Irã também ameaça reagir
Teerã, por sua vez, rejeita a ofensiva americana e ameaça retaliar países que colaborarem com o esforço para isolar economicamente o país. O governo iraniano já enfrenta sanções internacionais há décadas. Mesmo com as restrições, porém, a economia do país mantém canais de comércio com parceiros como China, Rússia, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
O governo Trump pretende justamente fechar essas brechas. A Casa Branca afirma que a nova operação busca atingir setores que permitem ao Irã obter receitas e movimentar recursos no exterior. Entre os alvos estão criptomoedas utilizadas por integrantes do regime, tecnologias relacionadas a armamentos, ouro, companhias aéreas e transporte marítimo ligado a petróleo e componentes militares.
Trump afirmou que o Irã estaria em “colapso total” e que as novas medidas representam uma etapa decisiva da campanha contra Teerã. Bessent, por sua vez, descreveu a operação como uma das maiores ofensivas financeiras já lançadas contra um adversário.
Mas a efetividade da estratégia ainda depende de uma decisão que Washington não tomou: até onde está disposto a ir contra os parceiros comerciais do Irã. Se a China continuar comprando petróleo iraniano e mantendo relações econômicas com Teerã, Trump terá de escolher entre aplicar sanções contra empresas e instituições chinesas e correr o risco de ampliar o confronto com Pequim ou evitar uma punição que poderia comprometer a credibilidade do próprio ultimato.
Por enquanto, portanto, o “Dia D econômico” representa mais uma ameaça do que um bloqueio completo. Os Estados Unidos já ampliaram as sanções contra o Irã, mas o sucesso da estratégia de isolamento dependerá da disposição de outros países em abandonar Teerã — sobretudo da China, que é justamente o parceiro que Washington terá mais dificuldade para pressionar.
