O campo é pouco explorado, e quase nada se sabe sobre como alguns minutos de escuridão repentina afetam estes seres. Os escassos estudos já realizados indicam que eles reagem aos sinais que acompanham o eclipse.
“Os impactos que isso causa em cada espécie dependem muito do nível cognitivo do indivíduo. Vão desde ficar assustado, agrupar-se e ir para seus locais de descanso, até observar o pôr do sol ou começar a apontar, como no caso dos chimpanzés”, explica o pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, Airam Rodríguez.
Rodríguez é um dos criadores do EcoEclipse, projeto pioneiro na Europa dedicado ao tema. A equipe fará gravações de som ambiente nos dois dias que antecedem o fenômeno, durante o próprio dia e nos dois dias seguintes, a fim de comparar comportamentos das espécies estudadas durante o eclipse com os de dias normais.
“As reações serão publicadas em formato bruto para que outros pesquisadores, no futuro, possam estudar como o ruído ambiental se altera, e não apenas o produzido por animais”, acrescenta ele.
Serão gravadas as reações de diversas espécies, mas por ora o projeto terá como foco as aves – cujos ritmos diários e sazonais são estritamente regulados pelas mudanças entre a luz e a escuridão – e os morcegos. “Sabemos ainda menos sobre os morcegos, e isso é o que há de bom neste eclipse: por ocorrer ao entardecer, ele pode ter um efeito muito maior sobre eles.”
Confusão e ansiedade entre animais
Em 2024, quando houve um eclipse solar total nos Estados Unidos, pesquisadores monitoraram o canto das aves e criaram um aplicativo móvel para que a população pudesse participar.
