Encceja 2026: leia exemplos de redação com boas notas

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A redação no Encceja 2026 é uma das provas que fazem parte do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

Os candidatos farão a prova no domingo, 23 de agosto. O texto deve ser escrito no gênero dissertativo-argumentativo, seguindo uma proposta de tema. 

Os temas do Encceja são de interesse público e abordam um debate social. Na última edição, a modalidade do ensino médio cobriu o tema de vícios em apostas na internet, enquanto os participantes do fundamental escreveram sobre a importância das creches.

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Exemplos de redações com boas notas no Encceja

Leia, a seguir, exemplos de redações com boas notas no Encceja, segundo a cartilha de redação divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep):

Redações do Encceja do Ensino Médio

Candidato: Francisco Eduardo Nascimento Bezerra

Segundo o mestre educador Paulo Freire, a educação sozinha não muda a sociedade, mas, sem ela, tampouco a sociedade muda. A afirmação se torna extremamente importante no cenário brasileiro, visto que a falta de educação financeira tem causado diversos impactos à sociedade, como o aumento alarmante no número de usuários de apostas na internet. As apostas on-line podem gerar vícios, que levam ao gasto desenfreado e causam problemas financeiros, o que, por consequência, pode desencadear problemas de saúde mental. Logo, o Estado deve intervir a fim de mitigar os danos provocados pelas “bets”.

Os jogos de aposta já fazem parte do dia a dia do brasileiro, sendo divulgados nos meios de comunicação mais consumidos e propagados como forma de diversão. No entanto, essa “diversão” pode custar caro ao usuário. É o que apontam dados levantados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Em uma pesquisa feita com usuários de “bets”, a instituição constatou que 41% deles teriam gasto seu dinheiro com diversão e lazer caso as apostas não existissem. Nesse sentido, a omissão do Poder Público em relação aos jogos de azar digitais deve ser combatida, e medidas que amparem as pessoas afetadas pelo vício precisam ser tomadas.

O problema se agrava visto que as casas de apostas, como são chamados os sites que oferecem essas plataformas, trabalham com um sistema que pode estimular o usuário a continuar apostando em busca de recuperar uma quantia perdida anteriormente. Esse padrão pode levar a problemas de saúde mental e tem capacidade de agravar casos já existentes de depressão e ansiedade, tornando-se uma ameaça à saúde pública no Brasil. Portanto, é necessário adotar medidas para garantir que os brasileiros tenham conhecimento dos danos causados pelas apostas e sejam conscientizados sobre os riscos associados a esse tipo de prática.

Sob esse viés, o Ministério da Saúde deve disponibilizar, no SUS (Sistema Único de Saúde), profissionais de saúde mental capacitados para atender pacientes que fazem uso problemático de “bets”, buscando tratar o vício e conscientizá-los sobre os males das apostas. Além disso, o Ministério da Educação, por meio das escolas, deve promover palestras e dinâmicas que mostrem a média de gastos mensais de uma pessoa com apostas e o que poderia ser adquirido com esse dinheiro caso ele não fosse utilizado nas plataformas. Essas ações devem ser realizadas a fim de conscientizar a população, prevenir o desenvolvimento do vício e combater os impactos causados pelas apostas on-line no Brasil.

Candidata: Jackeline Vitoria Lima da Silva

A Constituição Federal de 1988 — norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro — assegura os direitos e o bem-estar da população. Entretanto, quando se observa a deficiência de medidas para combater o vício em apostas na internet, percebe-se que esse princípio é constatado na teoria, mas não é efetivamente aplicado na prática. Nesse contexto, a problemática relaciona-se não só à desigualdade social, mas também à manipulação midiática diante desse cenário alarmante.

Em primeiro plano, é importante pontuar a baixa atuação das autoridades governamentais. Sob a perspectiva de São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática, todos têm o mesmo valor e devem ter seus direitos e deveres assegurados pelo Estado. Nesse sentido, devido à baixa atuação estatal, a desigualdade social contribui para a perpetuação desse cenário. Pessoas mais pobres, que se veem sem recursos financeiros, tendem a ser um público-alvo das plataformas de apostas, pois encontram nelas uma esperança de ganhar dinheiro sem precisar de formação acadêmica ou de um emprego formal. Diante disso, faz-se necessária a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Por outro lado, a manipulação midiática também pode ser apontada como promotora do problema. Segundo Steve Jobs, “a internet move o mundo”, o que evidencia o grande impacto que a mídia digital exerce sobre os pensamentos da sociedade. Nesse contexto, influenciadores que se beneficiam financeiramente ao divulgar jogos de apostas contribuem para a banalização do problema, tratando-o de maneira irresponsável e sem considerar suas consequências sociais. Destarte, essa prática retarda a resolução do empecilho, já que a manipulação midiática cria barreiras que não favorecem a redução desse cenário preocupante.

