Apesar de toda a bravata dos líderes iranianos após resistirem a quase seis meses de conflito e fecharem efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo, eles enfrentam uma pressão crescente no país que pode resultar em agitação em todo o território nacional, segundo três autoridades iranianas.
As autoridades, dois especialistas em política, um ex-funcionário iraniano e vários iranianos comuns conversaram com a Reuters para esta reportagem sob condição de anonimato, seja por medo de retaliação, seja porque não estão autorizados a falar com a mídia.
O Irã entrou na guerra com alta inflação, moeda enfraquecida, escassez de energia, sanções e profundas fragilidades estruturais, e agora precisa lidar com infraestrutura danificada, comércio interrompido, perda de produção e o custo da reconstrução.
Arshia, engenheiro civil, passou uma década trabalhando no setor de construção civil do Irã antes que a guerra — que começou com os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro — paralisasse praticamente todos os projetos.
Ele agora enfrenta dificuldades para encontrar trabalho, já que os projetos estão atrasados ou cancelados e os custos disparam, com poucas perspectivas de uma recuperação rápida.
“Estou preocupado. Se Trump impuser mais sanções, como as pessoas comuns vão sobreviver? Não quero que meu país seja punido militar ou economicamente. Já estamos passando por dificuldades”, disse o pai de dois filhos, morador da cidade de Isfahan, na região central do país.
