Colonoscopia é perigosa? Saiba por que risco de morte com exame é baixo

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Colonoscopia é perigosa? Saiba por que risco de morte com exame é baixo

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Uma mulher de 41 anos morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, em São Paulo.

Mariana dos Santos Candido passou pelo exame de rotina na terça-feira, 28, e, após as complicações, foi submetida a uma cirurgia de emergência. Apesar do procedimento, a agente de apoio escolar não resistiu e faleceu no dia seguinte, 29.

A perfuração é um tipo de complicação associado a um rompimento na parede intestinal.

O quadro pode fazer com que fezes e líquidos digestivos escapem para fora do órgão e, sem tratamento, pode provocar uma infecção grave e potencialmente fatal.

Mulher de cabelos pretos longos, com tatuagens nos braços e no peito, vestindo top preto, fazendo bico para a câmera em um ambiente interno
Mariana dos Santos Candido tinha 41 anos. (Redes Sociais/Reprodução)

Fazer colonoscopia é perigoso?

Embora casos como o de Mariana chamem atenção, médicos destacam que ocorrências desse tipo são consideradas incomuns.

Além disso, ainda que existam riscos, como em qualquer procedimento médico, os especialistas afirmam que os benefícios os superam significativamente.

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Para ter ideia, estudos calculam que perfurações em colonoscopias realizadas com finalidade diagnóstica ocorram entre 0,016% e 0,2% dos procedimentos.

Os casos até são mais comuns quando o procedimento é feito para retirar lesões pré-cancerígenas. Ainda assim, as chances seguem muito baixas, chegando a, no máximo, 5% de risco.

“Vale dizer que, normalmente, mesmo quando acontece uma perfuração, o paciente é diagnosticado e operado com sucesso. Por isso, a mortalidade em exames é extremamente infrequente“, explica Fauze Maluf Filho, endoscopista do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Outras complicações menos graves possíveis, mas também raras, são sangramento e alterações relacionadas ao preparo, como reações à sedação.

Por fim, se o risco é baixo, a precisão diagnóstica do exame é muito alta. Ele é capaz de flagrar 94,7% para câncer colorretal, permitindo tratamento e prevenção da doença em ascensão que resulta em 900 mil mortes anuais no mundo.

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Como é feita a colonoscopia?

A colonoscopia é um exame de imagem que permite a visualização do interior de todo o cólon, a parte central do intestino grosso.

Ela é a principal técnica usada para detectar doenças do intestino, especialmente o câncer, segundo tumor que mais mata no mundo.

A colonoscopia não só serve para diagnósticos, mas também pode realizar tratamentos. Isso porque ela permite retirar, durante o próprio procedimento, pólipos — pequenos crescimentos anormais na parede do intestino que, com o tempo, podem se transformar em câncer.

O teste é realizado com o uso de um tubo flexível, chamado de colonoscópio, que tem cerca de um centímetro de diâmetro.

Na extremidade final desse tubo existe uma mini-câmera, que transmite para um monitor, visualizado pelo médico, as imagens do interior do órgão.

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O paciente recebe sedação para garantir conforto durante o procedimento que, em geral, dura entre 20 e 40 minutos.

Por fim, se o médico identificar um pólipo, pode removê-lo. Para isso, utiliza pequenos instrumentos introduzidos pelo colonoscópio, como uma alça metálica que envolve a lesão e a retira.

Quando problemas podem acontecer?

Uma perfuração pode acontecer porque, durante a colonoscopia, o aparelho precisa percorrer o intestino, que tem curvas e regiões delicadas. Em alguns pacientes, a passagem pode ser mais difícil, aumentando o risco de uma lesão na parede intestinal.

Os grupos mais vulneráveis são os idosos (especialmente após os 75 anos), além de pessoas com diverticulite, doenças inflamatórias intestinais, cirurgias abdominais prévias ou outras condições que deixam a parede do cólon mais frágil.

O médico Décio Chinzon, gastroenterologista do Delboni e Alta Diagnósticos, da Dasa, e professor de Gastroenterologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que existem três principais contextos em que uma perfuração do intestino pode acontecer.

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O primeiro é o chamado “barotrauma” ou “lesão por pressão“, quando o gás usado para expandir o intestino durante o exame aumenta demais a pressão dentro do cólon e provoca uma ruptura na parede intestinal.

O segundo é a lesão mecânica, causada pelo manuseio do próprio aparelho.

“Nesse caso, o risco é maior quando há dificuldade para a passagem do colonoscópio, como em pessoas com curvas mais acentuadas no intestino ou divertículos (pequenas bolsas que surgem na parede intestinal e podem ser pontos de fragilidade)”, reforça o médico.

Já o terceiro é a lesão térmica, que pode acontecer durante procedimentos feitos para tratar alterações encontradas no exame, como a retirada de pólipos.

Nessas situações, o uso de calor para cortar tecidos ou controlar sangramentos, em casos raros, pode atingir camadas profundas do intestino.

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Riscos vs benefícios

A colonoscopia é indicada como método de rastreio para o câncer de intestino e deve ser realizada a partir dos 50 anos, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde.

Além disso, ela deve ser repetida a cada 10 anos, desde que o paciente permaneça sem sintomas e não apresente novos fatores de risco.

A recomendação muda conforme o risco individual de cada um. Por exemplo, quem tem casos de câncer de intestino na família pode precisar começar o rastreamento mais cedo ou fazer os exames com outra frequência, conforme avaliação médica.

Mariana, por exemplo, iniciou o rastreio aos 41 anos, pois o pai faleceu com a doença, segundo informou a imprensa.

Pesquisas deixam claro que adiar ou evitar a colonoscopia é muito mais perigoso para a saúde a longo prazo do que realizar o procedimento.

Diversas análises colocam o câncer colorretal como um dos tumores que mais tem crescido nos últimos anos, especialmente entre pessoas com menos de 50 anos.

Na rede privada, por exemplo, os atendimentos para essa doença cresceram 80% em um período de 8 anos, segundo pesquisas.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que o país tem cerca de 45 mil novos casos por ano.

Esse aumento, inclusive, tem sido relacionado a aspectos do estilo de vida moderno, como consumos de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e taxas de obesidade.

Por sua vez, o exame é considerado seguro e aplaudido por seus benefícios, como a detecção e a retirada de pólipos que podem evoluir para câncer, além do diagnóstico de doenças intestinais.

A indicação e a realização por profissionais treinados ajudam a reduzir ainda mais a chance de problemas e garantir o sucesso desse exame, que é indispensável.

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