Portanto, são necessárias a reformulação da postura estatal e a conscientização social para combater o vício em apostas on-line. Cabe ao Tribunal de Contas da União, em parceria com o Ministério das Comunicações, direcionar recursos para a criação de campanhas educativas e para o desenvolvimento de medidas de fiscalização das plataformas de apostas. Além disso, o Poder Público deve estabelecer limites para os valores que podem ser apostados, a fim de reduzir os impactos financeiros e sociais dessa prática. Dessa forma, será possível combater gradativamente o vício em apostas e, a médio e longo prazo, garantir que os preceitos constitucionais sejam efetivamente colocados em prática.

Candidato: Leonardo Mori Vicente 

A série televisiva sul-coreana Round 6 retrata a realidade de centenas de indivíduos que, descontentes com sua situação financeira, apostam a própria vida em jogos na expectativa de receber uma grande quantia de dinheiro, mas não obtêm o retorno desejado. Na sociedade brasileira, o crescente vício em apostas na internet representa cenário semelhante, o que torna urgentes estratégias para enfrentá-lo. As principais vítimas são pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que buscam retorno monetário por meio das apostas e acabam desenvolvendo dependência. Além disso, a negligência na aplicação da legislação impede que esse problema seja efetivamente combatido.

Diante dessa perspectiva, nota-se que os principais afetados são aqueles com piores condições financeiras, os quais veem nas apostas uma esperança de melhorar sua situação por meio da promessa de retorno econômico. Entretanto, devido à dinâmica das plataformas, que favorece a continuidade das apostas e pode resultar em perdas financeiras, esse retorno frequentemente não se concretiza. Ainda assim, os usuários são estimulados a tentar novamente para recuperar o valor perdido, gerando um ciclo de dependência. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 60% da população vive com renda mensal de até R$ 1.396, valor insuficiente para cobrir todas as despesas mensais. Por isso, esse grupo pode ser facilmente atraído pela expectativa de lucro proporcionada pelos jogos de aposta, contribuindo para a perpetuação do cenário de dependência.

Ademais, a legislação falha em reduzir o entrave, pois sua aplicação não ocorre de maneira efetiva. Apesar da existência da Lei das Contravenções Penais, que estabelece restrições aos jogos de azar, sua aplicação mostra-se insuficiente diante da expansão das plataformas digitais. Isso pode ser observado na forma como influenciadores digitais com grande número de seguidores e amplo alcance são pagos para divulgar plataformas de apostas. Devido à credibilidade que transmitem ao público, esses criadores de conteúdo podem contribuir para atrair novos usuários para a prática, enquanto a fiscalização e a responsabilização dos envolvidos ainda são insuficientes. Como resultado, amplia-se o problema do vício em jogos de apostas on-line.

Portanto, para combater os problemas supracitados, é necessário que o Governo Federal, instância responsável pela formulação de políticas em âmbito nacional, garanta a aplicação eficaz das normas relacionadas aos jogos de azar, por meio do fortalecimento da fiscalização sobre o patrocínio de influenciadores digitais e da divulgação de plataformas de apostas, a fim de evitar que esses serviços sejam apresentados como ferramentas lucrativas, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Dessa forma, será possível reduzir a exposição da população às apostas on-line e, consequentemente, combater o avanço do vício em jogos de azar no Brasil.

Redações do Encceja do Ensino Fundamental

Candidato: Ester Araujo Selma

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso à creche deve ser garantido pelo Estado. Esse direito não é somente importante para a educação das crianças, mas também é essencial para o desenvolvimento de uma sociedade mais preparada e organizada. No século XVIII, apesar de inicialmente simplória, a criação das creches foi um marco importante, pois, além de proporcionar educação, cultura e um ambiente saudável para as crianças, também possibilita melhores condições financeiras para seus responsáveis. Afinal, quando os pais têm um lugar seguro para deixar os filhos, podem buscar melhores oportunidades no mercado de trabalho.

