Dados do TSE reforçam esse diagnóstico: de 1994 a 2014, a participação de candidatos jovens (18 a 29 anos) no total de candidaturas aumentou, subindo de 4,0% para o pico de 6,8%. Mas desde então, a proporção vem caindo a cada eleição geral: no pleito de 2026, os jovens representam 4,6% dos candidatos, o menor patamar em mais de três décadas.
Para Synthya Maia, os números revelam um funil cada vez mais estreito. “Essa travessia para o jovem é como um funil. Muitos jovens ainda estão dentro dos partidos enquanto filiados, alguns poucos se candidatam, mas menos ainda conseguem ser eleitos. Os partidos estão envelhecendo e uma parte desses jovens está saindo porque, de fato, estão se desengajando com a política partidária”, diz a pesquisadora do Legisla.
Na avaliação do cientista político Murilo Medeiros, esse esvaziamento pode gerar consequências que vão desde o atraso na renovação das lideranças do país à redução da qualidade da representação nas próximas legislaturas. “Sem a presença de jovens, vamos ver os partidos tentando correr, recrutar figuras, como youtubers ou representantes de corporações em cima da hora, somente para cumprir a tabela e disputar a eleição, sem a presença de quadros de qualidade”, complementa o cientista político.
Juventude não abandonou a política
Apesar do afastamento das urnas e dos partidos, os especialistas rejeitam a ideia de uma geração apática com a política. Para Medeiros, o que está em curso é uma mudança na forma de participação política.
“O jovem continua militando por suas causas nas redes sociais, nas escolas, nas universidades, nos coletivos, mas não conseguem mais enxergar nos partidos tradicionais e também no exercício do voto, caminhos reais de transformação”, descreve o cientista político.
