Essa mudança mexe com uma engrenagem bem-sucedida do marketing. Bancos venderam a casa que representaria estabilidade. Automóveis, ascensão. Educação, carreira. Luxo, sucesso. Beleza, transformação. Consumir também significava encurtar a distância entre a vida que se tinha e aquela que se imaginava alcançar.
A publicidade se tornou especialmente boa em dar forma a esse “depois”. Só que essa lógica depende de uma condição essencial: acreditar que ele vai chegar. Quando essa confiança diminui, o desejo não desaparece. Ele muda de escala.
A WGSN chama essa mudança de “minorstones”. Em oposição aos tradicionais “milestones” —casamento, casa própria, filhos, grandes promoções— conquistas menores, pessoais e alcançáveis passam a concentrar mais significado.
Quitar uma dívida, sair de um emprego ruim, fazer uma viagem, completar uma corrida ou celebrar o aniversário de um animal de estimação. Não significa desistir dos grandes projetos, mas não reservar toda a sensação de progresso para um futuro que pode demorar demais.
Há uma mudança cultural importante aí. O sucesso não desapareceu. Mudou de lugar. Quando deixa de obedecer a uma sequência prescrita, também se torna mais pessoal. “Onde eu deveria estar aos 30?” passa a disputar espaço com uma pergunta mais íntima: “o que faz minha vida valer a pena agora?”.
Para marcas acostumadas a vender a próxima versão de nós mesmos, essa diferença importa muito.
