VIROU RÉU: TH Joias, o ex-deputado do MDB-RJ, e mais quatro acusados de formar uma organização do Comando Vermelho infiltrada na Alerj

VIROU RÉU: TH Joias, o ex-deputado do MDB-RJ, e mais quatro acusados de formar uma organização do Comando Vermelho infiltrada na Alerj

Rio de Janeiro, 14/09/2026. A denúncia do Ministério Público Federal foi aceita e agora é processo. A 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) decidiu, nesta quinta-feira (10), por unanimidade — seis votos —, tornar réus o ex-deputado estadual TH Joias (Thiego Raimundo de Oliveira Santos), do MDB-RJ, e outros cinco acusados por envolvimento em um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho, investigado na Operação Zargun.

Quem virou réu e por quê

Além do ex-parlamentar, a denúncia foi recebida contra Gabriel Dias de Oliveira (conhecido como “Índio”), Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (“Dudu”), o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado de Polícia Federal Gustavo Stteel. Os crimes atribuídos, segundo o MPF:

AcusadoCrimes atribuídos na denúncia
Thiego R. de Oliveira Santos (TH Joias)Organização criminosa majorada; tráfico de drogas (3x); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x); comércio ilegal de arma de fogo e munições
Gabriel Dias de Oliveira (“Índio”)Organização criminosa majorada; tráfico internacional de armas (4x); comércio ilegal de arma (6x); posse/porte ilegal de arma de uso restrito (2x); disparo de arma de fogo; tráfico de drogas (4x); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x)
Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (“Dudu”)Organização criminosa majorada; tráfico internacional de armas; comércio ilegal de arma (6x); posse/porte ilegal de arma de uso restrito; tráfico de drogas (4x); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x)
Alessandro Pitombeira CarracenaOrganização criminosa majorada; corrupção passiva (7x)
Gustavo StteelOrganização criminosa majorada; corrupção passiva (6x)

Uma facção com endereço institucional

O que o MPF descreve na denúncia não é uma quadrilha de rua: é uma estrutura que infiltrou integrantes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e em secretarias estaduais para atuar no comércio ilegal de armas trazidas às comunidades do Rio a partir do Paraguai. O esquema envolvia, segundo a acusação, ocupação de cargos públicos, vazamento de dados policiais e facilitação de vantagens ilícitas.

E há um item que chama atenção pela sofisticação: o grupo importou clandestinamente bloqueadores de sinal de drone — equipamento de uso proibido para pessoas físicas e empresas — para sabotar e evitar o monitoramento das forças de segurança durante operações policiais. Não é crime improvisado: é investimento em tecnologia para cegar o Estado.

TH Joias também é réu no STF

Este não é o único processo penal de TH Joias ligado à Operação Zargun. Em agosto, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, tornar réus TH, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, Jéssica de Oliveira Santos — esposa de TH — e Thércio Nascimento Salgado. Nesse processo, os acusados respondem por obstrução de investigação.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sigilosas sobre a Operação Zargun, permitindo que TH — então deputado estadual e um dos principais alvosretirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais. A PGR afirma que os acusados agiram em conjunto para repassar informações sigilosas e, assim, dificultar a investigação de uma organização criminosa envolvida com tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro.

A conta final: um ex-deputado estadual e um delegado da Polícia Federal sentam no mesmo banco dos réus, na mesma denúncia, por formarem com o Comando Vermelho uma estrutura com ramificação dentro da Alerj e de secretarias estaduais — com corrupção ativa 13 vezes, contrabando 11 vezes e bloqueadores de drone para cegar a polícia. E há um segundo processo, no STF, por vazamento que teria permitido esvaziar a casa dele antes da operação. Em ambos, o réu é o mesmo: quem se elegia para legislar virou réu por organizar.