No dia em que a direita baiana tomou o Farol da Barra para o tradicional ato de 7 de Setembro, a cadeira que mais fez falta não estava no palco: João Roma (PL), candidato ao Senado, e a esposa, Roberta Roma, simplesmente não apareceram. A ausência do casal — ele, o nome mais forte do PL no estado; ela, peça central da máquina — caiu como um balde de gua fria num evento que reunia justamente o eleitorado que Roma precisa para chegar ao Senado.
E o que ficou da presena do candidato? Um udio curto enviado pelo celular no final dos discursos. O pleno do Farol, os discursos, a energia da rua — e o representante da chapa participou por mensagem de voz, como quem responde grupo de família no domingo.
O pano de fundo: os bastidores que ja no confiam
A falta no ato no caiu no vazio. Setores do bolsonarismo baiano j criticavam a atuao do casal na divulgao da candidatura de Flvio Bolsonaro Presidncia no estado, cobrando maior exposio do nome do senador na campanha estadual. A ausncia no 7 de Setembro funcionou como gasolina no fogo: para os crticos internos, a conta simples — o evento reunia a base da direita em massa na capital, e os Rs deram uma no-show.
A ironia tem data precisa: um dia antes, Roma divulgou um vdeo ao lado de Flvio Bolsonaro, no qual o prprio candidato Presidncia pedia votos para Roma na disputa pelo Senado. Apoiar em vdeo no sbado, faltar em pessoa no domingo. Na poltica baiana, isso tem nome: presena seletiva — aparece onde tem cmara programada, falta onde a rua cobra espontaneidade.
A defesa: a agenda em Juazeiro
Segundo informaes da reportagem de Política Livre, Roma j tinha agenda previamente marcada em Juazeiro, no norte do estado, com a chapa majoritria encabeçada por ACM Neto (Unio Brasil) ao governo. Se for verdade, desculpa legtima — e, ao mesmo tempo, o retrato exato do dilema do candidato.
Porque isso que os bastidores apontam: Roma foi cumprir agenda com a chapa de ACM Neto — o mesmo que, nesta mesma semana, amanheceu no centro do escndalo da delao de Vorcaro, acusado de receber 10% sobre aportes de previdncias no Banco Master. O candidato ao Senado do PL, partido de Flvio Bolsonaro, trocou o ato do 7 de Setembro por uma agenda com o candidato do partido que concorre com o bolsonarismo dentro da prpria direita baiana. Para quem esperava v-lo ao lado dos patriotas no Farol, a prioridade ficou clara: o palanque majoritrio falou mais alto que o bandeiro.
O duplo jogo que irrita os dois lados
O episódio exps o desconforto que cresce nas duas pontas:
- Do lado bolsonarista, a cobrana direta: o sobrenome Roma colhe votos com a marca Bolsonaro, mas a exposio de Flvio na campanha estadual nunca suficiente — e agora sumiu no dia em que a base estava reunida.
- Do lado da chapa de ACM Neto, Roma precisa do Senado para existir — mas cada vez que atende um lado, acende uma luz amarela no outro.
O resultado o pior dos mundos para um candidato: no 7 de Setembro, os patriotas que foram ao Farol tiveram de se contentar com um udio no celular, enquanto a vaga que Roma disputa no Senado passou a ser disputada tambm pelos prprios aliados — como o anncio da vinda de Flvio Bolsonaro a Salvador no dia 17, articulada por outro nome da chapa, Leandro de Jesus. Quando o aliado do seu padrinho poltico marca agenda na sua cidade sem voc, a mensagem no s sobre agenda.
A conta final
Candidato ao Senado no se elege no vdeo de 20 segundos com o favorito das pesquisas; elege-se na rua, no calor do 7 de Setembro, no Farol da Barra cheio. Roma escolheu Juazeiro — e, seja por agenda real ou por clculo, deixou o palco vazio justamente para quem j duvidava dele. Um udio no final do ato o suficiente para pedir desculpas. Para pedir voto, costuma ser preciso ir.
