O setor está entre os mais afetados pela entrada de concorrentes, especialmente chineses, por meio de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.
Só no mês passado, foram declaradas 26,5 milhões de remessas internacionais, 74% acima das 15,2 milhões declarações de agosto de 2025. Em valor, as compras passaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, aumento de 79% em um ano.
A Abit chama a atenção ao crescimento das importações, após o fim da “taxa das blusinhas”, para cobrar equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados. A associação sustenta que a indústria nacional concorre com mercadorias estrangeiras que, especialmente nas remessas de até US$ 50, recebem tratamento tributário mais favorável e não estão submetidas aos mesmos controles e normas trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança.
“Essa assimetria já cobra um preço elevado. O aumento das remessas soma-se à forte expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno. Como resultado desse conjunto de pressões, a produção vem caindo, empregos estão sendo eliminados e investimentos são adiados ou revistos”, comenta a Abit.
No posicionamento, a associação cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a julho, que apontam quedas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em relação ao mesmo mês do ano passado.
“Não é razoável oferecer ao produto estrangeiro vantagens que não são asseguradas a quem produz e emprega no País”, ressalta a associação dos produtos têxteis. A entidade acrescenta que, enquanto importantes economias reforçam a fiscalização das plataformas internacionais e adotam medidas para proteger bases produtivas diante de grandes excedentes globais, o Brasil caminha na direção contrária.
