CEO do UOL: não é a IA que vai redefinir sua empresa, são suas decisões

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CEO do UOL: não é a IA que vai redefinir sua empresa, são suas decisões

Como exemplo de disciplina de investimento, ele citou o New York Times: com 12,3 milhões de assinantes digitais, a empresa apostou em pacotes e múltiplos produtos — de jogos a podcasts — para aprofundar o relacionamento direto com o usuário logado, e preferiu o litígio a um acordo rápido de licenciamento com empresas de IA. Samia usou o próprio UOL como prova de que essa disciplina compensa: lançado pela Folha de S.Paulo há 30 anos para antecipar o consumo digital de notícias, o grupo já colocou mais de 100 produtos no mercado — alguns hoje empresas independentes —, soma 18 mil funcionários e receita total de US$ 5 bilhões. Dentro dele, a UOL CS, que concentra o núcleo editorial, responde pela maior audiência da internet brasileira (75% de alcance), com 1.200 funcionários, 350 deles jornalistas, e por uma receita que deixou de depender de assinaturas — 80% do total em 2000 — para se equilibrar hoje entre assinaturas, publicidade, produtos digitais, ingressos online, mídia OOH, TV e eventos.

Tecnologia mais próxima da redação

Paulo Samia está à frente do UOL desde 2019.
Paulo Samia está à frente do UOL desde 2019. Imagem: UOL

“A IA não vai substituir seus funcionários; funcionários que usam IA vão substituir os que não usam.” Samia listou seis competências que toda empresa de mídia precisa desenvolver agora — engenharia de prompt, automação, alfabetização em dados, mentalidade de produto, análise de audiência e governança de IA — e defendeu a troca de departamentos isolados por células multifuncionais, fluxos de trabalho turbinados por IA e decisões mais rápidas e descentralizadas. No UOL, a equipe de tecnologia tem um time que se reporta diretamente à direção de conteúdo, operando dentro da redação — um exemplo, segundo ele, de como aproximar tecnologia e jornalismo acelera decisão e produto.

Na conversa com Martha Ramos, Samia aprofundou o argumento sobre marca e confiança. Disse que a tecnologia hoje permite conversas diretas com o leitor e que, com a mídia fragmentada, o caminho não é mais perseguir audiências gigantes, mas entender o nicho e entregar exatamente o que ele busca. Para ele, a marca é o ativo mais valioso de uma empresa de mídia: sem reconhecimento e credibilidade próprios, a dependência da busca do Google se torna um risco existencial. Em um cenário de fake news e deepfakes gerados por IA, o processo jornalístico rigoroso ocupa o espaço de conteúdos publicados às cegas nas redes sociais.

Para Samia, os funcionários que usam IA vão substituir os que não usam.
Para Samia, os funcionários que usam IA vão substituir os que não usam. Imagem: UOL