Ministro disse que, no agregado, indicadores não sustentam a leitura de uma crise disseminada no setor. Ele citou dados de vendas do varejo, faturamento de shopping centers e geração de empregos como sinais de atividade, além de mudanças de hábito desde a pandemia com avanço do comércio eletrônico.
Durigan também afirmou que, em comparação histórica, não houve aumento generalizado de falências e recuperações judiciais no país. Segundo ele, os processos teriam recuado e o varejo aparece atrás de setores como a indústria.
O governo e o cenário fiscal
Ao comentar o ambiente de incerteza, Durigan afirmou que o governo pretende reforçar o compromisso com o controle das contas públicas. “A crise que se coloca, que se quer pintar, é de expectativa, que a trajetória da dívida não acomoda nos próximos anos. Então, o que nós vamos sinalizar é a manutenção de uma regra fiscal que garante necessariamente que a despesa pública vá crescer menos do que a receita”, disse ao Valor Econômico.
O ministro afirmou que o governo vai seguir ajustando o arcabouço fiscal para melhorar o resultado das contas e ajudar a política monetária. “Vamos seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal. É trabalho do ministro da Fazenda colaborar com a política monetária, fazendo o seu papel do lado da política fiscal”, disse na entrevista.
Ele disse que a revisão de gastos obrigatórios está no radar, mas negou que haja uma proposta pontual fechada em discussão com o mercado. “Isso não significa proposta específica daquilo para além do que nós estamos sinalizando. A revisão do gasto obrigatório está colocada, nós já temos feito isso”, afirmou.
