A indústria cobra maior equilíbrio nas contas federais para impedir que a Selic contenha sozinha a subida de preços. Para o setor, as taxas elevadas aumentam o custo do capital, adiam a modernização de fábricas e limitam a capacidade de o Brasil competir internacionalmente. “Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária”, diz o economista-chefe da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), João Gabriel Pio.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) classificou o corte como tímido. A entidade alertou que o custo do crédito elevado segue sufocando o orçamento de empresas e famílias. As taxas de dois dígitos minam as contratações e atrasam a modernização das linhas de produção do estado, afirma. “Juros elevados por tempo prolongado, somados ao descontrole dos gastos públicos, sufocam famílias e empresas, travando os investimentos e a retomada do crescimento do Brasil”, afirma o presidente da entidade, Paulo Skaf.
Já o comércio alerta que os gastos públicos federais em ano eleitoral limitam o espaço para novos cortes. A federação comercial paulista sustentou que a redução de 0,25 ponto não decorreu de melhora macroeconômica, mas da preservação da credibilidade técnica da diretoria do Banco Central. “Com a continuidade da política fiscal expansionista, a fragilidade das contas públicas e um ambiente de inflação acima da meta, o BC acaba obrigado a manter os juros altos por mais tempo, reduzindo a eficácia da política monetária e elevando o custo social do controle inflacionário”, avalia a FecomercioSP em nota.
Para os representantes do comércio paulista, o corte atual de juros será temporário se a equipe econômica não contiver as despesas obrigatórias. “Juros estruturalmente mais baixos só serão possíveis com um ajuste fiscal consistente”, conclui a entidade.
O segmento supermercadista diverge das demais entidades ao acusar a política monetária de favorecer o ganho financeiro em detrimento do consumo. O varejo de alimentos defendeu que a inflação brasileira está sob controle e que existia espaço para um alívio mais veloz na taxa básica. “Acreditávamos que havia espaço, inclusive, para um corte mais acentuado”, afirma o economista-chefe da Apas (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Felipe Queiroz.
Os investimentos produtivos perdem espaço para aplicações financeiras quando a Selic está alta. A associação que representa os supermercados paulistas alertou que a manutenção da taxa de juros real no patamar atual prejudica o consumo das famílias e freia a expansão do comércio de alimentos de médio e longo prazo. “Hoje, é um estímulo muito maior ao rentismo do que à produção. Um estímulo muito maior a poupar do que, necessariamente, estimular o nível de atividade econômica”, afirma Queiroz.
