Com guerra prolongada no Irã, norte-americanos preveem mais caos no Oriente Médio, diz pesquisa

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Com guerra prolongada no Irã, norte-americanos preveem mais caos no Oriente Médio, diz pesquisa


Donald Trump diz que o Irã só tem mais uma chance para negociar a paz
Após cinco meses de guerra dos Estados Unidos contra o Irã, os norte-americanos que acreditam que o Oriente Médio está caminhando para o caos superam, em uma proporção de três para um, aqueles que consideram que a guerra trará mais estabilidade, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.
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O levantamento, realizado durante seis dias, foi concluído na segunda-feira (3), no momento em que o presidente republicano Donald Trump mais uma vez recuou da ameaça de “ataques massivos” contra o Irã, ressaltando a incerteza em torno de um conflito que ele inicialmente previa que traria uma vitória rápida.
Os números apontam que:
50% dos entrevistados acreditam que a ação militar dos EUA no Irã desestabilizará o Oriente Médio no próximo ano.
16% afirmaram que a estabilidade permanecerá praticamente a mesma
17% disseram não ter certeza ou não responderam à pergunta.
Os republicanos, em contraste com seu apoio geral a Trump, estão profundamente divididos quanto à forma como veem o desenrolar de sua guerra com o Irã.
Os norte-americanos também se mostraram pessimistas em relação aos preços da gasolina, que subiram à medida que o Irã restringiu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo.
Embora 80% deles aprovem o desempenho de Trump como presidente e 66% apoiem sua maneira de lidar com o Irã, menos da metade — 41% — acredita que a estabilidade no Oriente Médio melhorará no próximo ano como resultado da guerra.
Cerca de 58% afirmaram esperar que os preços da gasolina piorem, enquanto apenas 15% esperam uma melhora.
Os entrevistados demonstraram visões igualmente sombrias sobre a invasão russa da Ucrânia, com a maioria temendo que a situação piore nos próximos anos, além de expressarem preocupações com o surgimento de novos conflitos em outras partes do cenário mundial.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
Risco político
Os resultados destacam os riscos políticos para Trump e seus colegas republicanos, que buscam defender suas estreitas maiorias no Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.
Trump voltou ao cargo em janeiro de 2025 prometendo evitar “guerras estúpidas”, uma mensagem que ressoou entre os eleitores cansados das duas décadas de guerra que se seguiram aos ataques da Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001.
A guerra levou a ataques iranianos com mísseis e drones contra países vizinhos e a navios comerciais, além de ter desencadeado novos confrontos no Líbano, cuja intensidade diminuiu desde a trégua mediada pelos EUA.
Os houthis no Iêmen, apoiados pelo Irã, também ameaçaram a navegação saudita que transita pelo estreito de Bab al-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho.
David Schenker, que atuou como principal responsável pelo Oriente Médio no Departamento de Estado durante o primeiro mandato de Trump, diz à agência de notícias Reuters que os efeitos econômicos poderiam persistir mesmo que os combates terminassem rapidamente.
No entanto, afirma que não é certo que a guerra resulte em um Oriente Médio mais instável, argumentando que os ataques dos EUA e de Israel enfraqueceram significativamente as capacidades militares do Irã e a rede regional de grupos aliados.
“Não creio que haja uma compreensão da natureza da degradação das capacidades do Irã, que é significativa”, disse Schenker, que atualmente trabalha no Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo.
A guerra, que Trump iniciou junto com Israel no final de fevereiro, custou aos contribuintes norte-americanos pelo menos US$37,5 bilhões, matou 18 militares norte-americanos e causou a morte de milhares de iranianos.
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