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O brasileiro ama fazer tudo com cerveja: de celebrar a chorar às mágoas.
Tanto que até a cerveja sem álcool pegou por aqui. O país se consolidou como o segundo maior mercado da categoria no mundo, consumindo quase 1 bilhão de litros desse tipo de bebida por ano.
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A gigante Ambev entrou no segmento de cervejas sem álcool em 2020, com o lançamento da Brahma 0.0, sua primeira cerveja totalmente não alcoólica produzida no Brasil.
Desde então, a empresa ampliou o portfólio para acompanhar o crescimento da categoria, e hoje conta com Brahma 0.0; Bud Zero (Budweiser Zero); Corona Cero e Corona Cero Sunbrew, que possui vitamina D na composição; além da Skol Zero Zero (zero álcool e zero açúcar).
Agora, a marca foi além, e lançou a Spaten Pro, que conta com 10 gramas de proteína por latinha de 350ml. Ela inaugura uma categoria inédita: é a primeira cerveja sem álcool proteica da AB InBev (controladora da Ambev) no mundo.
De acordo com a marca, a fórmula foi desenvolvida ao longo de 5 anos no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) da Ambev, no Rio de Janeiro, e teve a aprovação de nutricionistas, médicos nutrólogos, engenheiros de alimentos e mestres-cervejeiro.
O resultado é uma cerveja puro malte no estilo Munich Dunkel (escura), com notas de malte tostado, caramelo, baunilha e cacau. A proteína é composta por 75% whey protein hidrolisado e 25% colágeno hidrolisado. Segundo a Ambev, isso não compromete o sabor.
A Spaten Pro estará disponível para os consumidores a partir de setembro, inicialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, com preço previsto entre R$ 10 e R$ 13 por lata.
Álcool não combina com proteína
Em nota, a marca afirma que a Spaten Pro foi desenvolvida para consumidores que buscam por hábitos mais saudáveis, já incluem proteína na alimentação e procuram produtos que acompanhem diferentes momentos da rotina.
De fato, foi uma escolha acertada lançar uma cerveja proteica que seja sem álcool. Pessoas que ingerem muita proteína geralmente buscam performance, e desempenho esportivo e álcool não se misturam.
Isso porque a substância retarda o metabolismo e interfere na recuperação muscular, prejudicando a síntese proteica. Inclusive, estudos já mostraram que consumir álcool após o exercício reduz a resposta anabólica do músculo.
Aliás, álcool não deveria se misturar com nada: a ciência já cravou que não há dose segura, e qualquer quantidade traz malefícios ao organismo.
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Vale a pena comprar?
É importante lembrar também que ninguém precisa ingerir proteína em tudo: a dieta brasileira já é hiperproteica, e fornece a quantidade necessária desse nutriente para a grande maioria dos brasileiros.
E o óbvio precisa ser reafirmado: se a pessoa treina pesado, possui muitos músculos e consome um pouco a mais de proteína, não vale trocar o shake de whey por uma Spaten Pro. A dose e a composição da cerveja proteica não são equivalentes ao suplemento quando o objetivo é maximizar a recuperação e o ganho de massa muscular.
Agora, se a ideia é consumir a bebida apenas porque ela parece mais saudável, é preciso lembrar que proteína em excesso não se transforma automaticamente em músculo.
“Quando o corpo recebe mais aminoácidos do que precisa para produzir proteínas, ele usa esses aminoácidos extras de outra forma. Primeiro, o corpo transforma a parte que contém nitrogênio em ureia, que é eliminada pela urina. Já a parte que sobra, feita de carbono, pode ser usada como fonte de energia”, afirma a nutricionista Manuela Dolinsky, professora da Universidade Federal Fluminense. Se essa energia não for utilizada, ela pode ser armazenada pelo organismo, inclusive na forma de gordura.
Diante de lançamentos assim, é sempre válido refletir se os benefícios fazem jus ao marketing. Quando for beber uma cerveja sem álcool, que geralmente contém açúcares e não é algo que se consome todo dia, considere ir na sua favorita mesmo.
