará fabricar carros com 50% de peças originadas no bloco. Na visão de Pagliarini, isso seria mais um incentivo para a montadora fabricar no País.

O consultor também destaca que a alíquota zero não é válida apenas para a BYD, mas pondera que a montadora tem uma participação maior na cota de importação. Questionado pela reportagem, o Ministério do Desenvolvimento não divulgou os valores da cota destinados a cada companhia.

Portas fechadas em outras partes do mundo

O imposto de importação para carros no Brasil é de 35%. Essa alíquota foi reduzida para números entre 0% e 7% pelo governo em 2015, como forma de incentivar a eletrificação da frota e acelerar a transição energética. Em 2023, após uma disputa intensa nos bastidores entre montadoras com produção local e fabricantes chinesas, iniciou-se a recomposição gradual das alíquotas. A última fase estava prevista para julho deste ano, quando a tarifa voltaria ao patamar original de 35% e também seria encerrada a cota de importação com alíquota zero para veículos semidesmontados (SKD) eletrificados e desmontados (CKD).

De forma repentina, contudo, o governo Lula anunciou a prorrogação do benefício, autorizando a importação sem imposto de uma cota adicional de US$ 463 milhões até 31 de dezembro.