Nesse sentido, é necessário destacar que o acesso às creches também contribui para a garantia dos direitos das mulheres, visto que, em grande parte dos casos, elas assumem responsabilidades relacionadas à criação dos filhos. Dessa forma, quando uma criança não tem acesso a uma instituição de educação infantil, a mãe pode enfrentar dificuldades para ingressar ou permanecer no mercado de trabalho, o que prejudica a renda familiar. Além disso, a qualidade dessas instituições é fundamental para que o direito à educação infantil seja efetivamente garantido. Para isso, é necessário contar com bons profissionais, recursos educativos, cuidados básicos, estímulos ao desenvolvimento cognitivo e diálogo com as famílias. Assim, a existência de creches públicas e de qualidade contribui tanto para o desenvolvimento infantil quanto para a autonomia financeira das famílias.

Portanto, é imprescindível o investimento do Governo Federal em creches e instituições responsáveis pelo cuidado e pela educação de crianças, por meio do Ministério da Educação, órgão responsável pela criação e implementação de políticas públicas educacionais. Para isso, o Ministério deve ampliar a oferta de vagas e destinar recursos à melhoria da infraestrutura e à capacitação dos profissionais, a fim de garantir o desenvolvimento intelectual e social das crianças e possibilitar melhores condições para que seus responsáveis ingressem ou permaneçam no mercado de trabalho. Dessa maneira, o Brasil poderá avançar rumo a uma sociedade mais organizada, igualitária e com melhores condições educacionais.

Candidata: Gabriely de Jesus Dias da Costa

Atualmente, no Brasil, é relevante discutir a importância das creches para a sociedade brasileira, pois elas não são apenas locais destinados à permanência das crianças, mas também espaços de aprendizado e convivência. Além disso, representam uma oportunidade de desenvolvimento para as mães, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Dessa forma, a ampliação do acesso a essas instituições pode contribuir para o desenvolvimento infantil e para uma maior qualidade de vida das famílias.

Primeiramente, devemos destacar que as creches não são apenas locais para as crianças permanecerem, uma vez que, nesses espaços, elas têm acesso à educação desde cedo, além de brincadeiras e interações sociais. Sendo assim, por meio da atuação de profissionais qualificados, as crianças podem desenvolver diferentes habilidades durante a primeira infância. Esse processo é importante para sua formação e para sua integração com a sociedade.

Dessa maneira, as famílias e, principalmente, as mães, passam a ter mais tempo para seu desenvolvimento pessoal e profissional. O peso dos cuidados com os filhos tende a ser maior sobre a figura feminina, o que pode dificultar diversos aspectos da vida das mulheres. Logo, o acesso às creches possibilita que elas tenham maior disponibilidade para se dedicar a outras áreas de suas vidas, como os estudos e o mercado de trabalho, contribuindo para sua autonomia.

Portanto, para ampliar o acesso às creches e garantir que mais pessoas possam usufruir de seus benefícios, as prefeituras e os administradores municipais devem promover campanhas públicas e investir na construção e ampliação de creches públicas. Essa medida deve ocorrer por meio da destinação de recursos para a criação de novas vagas e para a melhoria da estrutura dessas instituições, com a finalidade de atender ao maior número possível de crianças e famílias. Dessa forma, será possível favorecer tanto o desenvolvimento infantil quanto a autonomia das mães.

Corrija sua redação do Encceja de graça

O Corrige Aqui é a ferramenta de correção gratuita de redações do Brasil Escola. Todo mês o usuário conta com uma proposta de redação que segue o padrão exigido em provas do Encceja, vestibulares e do Enem. Ou seja, um tema que seja de interesse público e que envolva um debate social.

Para enviar a redação, é necessário registrar uma conta no site do Brasil Escola. Após cadastrado, basta conectar-se com os dados de acesso na área do estudante da página do Vestibular.

Na página de orientações do Corrige Aqui, você encontra todo o passo a passo sobre como funciona o serviço de correção, bem como os diferenciais da ferramenta.

plataforma de preparação de produção textual permite até três envios por mês na opção de temas alternativos.

Acesse o Corrige Aqui!

É possível também escolher a proposta de tema para enviar o texto. Neste caso, basta que o estudante escreva no campo indicado qual o tema que ele deseja ter o texto corrigido.

A correção do texto do tema mensal pode ser feita pela equipe de professores ou de forma instantânea utilizando a Iara, a Inteligência Artificial do Brasil Escola. Lembrando que o sistema segue todos os padrões e competências de avaliação utilizados no Enem. 

 

Por Lucas Afonso
Jornalista