Mesmo assim, as evidências levantadas pela Anvisa apontam que o uso do paraquate poderia levar ao desenvolvimento da doença de Parkinson. Já o diquate “se deposita no sistema nervoso central, trazendo sinais de parkinsonismo, com sintomas como tremores, alteração de visão, irritabilidade, agressividade e confusão mental”, observa Scola.
Intoxicado depois de usar Reglone para limpar as entrelinhas de sua lavoura de fumo em Tunas, na região central do Rio Grande do Sul, Paulo Rozelmo Krug ficou “possuído”, nas palavras de sua esposa: “Ele não me ouvia, ninguém conseguia segurar ele”, relembra Daniela Oliveira dos Santos.
A família de Paulo Roberto Schimunek, de Venâncio Aires, também no Rio Grande do Sul, achou que ele estava sofrendo um AVC, depois de aplicar Reglone para matar ervas daninhas no jardim de casa. Começou a gaguejar, a enrolar a língua e a apresentar confusão mental. “Quando o médico foi pesquisar, disse que esse é o veneno mais perigoso que tem”, recorda a vítima.
Valdemar Postanovicz, fumicultor em Ipiranga, no Paraná, também teve a sensação de passar por um derrame — mas eram os sintomas da intoxicação aguda causada pelo diquate. “Todo o lado direito do meu corpo ficou paralisado. Minha boca torceu para a direita. No caminho para o hospital, comecei a ver tudo escuro”, relata.
O Paraná é o estado brasileiro com maior número total de intoxicações por diquate reportadas ao SUS, desde 2018. “Decidi usar o Reglone porque o Gramoxil [nome comercial de um produto à base de paraquate] deixou de ser produzido, e todo mundo passou a usar o Reglone”, justifica Postanovicz. “Mas, depois disso, nunca mais vou comprar esse produto. Foi muito assustador”, completa.
Equipamentos de proteção não garantem proteção
Entre os 250 casos reportados ao SUS entre 2018 e 2025, 109 estão classificados como adoecimento relacionado ao trabalho, incluindo cinco das seis mortes não provocadas por suicídio.
