É preciso parar os maus robôs

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É preciso parar os maus robôs

É uma ideia que a WAN-IFRA, a Associação Mundial de News Publishers, endossa sem reservas e que os legisladores de todo o mundo deveriam adotar. No Brasil, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) apoia iniciativas semelhantes.

Para os editores de notícias, as consequências da invasão atual de bots são cada vez mais graves. Agentes do mal usam bots ruins para roubar conteúdo de notícias —inclusive por trás de paywalls— para depois colocá-lo no que os analistas de mídia chamam de um mercado de revenda de bilhões de dólares, no qual os desenvolvedores de IA compram dos proprietários dos bots, e não dos jornalistas e editores. Eles então usam o jornalismo roubado para criar produtos substitutos que competem diretamente com os sites dos editores.

Nas palavras de A.G. Sulzberger, publiher do The New York Times: “Esse roubo não está acontecendo apenas porque os editores estão deixando seus brinquedos espalhados no gramado; está acontecendo quando eles estão trancados em segurança dentro de casa”.

Bots ruins não convidados podem atingir páginas milhões de vezes em um único dia, deixando os sites mais lentos para os leitores humanos e potencialmente gerando cobranças extras de largura de banda ou até mesmo apagões totais.

Em agosto de 2025, um site de tecnologia do Reino Unido foi tirado do ar após ser raspado (scraped) 1,6 milhão de vezes em um único dia. O problema só aumentou desde então: a Wikimedia Foundation, que hospeda a Wikipédia, agora bloqueia ou restringe cerca de um quarto de todas as requisições automatizadas que atingem sua infraestrutura, totalizando bilhões de requisições por dia de rastreadores que ignoram suas políticas de acesso.

Esse novo fluxo de tráfego está mudando a própria composição da internet e, no processo, criando um fardo financeiro significativo para as redações, tanto grandes quanto pequenas. Os editores tentaram impedir esses bots por conta própria implantando bloqueadores sofisticados, mas é quase impossível detê-los quando bots maliciosos conseguem se disfarçar e agir com impunidade. Os provedores de notícias locais, que já operam com margens estreitas, não podem arcar com os custos técnicos mais elevados.