Os chamados golpes de engenharia social — quando há contato com a vítima — causaram prejuízos de R$ 51 bilhões no ano passado. São golpes de Pix, boletos, compras e investimentos falsos. Segundo o Anuário de Segurança Pública, 1 em cada 3 brasileiros já foram vítimas desse tipo de golpe.
No caso do golpe da renegociação de consignado, os criminosos geralmente chegam por WhatsApp, se passando por correspondentes bancários ou funcionários de instituições financeiras reconhecidas. “Eles passam credibilidade por muitas vezes já possuírem dados prévios, vazados, sobre o endividamento da vítima”, explica Márcia Netto, CEO da Silverguard. “O que chama a atenção e torna a prática mais perversa é que o alvo principal é o público 60+, justamente quem muitas vezes já está com a margem do consignado estrangulada.”
No golpe da renegociação, o cliente é levado a contrair uma nova dívida sob a falsa promessa de que o valor será usado para abater ou “portar” um contrato antigo. Logo que o dinheiro cai na conta, o golpista envia boletos falsos ou chaves Pix (geralmente em nome de terceiros ou empresas de fachada) e orienta a transferência imediata para a “quitação” do primeiro contrato. Mas ao invés de quitar a primeira dívida, ele passa a ter duas dívidas.
Na prática, o correspondente bancário está levando o cliente a fazer um empréstimo com uma instituição verdadeira, mas ele pega o dinheiro de volta no ato da contratação.
O golpe simula uma operação comum no consignado, de refinanciamento da dívida. É comum as instituições oferecerem um “troco” quando o cliente vai refinanciar um contrato de consignado, já que o refinanciamento abre margem para novos empréstimos. Mas nesse caso, o cliente fica com o dinheiro e a parcela se soma à parcela da dívida refinanciada.
Para a CEO do Silverguard, o principal sinal de fraude que o aposentado deve ficar atento é quando há pedido para que ele próprio transfira o dinheiro para o correspondente “quitar” a antiga. No caso de portabilidade de dívidas, a liquidação é feita diretamente entre as instituições, sem passar pela conta do cliente.
