O emaranhado institucional que permeia a crise entre o ministro e a Polícia Federal é grande. Ele tem hoje a maioria da Segunda Turma do Supremo, onde os casos estão sendo inicialmente analisados. No plenário, porém, a cúpula da PF tem defesa.
Mais: a Polícia Federal é uma das instituições mais bem avaliadas do país há anos. O histórico do trabalho que atinge a gregos e troianos ajuda a blindar o órgão. Nem a acusação de que falta escrutínio sobre as suspeitas que circundam o filho mais velho do presidente Lula, o Lulinha, no caso do INSS, encontra amparo fático.
Segundo ministros, Mendonça teria cobrado abertamente que a PF avançasse sobre esse nicho da apuração. A polícia seguiu o rito legal: apresentou o indiciamento de mais de 40 pessoas, priorizando, como manda a Constituição, a análise do material que pesa contra quem aguarda o julgamento em prisão. Sim, a lei diz que apurações com investigados e réus presos devem ter prioridade, para evitar mal irreparável sobre eventual inocente.
Lulinha não está preso, nem sequer foi indiciado, mas é suspeito. Agora não em um, mas três inquéritos.
Ao avançar sobre a PF, Mendonça ampliou a pressão e o peso que já não são pequenos sobre os próprios ombros. Pode ter mirado no que acha que viu mas acabar acertando o próprio pé.
Por fim, a ofensiva do ministro acabou por expor a debilidade do governo Lula. A PF está, nas palavras de um integrante do STF, sem pai nem mãe. Nem a AGU, de Jorge Messias, nem o Ministério da Justiça, a quem ela é formalmente subordinada, saíram em defesa das prerrogativas institucionais do órgão.
