O estudo indica que o maior descompasso aparece quando o usuário responde a posts, e não quando apenas curte ou reposta. “Quando olhamos para comentar, o ato de responder a posts, é aí que vemos algum desalinhamento significativo entre os valores das pessoas e os valores do conteúdo a que elas estão respondendo”, afirmou Ziv Epstein, pesquisador da Universidade de Stanford, no EUA, e um dos coautores do estudo, em entrevista ao site 404 Media.
Apesar das respostas representarem só 6,8% das interações observadas, elas têm peso desproporcional na forma como o algoritmo aprende. “Responder é só uma fração do engajamento, mas parece haver evidências de que esses algoritmos estão priorizando e aprendendo mais com esse tipo mais raro de engajamento”, disse Epstein.
A pesquisa também encontrou mais “ragebait” (isca de ódio) para usuários que se identificaram como democratas, embora a causa não esteja clara. “É esse ciclo de retroalimentação do ‘outrage baiting’. O algoritmo aprende que você fica indignado e continua servindo mais conteúdo nessa direção e isso parece ser particularmente verdadeiro para os usuários democratas do nosso estudo”, afirmou o coautor do estudo.
Como o estudo mediu “valores” no feed
Para estimar o que cada usuário valoriza, os pesquisadores aplicaram um questionário baseado na Teoria dos Valores Humanos Básicos, de Schwartz. A ferramenta organiza 19 dimensões, como “tolerância”, “dominância”, “hedonismo” e “abertura à mudança”, além de registrar o alinhamento político declarado.
Na análise, posts de contas seguidas tendem a refletir melhor os valores informados pelos participantes do que o conteúdo amplificado no “Para você”. O artigo descreve uma correlação negativa entre valores explícitos e os valores presentes no conteúdo que o algoritmo tem mais chance de impulsionar.
