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Uma semana após aprovar o primeiro genérico de semaglutida no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o segundo registro desse tipo, em resolução publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (24).
O novo genérico do princípio ativo consagrado por canetas como Ozempic e Wegovy é fabricado pela Germed Farmacêutica. A empresa pertence ao mesmo grupo da EMS, que já havia lançado sua própria versão da semaglutida com o Ozivy e obteve a autorização pioneira para um genérico no último dia 17 de agosto.
A expectativa é que a chegada de mais genéricos ao mercado nacional baixe ainda mais o preço de medicamentos com semaglutida, utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Por que as canetas nacionais ainda não eram “genéricos”?
Até o começo de 2026, os únicos produtos com semaglutida vendidos regularmente no Brasil eram aqueles produzidos pela Novo Nordisk, a fabricante que lançou as canetas originais com os nomes comerciais de Ozempic e Wegovy. A situação começou a mudar em março, quando a patente que dava exclusividade à farmacêutica chegou ao fim, permitindo que outras empresas desenvolvessem suas próprias versões do princípio ativo.
Enquanto a semaglutida original é um medicamento biológico, produzido com organismos vivos, as primeiras alternativas nacionais (como o Ozivy, da EMS) são feitas através de uma síntese química. Esse remédio ainda não era tecnicamente um genérico, já que usa um processo diferente: no entanto, a Anvisa o classificou como um medicamento de referência, a partir do qual outros produtos podem ser elaborados.
A partir daí, a lei permite duas opções: a criação de medicamentos similares, inspirados no produto de referência, que podem ser vendidos com nome comercial e não precisam ter um desconto, ou a produção de genéricos, que precisam ser totalmente intercambiáveis com o medicamento original e só podem ser vendidos com o nome do princípio ativo indicado na embalagem (neste caso, “semaglutida”), além de ter uma redução de preço obrigatória.
Na semana passada, a Germed já havia obtido a autorização para produzir um similar a partir do Ozivy, que será vendido com o nome comercial de Semaclique. Agora, a autorização para vender também um genérico abre uma alternativa a mais nesse mercado.
+Leia também: Genéricos, similares e medicamentos de referência: qual a diferença?
Quanto vai custar?
A política específica de precificação do genérico de semaglutida da Germed ainda não foi divulgada. Mas, por lei, o remédio precisa chegar às farmácias com um desconto de, no mínimo, 35% em relação ao preço cobrado pelo medicamento de referência.
Vale lembrar que o Ozivy já tem uma política própria de descontos que reduz quase pela metade o preço inicial do produto. Ainda não está claro se os genéricos terão um desconto que chega a superar os oferecidos no programa de fidelidade.
O registro concedido à Germed vale para a solução injetável de 1,34 mg/ml, com validade de 24 meses e uso subcutâneo, para a apresentações com cartuchos de 1,5 ml (em embalagens com uma caneta aplicadora e seis agulhas ou duas canetas e 10 agulhas) e de 3 ml (em embalagens com uma caneta aplicadora e quatro agulhas ou duas canetas e oito agulhas).
