Dos apostadores, 53% já atrasaram contas para jogar em bets, diz estudo

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Dos apostadores, 53% já atrasaram contas para jogar em bets, diz estudo

Cerca de 80% dos participantes concordam que a atividade vicia. Sinais de descontrole financeiro ou emocional afetam 15% dos apostadores brasileiros. Dentro desse grupo, 6% sentem o impacto negativo de forma frequente e 9% relatam problemas esporádicos.

Não estamos falando mais de um comportamento esporádico ligado a grandes eventos, mas de um hábito recorrente, quase parte da rotina financeira das famílias. É preciso pensar em mecanismos de proteção financeira e emocional, pois a percepção de risco, sozinha, não basta para mudar o comportamento de consumo. Ligia Mello, diretora de estratégia da Hibou

Brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões em bets em 2025. Segundo dados do Ministério da Fazenda, deste total, cerca de R$ 36,9 bilhões se transformaram em perdas de apostadores que se converteram em receita bruta. O restante, R$ 183,7 bilhões, foi destinado ao pagamento de prêmios e oferta de bônus sacáveis.

O que diz o setor de apostas

Endividamento dos jogadores ocorre antes das apostas, e não o contrário, afirma Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e sócio do escritório Betlaw. Ele diz que, diferentemente do que mostra o estudo, muitos brasileiros já endividados buscam as apostas como solução financeira rápida, quando a atividade deveria servir apenas como entretenimento. Destaca que dados do Desenrola Brasil, do governo federal, mostram que apenas 3% dos apostadores aderiram ao programa de renegociação de dívidas, indicando que 97% do setor não estava em situação de extrema inadimplência.

Pesquisa apresenta falhas graves de metodologia e amostragem, segundo o advogado. Freire destaca que o levantamento com as classes ABCD excluiu a classe E, que é o grupo mais vulnerável a oscilações financeiras. Além disso, ele afirma que os percentuais de 53% e 59% de contas atrasadas foram calculados em cima de uma subamostra de cerca de 930 apostadores, e não do total de 2.470 entrevistados, o que amplia de forma significativa a margem de erro real. Também alerta que a pesquisa não diferencia apostadores de bets legalizadas e os que recorrem ao mercado ilegal.