O fundador da Apex, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro Eduardo Siqueira foram afastados sob acusação de “gestão temerária” e “má-fé”. Segundo os sócios, a dupla não dava transparência aos balanços internos, escondendo a dimensão da dívida. Há também suspeita de que os R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback tenham sido estruturados sem lastro para bancar a compra de ações da CVC.
A nova gestão, comandada por Marcelo Murad, informou que vai pedir o bloqueio dos bens de Cinelli e a responsabilização da dupla nas esferas cível e criminal. A defesa de Cinelli divulgou nota um dia após o anúncio de seu afastamento: “O empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade”. O UOL não conseguiu contato com a defesa de Siqueira. O espaço segue aberto e o texto será atualizado em caso de manifestação.
Para se proteger de credores, a Apex pediu à Justiça uma pré-recuperação judicial. A solicitação, já concedida pelo Judiciário capixaba, garante à gestora um período de 60 dias de blindagem contra cobranças e bloqueio de bens por parte dos credores enquanto ela organiza suas contas. A petição que sustentou o pedido ressalva que a dívida de R$ 985,6 milhões é preliminar e ainda depende de comparação entre o que está registrado na contabilidade e o que foi de fato contratado com cada credor. A recuperação judicial propriamente dita não foi pedida.
O BTG Pactual, que distribuía os produtos estruturados da Apex desde 2019, rompeu o contrato de parceria assim que o escândalo veio à tona. Pelo acordo, a Apex usava a plataforma, a tecnologia e a marca do banco para vender e distribuir seus produtos financeiros a clientes, em uma relação que gerava comissões sobre o volume de recursos movimentado.
No entanto, o BTG continua ligado à Apex porque administra e custodia o fundo BRM Carbyne Crédito Estruturado FIC-FIDC. Trata-se de um fundo que investe em direitos creditórios e recebíveis de empresas estruturados pela Carbyne (divisão da Apex).
Diante de uma corrida de pedidos de resgate desse fundo motivada pelo pânico provocado pelo escândalo, o BTG suspendeu os saques. A justificativa publicada em fato relevante foi a “incompatibilidade entre a liquidez apresentada pela carteira da Classe e o volume de resgates solicitados”. O fundo tem patrimônio líquido de R$ 160,5 milhões, e o bloqueio impede que os cotistas retirem seus recursos até que a situação jurídica e contábil da Apex seja esclarecida.
