Ações da Braskem caem 135; UBS BB rebaixa recomendação do papel

Início Economia Ações da Braskem caem 135; UBS BB rebaixa recomendação do papel
Ações da Braskem caem 135; UBS BB rebaixa recomendação do papel

Cenário desafiador levou UBS BB a rebaixar a recomendação das ações da Braskem. A análise caiu de neutra para venda e o preço-alvo dos papéis foi cortado de R$ 10,50 para R$ 3,75. Em relatório, analistas do banco citam perspectivas negativas para o setor petroquímico, elevado endividamento e riscos ligados ao processo de reestruturação financeira da companhia.

No relatório, UBS BB aponta que a Braskem enfrenta um cenário sem soluções simples para sua recuperação, diante da expectativa de manutenção das margens petroquímicas em níveis deprimidos nos próximos anos. Segundo os analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello, a forte expansão da capacidade produtiva de polietileno e polipropileno na China deve superar o crescimento da demanda global em 2027 e 2028, mantendo a oferta excedente e pressionando os preços dos produtos da companhia.

Além do ambiente operacional desafiador, o banco destaca a situação financeira da petroquímica. O UBS BB estima que a Braskem precisará reduzir sua dívida líquida em cerca de US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões para atingir um nível considerado sustentável de alavancagem e geração de caixa. Para os analistas, uma eventual solução pode envolver conversão de dívida em ações, aporte de capital e renegociação com credores.

Relatório alerta que uma reestruturação baseada principalmente em conversão de dívida e aumento de capital poderia provocar diluição entre 70% e 95% dos acionistas minoritários. Caso a empresa não consiga obter a adesão necessária dos credores até 22 de novembro, prazo previsto na recuperação extrajudicial, poderá ser levada a buscar uma recuperação judicial, em um processo considerado mais complexo.

UBS BB também reduziu suas projeções operacionais para a companhia. A estimativa de Ebitda para 2027 foi cortada para US$ 1,13 bilhão, abaixo do consenso de mercado de cerca de US$ 1,3 bilhão. Mesmo com esse nível de geração operacional, os analistas avaliam que a Braskem continuaria consumindo caixa, reforçando a necessidade de uma solução para sua estrutura de capital.

Analistas apontam reflexos da crise da Braskem para a Petrobras. Como a petroleira detém de 47% do capital votante da petroquímica, o banco aponta que um eventual processo de desalavancagem baseado em conversão de dívida e aporte de recursos exigiria contribuição entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões para preservar sua fatia atual na companhia. Ações PN (preferenciais a dividendos) da Petrobras recuavam 2,8% hoje por volta das 14h30, cotadas a R$ 48,99. Papéis subiram mais de 4% ontem e rondam as máximas históricas, em ciclo alimentado pela valorização do petróleo.