Cirurgia de língua presa pode aliviar a amamentação para mães e bebês, diz estudo

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Cirurgia de língua presa pode aliviar a amamentação para mães e bebês, diz estudo

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Crianças que nascem com o frênulo ou freio lingual — membrana vista quando levantamos a língua — mais curto ou espesso podem ter maior dificuldade para se alimentar e falar ao longo da vida.

É a anquiloglossia, condição mais conhecida como língua presa e que pode afetar boa parte dos recém-nascidos. “A prevalência varia de acordo com a idade, mas, no geral, está em cerca de 8%”, explica a médica Renata Cantisani di Francesco, presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

A malformação pode ser rastreada nos primeiros dias de vida, mas o diagnóstico é fechado somente após uma análise rigorosa feita por médicos pediatras e otorrinolaringologistas, dentistas e fonoaudiólogos.

“É necessária uma avaliação anatomo-funcional, ou seja, observar a anatomia do frênulo e verificar se ela está ou não atrapalhando o paciente na hora da amamentação, alimentação ou fala“, explica a fonoaudióloga Paula Fernanda Santana, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Diversos protocolos e escores são utilizados para avaliar os prejuízos.

De olho em soluções

Feito o diagnóstico, exercícios para adaptar a funcionalidade da língua podem ser orientados e, em alguns casos, pode ser necessário realizar um procedimento cirúrgico simples — que, segundo estudo da UFPE, pode trazer benefícios aos bebês e às mães.

“Trata-se da frenotomia, que pode ser realizada em qualquer idade. Ela consiste em cortar a membrana que está prendendo a língua, liberando-a para se movimentar”, descreve Santana.

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A profissional orientou um estudo com 40 famílias que confirmou o alívio. Imagens em infravermelho de antes e depois da cirurgia mostram que os músculos da boca de 67% dos bebês fizeram menos esforço com a língua “solta”, reduzindo também o desconforto de nove em cada dez mães.

O estudo é fruto do mestrado da fonoaudióloga Midiane Gomes da Silva, defendido na UFPE. O artigo foi publicado no periódico CoDAS, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

Alento ao aleitamento

A amamentação é um dos principais desafios da maternidade. E os bebês com língua presa têm maior dificuldade na pega, param mais vezes de mamar e podem até ter comprometimento no ganho de peso.

Para as mães, isso se reflete em mais dores, fissuras e risco de empedramento do leite. “O acesso ao procedimento pode prevenir complicações a toda a família”, diz Santana, do time da UFPE.

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Cuidado integral

Língua presa exige atenção multiprofissional para acompanhar o desenvolvimento da criança e o bem-estar da mãe 

Diagnóstico

A condição é rastreada pelo teste da linguinha, exame rápido e indolor que avalia o freio da língua em recém-nascidos. O procedimento é obrigatório no Brasil desde 2014, sendo realizado ainda na maternidade.

A avaliação precoce, que analisa apenas a anatomia do frênulo, pode indicar suspeita da malformação. Para fechar o diagnóstico, é preciso também olhar para a função, ou seja, se está prejudicando o desenvolvimento dos pequenos.

Cirurgia

Corte (frenotomia) ou retirada total (frenectomia) do freio lingual são feitos por dentista ou médico. A indicação é feita com base nas características anatômicas e funcionais e na idade do paciente. Crianças mais velhas e adultos com a língua presa também podem precisar dos procedimentos.

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Pós-operatório

Adaptação da alimentação e da fala da criança é acompanhada por fonoaudiólogos e médicos.

“A recuperação dura poucos dias e, se necessário, podem ser recomendados analgésicos e dieta fria e pastosa”, afirma a otorrinolaringolgista da SBP.

Apoio materno

Profissionais também podem ajudar as mães a adequar a pega na amamentação e tratar lesões nas mamas.

Consulte um especialista

A Sociedade Brasileira de Pediatria indica que a cirurgia só deve ser realizada em casos de limitações graves de movimento. Para os demais, abordagens não-cirúrgicas devem ser a primeira escolha, evitando assim procedimentos e riscos desnecessários, como sangramentos, infecções e lesões na musculatura local.